Queda na riqueza da alta renda impulsiona a busca por dólar

Queda na riqueza da alta renda impulsiona a busca por dólar

Patrimônio de brasileiros de alta renda recuou 13,3% em dólares

O Brasil atravessa um cenário econômico que já havia sido previsto por diversos analistas de mercado. Após o IBGE registrar um crescimento do PIB de 2,3% em 2025, instituições financeiras como o Goldman Sachs já projetam um avanço econômico menor para 2026, cenário que é diretamente pressionado por uma política monetária restritiva e pelo clima de incerteza fiscal no país.

Para as famílias de alto patrimônio, esse cenário gera impactos bem conhecidos. De acordo com dados do Capgemini World Wealth Report 2025, a riqueza da população brasileira de alta renda apresentou um recuo de 13,3% em dólares ao somente em 2024, amargando a queda mais severa registrada em toda a América Latina.

Para mitigar esses riscos, a maioria dos investidores já diversifica seus ativos em dólares, cientes de que o câmbio é implacável. Apenas nas últimas semanas, o dólar comercial operou com volatilidade, mantendo-se firme na casa dos R$ 5,26 a R$ 5,40.

Marcelo Gorenstein.

“Essa desvalorização do real reforça o que a ‘matemática fria’ demonstra. Um aporte de US$ 800 mil em ativos americanos realizado no ano de 2014 correspondia a cerca de R$ 2,1 milhões na época. Hoje, para igualar esse mesmo montante em dólares, o investidor precisaria desembolsar entre R$ 4,2 milhões e R$ 4,9 milhões para ter o mesmo montante”, analisa Marcelo Gorenstein, diretor da LCR Capital Partners no Brasil e América Latina.

O executivo alerta, porém, que a estratégia de internacionalização do patrimônio exige cautela, pois a simples dolarização traz implicações significativas. Ele alerta: “Na sucessão, ativos nos Estados Unidos mantidos por não residentes podem gerar exposição tributária relevante para os herdeiros. Por essa razão, as famílias que já cogitam viver em solo americano passam a analisar criteriosamente se uma eventual mudança no status de residência altera as regras do regime sob o qual o seu patrimônio é tratado, mesmo que isso acarrete novas obrigações fiscais”.

Visto de investidor EB-5 como proteção e visão de futuro

É nesse gargalo tributário e estratégico que o visto de investidor EB-5 se prova vantajoso, exercendo um papel incontestável na proteção e diversificação do patrimônio em dólares.

Gorenstein destaca que a mudança para o exterior é uma decisão complexa, mas altamente estratégica. “No final das contas, morar nos Estados Unidos não é para todos – mas para quem quer mais do que só dólares; é o que separa quem protege o patrimônio de quem o multiplica com visão de futuro. E é isso que conta”, finaliza.

Porém, ele faz um alerta sobre o visto de investidor EB-5: brasileiros têm uma janela de oportunidade até setembro deste ano. Diz o executivo: “A cláusula de grandfathering garante que investidores que protocolarem seus formulários I-526E até 30 de setembro de 2026 tenham seus processos avaliados pelas regras atuais – mesmo se o programa de Centros Regionais expirar ou mudar após 2027″.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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