Inteligência Artificial e finanças descentralizadas redefinem o acesso das empresas ao crédito

Automação analítica, tokenização e novos modelos financeiros ampliam o alcance do mercado de capitais para empresas médias
A integração entre Inteligência Artificial (IA) e finanças descentralizadas (DeFi) começa a redesenhar o mercado financeiro global e abrir um novo ciclo de oportunidades para empresas fora do eixo tradicional de crédito. Segundo o Banco Mundial, mais de 40% das pequenas e médias empresas em economias emergentes enfrentam restrições severas de financiamento. No Brasil, dados do Sebrae indicam que o custo do crédito segue como um dos principais entraves ao crescimento do middle market, mesmo em um cenário de digitalização bancária.
Nesse ambiente, a aplicação de IA à análise financeira tem ganhado espaço como ferramenta para reduzir assimetrias de informação e acelerar decisões de investimento. Modelos de ciência de dados permitem avaliar risco de crédito, capacidade de pagamento e estruturas de garantia com maior precisão, enquanto a infraestrutura blockchain viabiliza a tokenização de ativos e a pulverização do investimento. Estimativas do Bank for International Settlements mostram que projetos ligados a Real World Assets (RWA) tokenizados já movimentam dezenas de bilhões de dólares globalmente, com crescimento consistente desde 2023.
No Brasil, esse movimento se intensifica com iniciativas como as da B8 Partners, que atua na interseção entre mercado de capitais tradicional e ativos digitais. A empresa passou a estruturar operações de Renda Fixa Digital por meio da fintech DeFin, unidade focada em inteligência financeira e no modelo de Investment Banking as a Service (IBaaS). A atuação tem sido viabilizar emissões estruturadas com rigor técnico e aderência regulatória, em um segmento historicamente pouco atendido pelos grandes bancos.
“O problema não é falta de tecnologia, mas de estruturação adequada ao perfil do investidor institucional”, afirma Beny Fard, engenheiro, CEO da DeFin e cofundador da B8 Partners .
“A Inteligência artificial aplicada à engenharia financeira permite analisar risco de forma mais profunda e, ao mesmo tempo, reduzir custos operacionais. Isso torna viáveis operações que antes ficavam fora do mercado de capitais”, diz Fard.
A lógica do IBaaS surge em um contexto no qual emissões de menor porte enfrentam barreiras elevadas. De acordo com a OCDE, custos fixos e exigências regulatórias tornam economicamente inviáveis muitas operações abaixo de determinados volumes, mesmo quando as empresas apresentam fundamentos sólidos. A combinação entre análise automatizada de dados, estruturas jurídicas padronizadas e distribuição digital busca preencher esse vácuo.
Para Fard, a convergência entre IA e DeFi aponta para um mercado de capitais híbrido, mais conectado à economia real. “Estamos levando práticas típicas de bancos de investimento para empresas médias, com mais velocidade e transparência. Isso amplia o acesso ao capital produtivo e cria um ambiente mais eficiente para investidores e emissores”, conclui.
A tendência é que esse modelo ganhe escala à medida que investidores institucionais ampliem a exposição a ativos digitais regulados e que o arcabouço normativo avance. Nesse cenário, a combinação entre tecnologia, governança e disciplina analítica tende a definir quais iniciativas conseguirão transformar inovação em liquidez sustentável para o ambiente corporativo.







