Após maior queda mensal em 4 anos, Bitcoin retorna à faixa de preço considerada estratégica para investidores

Após maior queda mensal em 4 anos, Bitcoin retorna à faixa de preço considerada estratégica para investidores

Correção de 21% devolveu o ativo para níveis que, historicamente, antecederam importantes ciclos de valorização

Depois de registrar sua maior queda mensal desde 2022, o Bitcoin voltou a negociar abaixo dos US$ 60 mil, patamar que não era visto desde setembro de 2024. Embora o movimento tenha aumentado a cautela dos investidores no curto prazo, especialistas avaliam que a atual faixa de preço pode representar uma das principais oportunidades de entrada dos últimos anos para quem investe com horizonte de longo prazo.

É essa a conclusão de um estudo elaborado pelo MB | Mercado Bitcoin, plataforma de ativos digitais líder da América Latina, que analisou os fatores macroeconômicos responsáveis pela recente correção do mercado e os níveis técnicos historicamente relevantes para o Bitcoin. Segundo o MB, a queda foi resultado da combinação de quatro fatores globais: a expectativa de duas subidas de juros de 25 pontos base dos juros elevados nos Estados Unidos até o primeiro trimestre de 2027, o maior ciclo de resgates já registrado pelos ETFs de Bitcoin à vista, mudanças na dinâmica de compras da Strategy — maior detentora corporativa do ativo no mundo — e a concentração de investimentos em empresas ligadas à Inteligência Artificial.

“O mercado costuma interpretar movimentos como esse apenas pela ótica da volatilidade. Mas quem acompanha os ciclos do Bitcoin sabe que grandes correções também costumam abrir oportunidades importantes para investidores que possuem estratégia e visão de longo prazo”, afirma Pedro Fontes, Analista de Research do MB | Mercado Bitcoin.

Os quatro fatores que explicam a correção

A principal pressão veio da economia americana. Com a inflação ainda acima da meta do Federal Reserve, aumentaram as expectativas de manutenção dos juros em patamares elevados por mais tempo. Esse cenário favorece investimentos considerados mais conservadores, como títulos públicos americanos, reduzindo temporariamente o apetite por ativos de maior risco, entre eles o Bitcoin. Outro fator relevante foi o comportamento dos ETFs de Bitcoin negociados nos Estados Unidos. Os fundos encerraram sete semanas consecutivas de saídas líquidas de recursos — a pior sequência desde seu lançamento, em janeiro de 2024 — acumulando mais de US$ 7,7 bilhões em resgates. Como esses produtos precisam comprar ou vender Bitcoin conforme o fluxo de investidores, o movimento ampliou a pressão sobre os preços.

O estudo também aponta preocupações do mercado em relação à Strategy, empresa que concentra mais de 843 mil bitcoins em caixa e que reduziu recentemente seu ritmo de compras, anunciando recentemente ainda uma nova estrutura de gestão de capital (Digital Credit Capital Framework) que dependendo do contexto de mercado permite a venda de parte dos BTCs da companhia. Além da forte migração de capital para empresas ligadas à Inteligência Artificial, que passaram a disputar recursos com outros ativos considerados de crescimento.

Períodos de forte correção costumam atrair investidores

Apesar da volatilidade recente, o MB destaca que o Bitcoin voltou justamente para uma região de preço que, historicamente, coincide com médias móveis de longo prazo utilizadas como referência por investidores institucionais. Nos ciclos anteriores, regiões semelhantes marcaram períodos em que o mercado voltou gradualmente às compras após fases de forte correção. Segundo o levantamento, o ativo atualmente testa níveis próximos às médias móveis de 233 e 305 semanas, indicadores que historicamente funcionaram como importantes zonas de suporte para o Bitcoin.

“O investidor não precisa acertar exatamente o fundo do mercado para construir patrimônio. O mais importante é desenvolver uma estratégia consistente de longo prazo. Em momentos de maior volatilidade, muitos investidores recorrem justamente a aportes recorrentes, reduzindo o risco de concentrar toda a aplicação em um único momento de mercado”, afirma Pedro. Segundo o executivo, a estratégia conhecida como Dollar Cost Averaging (DCA), baseada em compras periódicas do ativo, continua sendo uma das abordagens mais utilizadas por investidores de longo prazo, justamente porque reduz o impacto das oscilações de curto prazo.

O que esperar daqui para frente

A recuperação da faixa dos US$ 60 mil será um dos principais indicadores acompanhados pelo mercado nas próximas semanas. Caso isso não ocorra, os próximos níveis técnicos monitorados pelos analistas ficam entre US$ 54 mil e US$ 55 mil, com uma região de suporte considerada ainda mais forte próxima dos US$ 50 mil.

Embora existam diferentes projeções para os próximos meses, o consenso entre analistas é que o comportamento da política monetária americana, o fluxo dos ETFs de Bitcoin e o retorno do apetite global por ativos de risco continuarão sendo os principais fatores capazes de determinar os próximos movimentos do mercado.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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