Rochas brasileiras projetam o Brasil no mercado global

Setor atingiu o melhor resultado de sua história, impulsionado pela valorização do produto brasileiro no mercado global

Poucas indústrias brasileiras conseguem reunir, simultaneamente, capilaridade produtiva, forte presença internacional e capacidade de agregar valor como o setor de rochas naturais. Impulsionada por uma combinação de riqueza geológica, organização institucional e avanço comercial, a indústria nacional consolidou em 2025 o melhor desempenho da sua história e reforçou seu papel como segmento estratégico para a economia brasileira.

O recorde histórico alcançado pelo setor ajuda a dimensionar essa força. As exportações brasileiras de rochas naturais fecharam 2025 com faturamento de US$ 1,48 bilhão, um crescimento de 17,5% em relação ao ano anterior. As vendas externas somaram 2,11 milhões de toneladas, salto de 2,9% na comparação com 2024, em um movimento sustentado não apenas por volume, mas também pela valorização do produto brasileiro, refletida com o aumento de 14,2% no preço médio das exportações.

“Os números impressionam, especialmente por terem sido alcançados em um ano desafiador, marcado pelo tarifaço”, avaliou Tales Machado, presidente da Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas).

“Se esses materiais tivessem mantido o ritmo de vendas do primeiro semestre, o setor poderia ter alcançado um faturamento próximo de US$ 1,6 bilhão em 2025”, completou.

O resultado consolida um novo patamar para uma cadeia produtiva que vai além da extração mineral. O setor brasileiro de rochas naturais passou a atrair os olhares e a ocupar mais espaço em mercados de arquitetura, construção e design, ampliando a especificação de materiais de alto valor agregado e fortalecendo sua presença em iniciativas internacionais.

Liderança

A liderança dessa indústria tem endereço conhecido em território nacional. O Espírito Santo permanece como principal polo, concentrando 78,5% das exportações brasileiras em 2025. O eixo central dessa indústria, entretanto, divide o protagonismo com outros polos nacionais. O destaque vai para o Ceará que registrou alta de 141,3% nas exportações, chegando a um share de 7,4%. O resultado foi impulsionado pela produção de quartzitos, hoje considerada a rocha natural mais importante para a indústria brasileira e representando cerca de metade de todas as exportações do setor, por aliar a estética do mármore à resistência do granito.

Apesar do crescimento acelerado do estado nordestino, é Minas Gerais que ocupa a segunda colocação no ranking nacional, com uma fatia de 9,1% das exportações brasileiras em 2025, sustentado por um perfil produtivo voltado a nichos específicos, como a ardósia. “O compromisso de manter diálogo próximo com os polos produtivos é fundamental para sustentar a força e a competitividade da indústria brasileira de rochas”, afirmou o superintendente da Centrorochas, Giovanni Francischetto

Mercados estratégicos

O mapa produtivo conecta o Brasil a alguns dos maiores centros consumidores do planeta. Os Estados Unidos mantiveram, em 2025, a posição de principal comprador das rochas naturais brasileiras, respondendo por 53,6% das exportações, com faturamento de US$ 795 milhões. A relação com o país é estratégica para a indústria nacional, mesmo após o ambiente de instabilidade provocado pelas tarifas adicionais impostas em 2025.

De acordo com a Centrorochas, a intensificação do trabalho de diplomacia, conduzido pelo setor desde o anúncio das tarifas alfandegárias, tornou-se parte central da estratégia comercial. “É fundamental mantermos uma agenda contínua de posicionamento, ampliando a presença e a especificação dos materiais brasileiros, especialmente no segmento high-end”, destacou Fábio Cruz, vice-presidente da Centrorochas.

A China ocupou o segundo lugar, com US$ 260,1 milhões e participação de 17,5%, o que reforçou sua relevância estratégica. As exportações brasileiras para o país asiático cresceram de US$ 154,9 milhões em 2021 para US$ 260,1 milhões em 2025, movimento puxado principalmente pela demanda por granito, seguido por quartzito e mármore.

Completando o ranking, a Itália registrou US$ 117,7 milhões e crescimento expressivo de 42,2% no período. México, Reino Unido e Espanha compõem o grupo dos principais mercados compradores, evidenciando uma expansão geográfica que reduz dependências históricas e amplia oportunidades comerciais.

Importância do mercado interno

A indústria também vem ampliando sua consolidação interna e seu papel de atuação como um ecossistema integrado, que reúne desde pedreiras, empresas de mineração e marmorarias até segmentos de arquitetura, tecnologia e design. Neste sentido, eventos como a Marmomac Brazil, realizada em São Paulo, têm reforçado essa conexão entre os diversos atores da cadeia, funcionando como plataformas de negócios e posicionamento. Considerada a principal feira do setor e única edição realizada fora da Itália, a Marmomac reuniu mais de 180 marcas expositoras, recebeu cerca de 15 mil visitantes de 70 países e consolidou São Paulo como plataforma internacional de conexão do mercado.

A Rodada de Negócios promovida durante o evento deixou evidente a estratégia de diversificação. A iniciativa, conduzida pela Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas) e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), por meio do Projeto Comprador, no âmbito do programa setorial It’s Natural – Brazilian Natural Stone, reuniu compradores de sete países: Austrália, Canadá, Emirados Árabes Unidos, Índia, Itália, México e Polônia.

A ação contou ainda com a parceria da Marmomac Brazil na atração de compradores internacionais, ampliando o alcance da rodada. Como resultado, foram gerados US$ 1,9 milhão em negócios imediatos, além da projeção de outros US$ 3,7 milhões em contratos futuros. Cinco compradores do Oriente Médio e da Índia não possuíam qualquer relação comercial anterior com o Brasil, evidenciando a abertura de novas frentes para o setor.

Outra agenda relevante será a Cachoeiro Stone Fair 2026, realizada de 25 a 27 de agosto de 2026, em Cachoeiro de Itapemirim (ES). É uma das feiras mais tradicionais e importantes do Brasil no setor de rochas naturais, reunindo mais de 200 marcas expositoras e cerca de 15 mil visitantes do Brasil e de mais de 25 países. A edição deste ano será expandida para oferecer uma dinâmica de negócios mais estratégica e alinhada aos principais eventos internacionais.

Para Flavia Milaneze, CEO da Milanez & Milaneze, empresa responsável pela realização de ambas as feiras, esse movimento é parte de um plano estruturado de expansão. “Temos trabalhado para, cada vez mais, consolidar nosso papel de plataforma que conecta fornecedores e compradores, gerando negócios, promovendo network e ampliando as oportunidades de experiência e de geração de conteúdo qualificado”, diz a executiva. “Não há dúvidas de que essa indústria é um ativo estratégico da economia brasileira, tanto para interna quanto para projetar o Brasil no comércio global”, finaliza.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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