Reforma Tributária: pequenas empresas precisam transformar setembro em mês de preparação operacional

Reforma Tributária: pequenas empresas precisam transformar setembro em mês de preparação operacional

Decisões sobre recolhimento de IBS e CBS e a migração da NFS-e para o Emissor Nacional podem afetar preço, margem e rotina de pequenas empresas

A Reforma Tributária vai exigir ajustes práticos na rotina de micro e pequenas empresas, especialmente das optantes pelo Simples Nacional, já a partir de setembro de 2026. O desafio para o empreendedor será operacionalizar as mudanças previstas, ou seja, planejar a forma de recolhimento de IBS e CBS e garantir a adaptação à emissão de NFS-e no Emissor Nacional, no caso de prestadores de serviços.

Micro e pequenas empresas somam 96% dos CNPJs do país e responderam por 80% dos empregos formais criados em 2025, segundo o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte. Para esse grupo, o período é de decisões com impacto direto em preço, margem, competitividade e continuidade de rotinas financeiras.

“Para o pequeno empreendedor, a reforma não é apenas uma discussão tributária, ela é uma orientação que impacta diretamente a gestão e a forma de olhar para o negócio. Para evitar riscos, a melhor opção é entender as novas regras e se preparar para executar as mudanças no dia a dia, pensando desde o faturamento à emissão de nota”, afirma Israel Guerra, VP de Finanças do Asaas, plataforma de gestão e operação financeira para empresas.

IBS e CBS: a decisão passa a envolver estratégia comercial, não só alíquota

Entre os principais pontos práticos está a escolha sobre como recolher IBS e CBS. A Lei Complementar nº 214/2025 permite que empresas do Simples Nacional decidam entre manter esses tributos dentro do regime unificado ou optar pela apuração no regime regular, sem que isso signifique sair do Simples para os demais tributos.

Para o primeiro semestre de 2027, a opção pelo recolhimento regular deverá ser feita entre 1º e 30 de setembro de 2026, com efeitos a partir de janeiro. Essa decisão tende a exigir do empreendedor uma análise que vai além do percentual de imposto. “Não existe uma escolha universalmente melhor. O empreendedor precisa considerar como vende, quem compra e o impacto de cada cenário sobre preço, margem e competitividade. Setembro deve ser encarado como um momento de planejamento, e não apenas como mais um prazo fiscal”, diz Israel Guerra.

A recomendação é que negócios com maior peso de vendas para outras empresas avaliem também o efeito dos créditos tributários na relação com seus clientes, enquanto operações mais concentradas no consumidor final podem ter incentivos diferentes para manter o recolhimento no regime unificado.

NFS-e no Emissor Nacional: a mudança exige preparação para evitar interrupções

Outra frente de adaptação será a emissão de notas fiscais de serviço. A partir de 1º de setembro de 2026, micro e pequenas empresas optantes pelo Simples Nacional deverão emitir NFS-e pelo Emissor Nacional, conforme a Resolução CGSN nº 189/2026, substituindo, para esse público, os sistemas municipais.

Para empresas que usam rotinas automatizadas de emissão, a mudança tem impacto direto no fluxo operacional. Para o Asaas, o ideal é que o empreendedor trate a transição como um projeto de configuração e testes, incluindo verificação de cadastro no ambiente nacional, atualização de informações fiscais e conferência de parâmetros essenciais.

Na prática, pontos como regime especial de tributação, série, numeração e códigos de serviço passam a ser críticos para evitar rejeições e retrabalho, especialmente em operações com alto volume de emissão. “A maior dor tende a ser operacional, às vezes, um detalhe de configuração pode travar a emissão e afetar todo o fluxo financeiro. Por isso, antecipar testes e validações reduz o risco de interrupção”, afirma o VP.

Recomendações práticas: setembro é o mês de revisão operacional

Com obrigações e decisões concentradas no mesmo período, a recomendação é que micro e pequenas empresas usem setembro de 2026 como uma janela de revisão:

  • alinhar com o contador a escolha de recolhimento de IBS e CBS, com simulações de impacto em preço e margem;
  • mapear perfil de clientes (B2B/B2C) e efeitos potenciais sobre competitividade e repasse;
  • checar se o sistema de emissão já está adequado ao padrão nacional e revisar cadastros e parametrizações antes do prazo;
  • estruturar uma rotina de acompanhamento, já que a opção pelo regime regular do IBS e da CBS será semestral.

Para o primeiro ciclo, a decisão tomada em setembro produzirá efeitos de janeiro a junho de 2027, com nova oportunidade de escolha posteriormente para o segundo semestre.

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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