Copa do Mundo impulsiona consumo e desafia empresas a acompanharem impactos tributários em tempo real

Copa do Mundo impulsiona consumo e desafia empresas a acompanharem impactos tributários em tempo real

O chamado “kit Copa” teve um aumento de 32,5% no preço, enquanto o IPCA subiu 21% em relação à última Copa

Maior evento esportivo do planeta, a cada quatro anos a Copa do Mundo da Fifa transcende o futebol, torna-se o centro das atenções em qualquer ambiente e impacta diretamente os hábitos de consumo globais. Em todo o mundo, as torcidas compram camisas, lotam bares, frequentam mercados em busca de comida e bebida para confraternizações e até investem em aparelhos eletrônicos para assistir aos jogos. Essa movimentação impulsiona diversos setores da economia e gera reflexos diretos na arrecadação de tributos sobre o consumo.

No Brasil, de acordo com a FecomercioSP, o chamado “kit Copa” já registra crescimento de 3,1%, impulsionado principalmente por carnes, bebidas alcoólicas e itens utilizados em encontros de amigos e familiares durante os jogos. No primeiro semestre, a venda de televisores subiu 7% em relação ao mesmo período do ano passado. Dentre essas, as chamadas “TVs gigantes”, acima de 75 polegadas, tiveram aumento de 94% na procura. A movimentação acontece independentemente da alta nos preços, com aumento acumulado de 32,5% desde a última Copa, em 2022, segundo levantamento da Rico. O percentual supera a inflação do período, de 21% medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), destacando altas de 27,5% no preço da cerveja e de 12,9% nas carnes.

Por trás desse aquecimento econômico existe uma dinâmica tributária complexa. O aumento das vendas amplia a circulação de mercadorias e a prestação de serviços, elevando a arrecadação de tributos incidentes sobre o consumo, como ICMS, PIS, Cofins e ISS. Ao mesmo tempo, empresas precisam lidar com um volume maior de documentos fiscais, apuração de impostos e cumprimento de obrigações acessórias.

“Vender mais durante a Copa significa lidar com uma operação tributária mais intensa e complexa. Quanto maior o volume de transações, maior a necessidade de acompanhar os impactos fiscais em tempo real para garantir conformidade e apoiar decisões estratégicas do negócio”, afirma Roberto de Lazari, diretor da All Tax, multinacional referência em tecnologia para gestão tributária corporativa.

Segundo o executivo, períodos de pico de consumo exigem atenção redobrada das áreas fiscal e tributária. “Quando o volume de operações cresce rapidamente, pequenos erros tendem a se multiplicar. Problemas na classificação fiscal de produtos, cálculos incorretos de tributos ou falhas na emissão de documentos fiscais podem resultar em multas, autuações e retrabalho. Por isso, a automação deixou de ser apenas uma ferramenta de eficiência e passou a ser um requisito para a gestão de riscos”, explica.

Reforma Tributária

Para Lazari, esse desafio ganha ainda mais relevância em um momento de transformação do sistema tributário brasileiro. Com a implementação gradual da Reforma Tributária, as empresas precisam administrar simultaneamente as regras atuais e as novas exigências que entrarão em vigor nos próximos anos. “O impacto tributário da Copa já é relevante hoje, mas tende a crescer nos próximos ciclos do torneio, à medida que a reforma avance. A criação do Imposto Seletivo sobre produtos como bebidas alcoólicas, além de mecanismos como o cashback tributário, deve aumentar a complexidade da apuração e do acompanhamento fiscal, tornando ainda mais estratégico o monitoramento tributário em tempo real para apoiar decisões de negócio e garantir conformidade”, prevê o executivo.

Situações de grande impacto econômico, como a Copa do Mundo, também funcionam como um indicador da maturidade tributária das organizações. “Empresas que contam com processos automatizados, dados confiáveis e governança tributária estruturada conseguem absorver aumentos de demanda com muito mais segurança. Já aquelas que ainda dependem de controles manuais enfrentam maiores dificuldades para acompanhar o crescimento das operações e manter a conformidade fiscal”, afirma Lazari.

Mais do que movimentar torcidas e impulsionar vendas, a Copa evidencia como eventos de grande alcance afetam toda a cadeia econômica e fiscal do país. Em um ambiente cada vez mais complexo e digitalizado, a capacidade de monitorar obrigações tributárias, antecipar riscos e transformar dados em inteligência se torna um diferencial competitivo para empresas que buscam crescimento sustentável. “Nessas horas, a capacidade de transformar dados fiscais em inteligência pode gerar ganhos importantes de eficiência, competitividade e segurança”, conclui.

Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial (OpenAI).

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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