Quando a plataforma controla a logística, quem responde pelo risco da operação?

Quando a plataforma controla a logística, quem responde pelo risco da operação?

Chegada da TikTok Logistics Brazil escancara o avanço dos marketplaces sobre o frete e abre um debate jurídico

A estreia da TikTok Logistics Brazil oficializou a entrada direta da rede social na cadeia de entregas do país, mas também acendeu um sinal de alerta no mercado. O movimento escancara uma tendência em que plataformas digitais deixam de ser simples intermediárias de vendas e passam a ditar as regras do transporte. Com isso, vem à tona um dilema cada vez mais frequente nos tribunais: quando uma encomenda atrasa, é roubada ou chega danificada, de quem é a culpa e quem paga o prejuízo?

Na avaliação da advogada Miriam Ranalli, especialista em Direito do Transporte e fundadora do escritório Ranalli Advocacia, a resposta não é óbvia nem automática, exigindo uma análise detalhada sobre o papel real de cada empresa na operação. “A questão central não é se a rede social abriu ou não uma transportadora, mas sim até onde vai a sua interferência na rotina da entrega. Quem escolhe os motoristas? Quem impõe os prazos e aplica multas por atraso? Se a plataforma controla as regras, ela também assume os riscos”, destaca.

A teia das entregas modernizadas

No passado, o frete envolvia uma relação simples entre quem vendia, quem levava e quem recebia. Hoje, o crescimento dos marketplaces fatiou essa jornada. Um único pacote pode passar pelas mãos de vendedores, operadores de galpão, transportadoras contratadas e subcontratadas, entregadores autônomos e gerenciadoras de risco.

Quando um produto sumir no caminho ou sofrer avaria na logística reversa (devolução), a reconstrução do passo a passo torna-se indispensável para localizar o erro. “Não basta cobrar a conta do entregador que bateu na porta do cliente. É preciso rastrear o histórico completo para saber em qual momento e sob a custódia de quem a falha aconteceu”, pontua a advogada.

O volume gigante de encomendas oferecido pelas multinacionais de tecnologia atrai transportadoras de todos os portes. Contudo, Miriam alerta que contratos volumosos escondem armadilhas perigosas nas cláusulas de indenização, seguros e retenções financeiras.

“Olhar apenas para a quantidade de entregas diárias é um erro. Muitas empresas aceitam exigências pesadas sem calcular o custo dos pequenos descontos diários aplicados por falhas na operação. No fim do mês, essas penalidades corroem o lucro”, adverte.

A advogada ressalta ainda que o poder econômico da plataforma não garante responsabilização automática por qualquer extravio, da mesma forma que ela não pode se isentar alegando ser apenas uma ponte de tecnologia. No cenário atual, o consumidor enxerga a experiência de compra e frete como uma coisa só. Para o cliente, se a encomenda falha, a marca que vendeu é a culpada o que pressiona as plataformas a controlarem cada vez mais a distribuição.

“Prejuízos no transporte raramente nascem na justiça. Eles começam na assinatura de um contrato desequilibrado ou na falta de provas digitais durante o trajeto. Na nova era da logística, prevenir riscos jurídicos tornou-se tão vital quanto entregar o pacote no prazo”, conclui Miriam Ranalli.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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