Fim das tarifas recíprocas nos EUA redesenha o cenário para commodities e comércio

Fim das tarifas recíprocas nos EUA redesenha o cenário para commodities e comércio

Decisão histórica limita uso de poderes emergenciais pelo Executivo e pode gerar ressarcimentos bilionários

A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu nesta sexta-feira (20) que as chamadas “tarifas recíprocas”, impostas de forma unilateral pela administração do presidente Donald Trump, são ilegais. Por seis votos a três, a mais alta instância do Judiciário americano entendeu que o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) para justificar a medida extrapolou as atribuições constitucionais do presidente.

Segundo análise divulgada pela a StoneX, empresa global de serviços financeiros, a declaração de ilegalidade das chamadas “tarifas recíprocas” nos Estados Unidos tende a provocar uma reprecificação imediata no mercado internacional de commodities, reduzir distorções competitivas e trazer maior previsibilidade ao comércio global.

Conforme contextualiza Raphael Bulascoschi, analista de inteligência de mercado, as tarifas haviam sido anunciadas em abril do ano passado com base na IEEPA, legislação que concede ao chefe do Executivo poderes ampliados em situações classificadas como emergenciais. Governadores e empresas afetadas recorreram à Justiça, argumentando que a lei não autoriza a criação de tarifas comerciais e contestando a caracterização do chamado “estado de emergência” invocado pelo governo.

Antes de chegar à Suprema Corte, o caso foi analisado por três instâncias judiciais, todas contrárias à aplicação da IEEPA para fins tarifários. A decisão final do Supremo confirma esse entendimento e determina a interrupção imediata da cobrança das tarifas.

“O julgamento era acompanhado com expectativa pelo mercado e por analistas políticos, uma vez que a composição atual da Suprema Corte tem maioria conservadora, o que alimentava a possibilidade de uma decisão favorável à administração Trump. O resultado, no entanto, representa um revés significativo para o presidente e reforça os limites institucionais do poder Executivo em matéria comercial”, apontou o analista.

Repercussões no comércio internacional e nas commodities

A suspensão das tarifas tende a reduzir o poder de barganha dos Estados Unidos frente a parceiros comerciais estratégicos, como a China. Segundo a analista de planejamento e suporte, Julia Viana, ainda assim, especialistas não esperam movimentos abruptos no curto prazo. “Pequim tem adotado um discurso mais conciliador e se comprometeu recentemente a ampliar de 12 para 20 milhões de toneladas a compra de soja americana na atual safra”, afirmou.

Bulascoschi complementa, pontuando que “a Índia, outro ator relevante nas negociações comerciais com Washington, também dificilmente revisará acordos recém-anunciados em razão da decisão judicial”.

No Brasil, setores que não haviam sido beneficiados pela derrubada parcial de tarifas ocorrida em novembro do ano passado podem ser favorecidos pelo novo cenário, especialmente em mercados nos quais as tarifas recíprocas afetavam a competitividade dos exportadores.

Ambos especialistas da StoneX destacam que a decisão da Suprema Corte marca um precedente importante sobre os limites do uso de poderes emergenciais e deve influenciar o desenho da política comercial americana nos próximos meses.

Impactos fiscais e possibilidade de ressarcimento

Com a declaração de ilegalidade das tarifas, empresas e demais agentes econômicos afetados poderão buscar o ressarcimento dos valores pagos junto à alfândega americana, conforme explica Bulascoschi. Estimativas preliminares indicam que o montante a ser devolvido pode ultrapassar US$ 130 bilhões, o que representaria uma pressão adicional sobre o orçamento federal dos Estados Unidos.

“O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que o governo ainda avalia a possibilidade de novos recursos judiciais, o que pode postergar definições sobre os ressarcimentos. Caso a devolução se confirme, o impacto fiscal pode trazer implicações relevantes para as contas públicas do país”, destacou.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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