Manutenção da bandeira amarela reforça importância de integrar geração distribuída

Consumidor continua muito exposto às oscilações
A decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) de manter a bandeira tarifária amarela nas contas de luz em junho reforça a necessidade de acelerar investimentos em geração distribuída associada a sistemas de armazenamento de energia próximos aos centros de consumo. A medida mantém a cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos, em razão da redução das chuvas e do maior acionamento de usinas termelétricas no país. Para Daniel Maia, diretor da Athon Energia, o cenário evidencia um desafio estrutural do setor elétrico brasileiro.
“A bandeira amarela mostra como o consumidor continua exposto às oscilações do sistema elétrico. Embora o país já conte com excedentes de geração em determinados períodos do dia, quando falta energia disponível nos horários de pico o sistema precisa recorrer a fontes mais caras para manter o abastecimento”, afirma.
O Brasil já possui uma base relevante de geração solar distribuída. Para Maia, o próximo passo da transição energética será aproveitar melhor essa energia por meio de baterias instaladas próximas dos consumidores.
Regulamentação
“Para que isso aconteça em larga escala, será fundamental avançar na regulamentação do armazenamento de energia no Brasil, criando mecanismos que deem previsibilidade aos investimentos e reconheçam o valor que esses sistemas agregam à segurança e à flexibilidade da rede elétrica. A tecnologia já está disponível e os investimentos avançam em todo o mundo. O próximo passo é consolidar um arcabouço regulatório que permita sua inserção em larga escala no sistema elétrico brasileiro”, afirma.
A energia solar produz grande parte de sua geração durante o dia, mas os momentos de maior consumo normalmente acontecem no início da noite. As baterias permitem armazenar essa energia e utilizá-la justamente nesse período.
“A combinação entre geração distribuída e armazenamento próximo às unidades consumidoras permite deslocar energia renovável para os momentos de maior demanda, diminuindo a dependência de recursos térmicos de maior custo e reduzindo a pressão sobre a infraestrutura de transmissão”, explica.
A avaliação está alinhada às projeções da Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA). Em relatório divulgado neste ano, a entidade aponta que a necessidade global de flexibilidade dos sistemas elétricos deverá triplicar até 2030 e ser cerca de dez vezes maior em 2050, impulsionada pelo crescimento da geração solar e eólica. Para atender essa demanda, a agência estima que a capacidade mundial de armazenamento de energia precisará crescer de aproximadamente 200 GW em 2023 para mais de 1.500 GW até 2030.
Segundo a IRENA, baterias, armazenamento de longa duração, redes inteligentes e soluções de gestão da demanda serão elementos centrais da próxima fase da transição energética, permitindo armazenar excedentes de geração renovável e disponibilizá-los nos momentos de maior consumo, reduzindo a necessidade de acionamento de fontes mais caras para garantir o abastecimento.
Para o executivo, a manutenção das bandeiras tarifárias demonstra que o debate energético já não se resume à expansão da geração renovável.
“Estamos caminhando para um modelo em que a energia será cada vez mais produzida e armazenada próxima de onde é consumida. Isso reduz perdas, aumenta a eficiência do sistema e ajuda a evitar o acionamento de fontes mais caras nos horários de maior demanda. Quanto mais conseguirmos combinar geração distribuída e baterias próximas aos consumidores, maior será esse benefício”, diz Maia.








