Veja como as novas prioridades estão redefinindo o mercado de trabalho

Veja como as novas prioridades estão redefinindo o mercado de trabalho

Desafios e oportunidades de integrar cinco gerações no ambiente corporativo moderno

O mercado de trabalho está em plena metamorfose com a presença simultânea de cinco gerações, cada uma trazendo suas próprias prioridades e expectativas. Essa diversidade está redefinindo as estruturas organizacionais e exigindo das empresas uma adaptação contínua e estratégica. Especialistas destacam que compreender essas dinâmicas multigeracionais é fundamental para transformar o choque de cultura em oportunidade de inovação.

Hoje, o ecossistema corporativo é composto por:

Baby Boomers (1946-1964): Valorizam estabilidade e lealdade institucional.

Geração X (1965-1980): Buscam o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal.

Millennials (1981-1996): Focam em propósito e desenvolvimento contínuo.

Geração Z (1997-2012): Priorizam bem-estar e flexibilidade extrema.

Geração Alpha (2013 em diante): Ainda jovens, mas já moldam o futuro com a natividade digital.

Diferenças de mentalidade: Millennials X Geração Z

De acordo com um estudo da McKinsey & Company, 70% da Geração Z prioriza flexibilidade e bem-estar. Em contraste, 59% dos Millennials ainda buscam crescimento vertical na carreira, refletindo uma transição na visão de sucesso profissional.

Essa mudança é endossada pela pesquisa Global Workforce Hopes and Fears Survey, da PricewaterhouseCoopers (PwC), que aponta que 35% dos jovens da Geração Z pretendem mudar de emprego nos próximos dois anos, evidenciando um desafio global de engajamento e permanência de talentos.

Realidade do Mercado: o choque de gestão na prática

Na linha de frente desse cenário, empresas de Curitiba enfrentam o desafio diário de traduzir essas teorias para a prática. É o caso do Espaço Torres — hoje liderado pelo CEO e sócio Ademar Batista Pereira Junior, ao lado de sua esposa, a empresária Karynele Valerye Karas.
No setor de eventos, onde o Buffet Play House (também liderado por Karynele) é referência, a própria trajetória da gestora ilustra a busca por propósito: ela deixou uma carreira consolidada na advocacia após enfrentar um esgotamento (burnout) para migrar para o empreendedorismo.

“Hoje me sinto mais segura profissionalmente. Foi uma mudança desafiadora, mas que trouxe propósito e qualidade de vida”, afirma Karynele. Porém, a empresária pondera que a busca pelo equilíbrio não pode anular o comprometimento.

“Há um limite para a flexibilidade. Na realidade do dia a dia corporativo, muitas vezes é inviável adaptar a empresa à visão dessa nova geração, porque o negócio demanda cronograma, execução e dedicação constante”, afirma Pereira Junior.

Cultura do esforço X Escassez de mão de obra

Se por um lado psicólogos e RHs afirmam que a Geração Z está quebrando a cultura tradicional do burnout ao exigir ambientes mais acolhedores e inclusivos, por outro, o empresariado relata dificuldades operacionais. A grande queixa atual não é a convivência entre idades, mas a escassez de profissionais dispostos a enfrentar a rotina de cobranças naturais de um emprego.

A falta de ambições tradicionais das gerações anteriores — como a conquista da casa ou do carro próprio — parece refletir em um desinteresse pelo crescimento profissional a longo prazo.

“Percebemos que há uma linha muito tênue entre buscar bem-estar e evitar responsabilidades. Sentimos uma enorme dificuldade em encontrar mão de obra que queira aprender, que assimile orientações e aguente a pressão natural de entrega”, desabafa Karynele, relembrando experiências recentes nos setores de marketing e administrativo, onde a falta de atenção e o desinteresse em corrigir erros levaram ao desligamento de colaboradores.

Ademar Batista Pereira Junior corrobora a visão, apontando que a sustentabilidade das empresas depende de contrapartida. “A engrenagem do mercado não para. Para que o negócio prospere e possa oferecer boas condições, o profissional precisa querer crescer junto, ter iniciativa e entender que o começo da carreira exige esforço”, afirma Karynele.

Responsabilidade e o futuro do trabalho

Essa diferença de postura tem feito com que muitas empresas optem por reter colaboradores de gerações mais maduras, onde o comprometimento com o resultado costuma ser mais sólido. As exceções entre os mais jovens, segundo os empresários, costumam ocorrer quando a realidade financeira se impõe.
“Notamos que os jovens que já têm filhos, mesmo na casa dos vinte anos, mudam a postura. Nesses casos, a responsabilidade já bate no peito e eles fazem acontecer, porque há uma necessidade real em jogo”, observa Karynele.

Para manter a competitividade, o grupo empresarial de Curitiba vem expandindo sua atuação com a recente aquisição da Fábrica Princesa de Minas e da marca Loucos por Churros. Para os líderes, independentemente das transformações culturais, o mercado sempre exigirá uma base sólida de dedicação. “O mercado é fértil e cheio de oportunidades, mas o sucesso ainda depende de ralar muito, ter foco e assumir compromissos com o que se faz”, conclui a empresária.

Estudos sobre o comportamento humano indicam que o futuro do trabalho exigirá um equilíbrio delicado: enquanto as empresas precisam humanizar seus processos para atrair os mais jovens, as novas gerações precisam compreender a dinâmica de entrega do mundo corporativo. Só assim a diversidade geracional se transformará, de fato, em inovação e crescimento sustentável.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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