Escala 5×2 começa a entrar na rotina das empresas e expõe desafios de produtividade no Brasil

Escala 5×2 começa a entrar na rotina das empresas e expõe desafios de produtividade no Brasil

Com debate avançando no Congresso e pressão por jornadas mais equilibradas, empresas começam a reorganizar equipes, turnos e custos para adaptar a operação sem perder produtividade

O debate sobre jornada de trabalho deixou de circular apenas no campo político e sindical e passou a aparecer dentro das operações das empresas brasileiras. Com propostas em discussão no Congresso Nacional sobre a redução da carga semanal e o avanço da escala 5×2, negócios que dependem de atendimento presencial e equipes distribuídas começam a avaliar como adaptar a rotina sem comprometer produtividade, custos e qualidade de serviço.

A discussão ganhou força também entre trabalhadores. Levantamento do DataSenado aponta que 84% dos brasileiros acreditam que jornadas menores poderiam melhorar a qualidade de vida, sobretudo pela redução do estresse e dos impactos na saúde mental. Ao mesmo tempo, economistas alertam que mudanças estruturais na jornada exigem planejamento para evitar efeitos colaterais no mercado de trabalho.

Estudo do Centro de Liderança Pública estima que a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais poderia colocar em risco mais de 600 mil postos de trabalho no país. Entre os setores mais sensíveis aparece o comércio, com possível queda de 1,3% na produtividade e impacto potencial de cerca de 164 mil vagas.

Na prática, o tema já começou a entrar nas decisões internas de empresas que operam unidades físicas, turnos e equipes em diferentes horários. Negócios com fluxo constante de clientes precisam reorganizar escalas, redistribuir tarefas e, em alguns casos, ampliar o quadro de funcionários para manter o nível de atendimento.

À frente de operações em real estate, serviços e gestão de ativos imobiliários em diferentes estados, o empresário e investidor Paulo Motta acompanha de perto esse movimento dentro das empresas. Segundo ele, quando a discussão sobre jornada chega ao dia a dia das operações, o impacto vai além da simples redução de horas.

“A mudança de escala costuma exigir revisão de turnos, treinamento das equipes e ajustes no modelo de atendimento. Em operações presenciais, a organização da jornada está diretamente ligada à forma como a empresa distribui atividades ao longo do dia e aos horários de maior demanda”, afirma.

Experiências pontuais em diferentes cidades brasileiras indicam que a transição pode trazer efeitos variados. Empresas que migraram da escala 6×1 para o modelo 5×2 relatam aumento na satisfação dos funcionários e, em alguns casos, melhora de desempenho após reorganização das equipes e revisão de processos internos.

No setor de hospitalidade, por exemplo, um hotel de alto padrão na capital paulista decidiu implementar a escala 5×2 em toda a operação. A mudança exigiu investimento superior a R$ 2 milhões e a contratação de 27 novos profissionais para garantir cobertura de turnos e manter o padrão de atendimento.

Casos como esse mostram que a transição tende a depender mais de planejamento operacional do que apenas de decisão administrativa. Em áreas como varejo, serviços e construção, a escala de trabalho está diretamente ligada à disponibilidade de equipes em horários de maior movimento e ao equilíbrio entre custo de folha e volume de atendimento.

“Em muitos casos, a empresa precisa redesenhar a distribuição de atividades e acompanhar indicadores como produtividade por hora trabalhada e ocupação das equipes. Esses dados passam a orientar como a escala é organizada dentro da operação”, explica Motta.

No Congresso Nacional, propostas em debate discutem o fim da escala 6×1 e a adoção de jornadas com dois dias de descanso semanal, mantendo cerca de 40 horas de trabalho. A expectativa entre especialistas é que qualquer mudança avance de forma gradual, com período de adaptação para empresas e trabalhadores.

À medida que organizações começam a testar novos formatos de escala, os resultados observados em produtividade, custos e retenção de profissionais passam a influenciar o debate sobre o futuro do trabalho no país. “É primordial um equilíbrio saudável entre o trabalhador e a empresa. Quando o todo trabalha integrado, cria-se um ambiente organizacional saudável e produtivo”, conclui Motta.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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