Reestruturação de crédito pode ser alternativa para quem está com nome limpo e enfrenta restrições nos bancos

Reestruturação de crédito pode ser alternativa para quem está com nome limpo e enfrenta restrições nos bancos

Especialista financeiro orienta como identificar os fatores que dificultam a concessão de crédito

Estar com o nome limpo e manter as contas em dia nem sempre é suficiente para conseguir empréstimos, financiamentos ou melhores condições bancárias. Isso porque a ausência de negativação é apenas um dos fatores considerados pelas instituições financeiras. Pessoas e empresas aparentemente com a situação regular podem, ainda assim, enfrentar negativas ou ter o crédito limitado.

Segundo levantamento do SPC Brasil, divulgado em dezembro de 2025, mesmo consumidores sem dívidas negativadas e com Score alto podem ter uma solicitação de crédito recusada. Entre os fatores considerados pelas instituições estão renda, histórico financeiro, relacionamento bancário e pedidos recentes de crédito.

Para o especialista financeiro Roberto Nogueira (foto), a análise vai muito além dos órgãos de proteção ao crédito.

“Nome limpo não significa necessariamente bom perfil de crédito. Serasa e SPC são apenas algumas das fontes utilizadas nas análises. Cada instituição financeira possui seus próprios critérios internos de risco e considera diversas informações para decidir se concede crédito, qual valor disponibiliza e em quais condições”, explica.

Renda ou faturamento, capacidade de pagamento, endividamento, histórico de crédito, movimentação financeira e utilização dos limites também podem entrar nessa avaliação. Os bancos ainda podem consultar informações disponíveis no Sistema de Informações de Crédito do Banco Central, o SCR.

Mesmo quem sempre pagou as contas em dia pode enfrentar dificuldades. Aumento do endividamento, comprometimento elevado da renda e uso frequente dos limites podem alterar a percepção de risco.

“Pagar em dia é apenas um dos fatores analisados. Aumento do endividamento, comprometimento excessivo da renda, utilização elevada dos limites, contratação sucessiva de crédito ou redução da movimentação financeira podem modificar a percepção de risco. Outra coisa: quem compra só à vista e não constrói relacionamento de crédito tem maior dificuldade em acessar as melhores condições”, afirma Nogueira.

Crédito para empresas

Para as empresas, a avaliação pode ser ainda mais ampla. Faturamento, fluxo financeiro, endividamento, capacidade de pagamento, histórico do negócio, relacionamento bancário e informações dos sócios podem influenciar a decisão.

“Uma empresa pode não possuir negativação e, ainda assim, apresentar indicadores que tornem seu perfil menos atrativo para determinadas operações de crédito”, ressalta.

Quando o crédito começa a ser recusado sem uma razão aparente, Nogueira recomenda realizar um diagnóstico antes de procurar novas operações. A análise deve considerar histórico de crédito, SCR, endividamento, capacidade de pagamento, dados cadastrais e relacionamento bancário.

“Solicitar crédito sucessivamente, abrir relacionamentos bancários sem estratégia ou contratar novas dívidas para solucionar problemas anteriores pode piorar o cenário. Antes de buscar novas operações, é mais prudente entender como está o perfil financeiro e identificar quais fatores precisam ser corrigidos.”

Nesse cenário, a reestruturação de crédito pode ser uma alternativa. Diferentemente da renegociação, geralmente concentrada em uma dívida existente, a reestruturação parte de um diagnóstico mais amplo para identificar o que está comprometendo o perfil financeiro e bancário.

“A reestruturação de crédito começa pelo diagnóstico do perfil financeiro e bancário, identifica fatores que podem estar prejudicando a capacidade de crédito e estabelece uma estratégia para reorganizar esse perfil”, explica Nogueira.

O processo pode envolver correção de inconsistências cadastrais, reorganização do endividamento, adequação do uso dos limites, organização da movimentação financeira e melhoria do relacionamento bancário. Para quem possui dívidas, a regularização, mesmo de forma parcelada, também integra esse caminho.

A estratégia pode ser indicada inclusive para quem está adimplente, mas perdeu capacidade de crédito ou passou a receber condições menos favoráveis.

“Existem pessoas e empresas que pagam tudo em dia, mas perderam capacidade de crédito ou passaram a receber condições menos favoráveis. Nesses casos, é necessário identificar a causa antes de definir qualquer estratégia”, destaca.

O especialista ressalta que a reestruturação não garante a concessão de crédito, já que a decisão final cabe às instituições financeiras. O processo, no entanto, pode contribuir para reorganizar o perfil financeiro e fortalecer a capacidade de relacionamento e negociação com os bancos.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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