87,5% dos empresários já sentem impacto das eleições em seus negócios

87,5% dos empresários já sentem impacto das eleições em seus negócios

Levantamento da Resenha Company com empresários e executivos de todo o país mostra clima de “cautela tática” para o fechamento de 2026, com Reforma Tributária e juros altos no topo das preocupações

O empresariado brasileiro entra no último quadrimestre de 2026 em compasso de espera. É o que aponta uma pesquisa inédita da Resenha Company, ecossistema que reúne empresários e executivos C-level em todo o país: 87,5% dos respondentes afirmam já sentir algum efeito das eleições de outubro sobre o planejamento de suas empresas — seja por decisões próprias adiadas ou antecipadas, seja pelo comportamento mais cauteloso de clientes e fornecedores.

O levantamento, realizado entre os dias 10 e 17 de agosto com cem empresários e executivos da comunidade Resenha, traça um retrato de um mercado que prioriza a preservação de caixa e a estabilidade em detrimento de movimentos mais arriscados, em um cenário pressionado simultaneamente pela Reforma Tributária, pelos juros ainda elevados e pela indefinição eleitoral.

O cenário eleitoral, de fato, aparece como fator determinante para o planejamento das empresas. Do total de respondentes, 39,1% afirmam já ter sentido impacto indireto da eleição, com clientes ou fornecedores adiando decisões; 28,1% dizem estar adiando suas próprias decisões até que o resultado do pleito esteja definido; e 20,3% preferem antecipar decisões e investimentos antes do período eleitoral. Somadas, essas respostas chegam aos 87,5% de empresários que já percebem, de alguma forma, a influência das eleições sobre os rumos do próprio negócio.

Otimismo moderado, mas cautela no comando

Questionados sobre as expectativas para o período de setembro a dezembro, 42,2% dos empresários se declaram neutros em relação ao fechamento do ano, enquanto 37,5% se dizem otimistas ou muito otimistas. Na outra ponta, 20,3% somam uma visão pessimista ou muito pessimista — uma minoria, mas suficiente, segundo a pesquisa, para confirmar que a cautela ainda prevalece sobre o entusiasmo.

Essa postura se confirma quando o tema é crescimento: para 34,4% dos respondentes, o maior avanço esperado até o fim do ano é “nenhum” — a prioridade é apenas manter a estabilidade ou administrar uma eventual retração. Faturamento aparece em seguida, citado por 28,1%, e a expansão do quadro de colaboradores fica em último lugar entre as opções, mencionada por apenas 3,1%, um sinal de que a contenção de custos fixos segue no radar.

Reforma Tributária lidera a lista de preocupações

Entre as maiores preocupações do momento — pergunta em que cada participante podia marcar até três opções —, a adaptação às mudanças da Reforma Tributária foi a mais citada, presente em 64,1% das respostas.

Na sequência, aparecem os juros altos e o custo do crédito (53,1%) e o repasse de preços diante da nova estrutura tributária (43,8%). Custo de insumos e câmbio (32,8%) e escassez de mão de obra qualificada (23,4%) completam o quadro das principais dores relatadas pelos empresários.

“Os dados mostram um empresário brasileiro mais maduro e estratégico diante da incerteza. Ele não está paralisado, mas fazendo escolhas mais calculadas num cenário que combina Reforma Tributária, juros elevados e eleições no mesmo semestre. É a cautela de quem já atravessou ciclos difíceis e sabe preservar caixa para aproveitar as oportunidades certas quando o cenário se definir”, avalia Vinicius Chechinato, fundador, sócio e CEO da Resenha Company.

 

Para Chechinato, o resultado reforça a importância de espaços de troca entre líderes empresariais justamente em momentos de maior incerteza. “Quando o ambiente externo é volátil, a rede de relacionamento e a troca de experiências entre pares se tornam ainda mais estratégicas para a tomada de decisão”, completa ele.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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