2º turno pressiona a economia e desafia projeções

2º turno pressiona a economia e desafia projeções

Lula e Flávio Bolsonaro disputam segundo turno sob tensão

A corrida presidencial brasileira caminha para um segundo turno marcado por um cenário imprevisível. A disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) coloca o país em um momento político no qual nenhuma das campanhas dispõe de garantias de vitória, enquanto os desdobramentos econômicos e geopolíticos no exterior adicionam uma camada extra de volatilidade ao ambiente doméstico.
A leitura do mercado financeiro e dos bastidores políticos indica que a consolidação dos resultados dependerá do engajamento dos eleitores indecisos e da capacidade de reação das chapas diante de um eleitorado polarizado. Segundo Charles Mendlowicz, sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth e fundador do canal Economista Sincero, a volatilidade internacional e as taxas de juros no exterior pressionam diretamente a condução da política monetária e a percepção de risco no Brasil.
Na avaliação de Mendlowicz, o ambiente de juros altos nos Estados Unidos e as pressões inflacionárias mundiais limitam a margem de manobra do Banco Central no Brasil. “Quando um investidor olha o mundo, ele abre um mapa mundi como o de um jogo de tabuleiro. Ele pensa: ‘Tenho US$ 1 bilhão. Onde vou investir esse US$ 1 bilhão?’. O Brasil está pagando bem, mas nos Estados Unidos a taxa de juros é menor e o risco de perder o dinheiro é baixo. Se os americanos aumentarem mais um pouco a taxa de juros, o Brasil fica sem espaço para cortar a Selic de forma mais agressiva, sob o risco de provocar uma fuga de capitais”, explica.

Geopolítica e política monetária moldam o ambiente de negócios

O comportamento dos mercados reflete a sensibilidade dos investidores às incertezas fiscais e ao quadro macroeconômico global. Além da trajetória da inflação e das taxas de juros, os desdobramentos geopolíticos e a alta dos gastos militares no mundo trazem preocupações adicionais sobre a proteção da infraestrutura e dos ativos estratégicos do país.
A reprecificação das expectativas inflacionárias amplia os desafios da gestão econômica e pressiona as decisões do Banco Central. Segundo Mendlowicz, os dados recentes preocupam o mercado. “A inflação está de novo no radar, o IPCA em setembro avançou 0,82% de acordo com o IBGE. Isso é extremamente preocupante porque, com esse avanço, os economistas já subiram a previsão de inflação de 2026 para 5,01%. Isso é muito sério, pois mesmo com uma taxa de juros extremamente alta,  a nossa inflação não cai por culpa do governo e de uma questão estrutural global”, adverte o economista.
Ao comentar o cenário de instabilidade geopolítica e os investimentos em defesa de países vizinhos e potências globais, Mendlowicz alerta para a necessidade de o debate político brasileiro abordar a segurança de infraestruturas cruciais. “Uma guerra ou um grande caos mundial nunca começa do nada, de um dia para o outro. E nos últimos três anos, temos visto os gastos militares dispararem em diversos países. O Brasil está cheio de plataformas da Petrobras no oceano, mas tem drone para protegê-las? Tem algum navio que consiga defender uma plataforma se 100 drones quiserem destruí-la? Precisamos conversar sobre isso”, ressalta o especialista.

Batalha das redes e o peso da abstenção na reta final

Com o reinício das estratégias de campanha, a disputa migrou com força para o ambiente digital. O uso de vídeos curtos, transmissões ao vivo e a articulação com criadores de conteúdo e influenciadores se tornaram ferramentas centrais na tentativa de capturar o eleitorado indeciso e reverter a abstenção do primeiro turno.
O empenho das campanhas foca intensamente na mobilização dos eleitores do Sudeste e na atração dos mais de 33 milhões de cidadãos que não compareceram às urnas. Para o Economista Sincero, a postura das campanhas diante das pesquisas preliminares e do engajamento digital será determinante para o resultado das urnas.
Em sua análise sobre os desdobramentos do pleito, Mendlowicz enfatiza que a definição virá exclusivamente na abertura das urnas.
“A arrogância é mortal numa eleição. A grande chave nessa fase é a virada de voto. Quem virar mais voto e levar o eleitor para a urna vai vencer. Nós só vamos entender o que realmente está acontecendo quando as urnas foram abertas”, afirma o sócio da Ticker Wealth.
O economista também chama a atenção para o risco de o país se desconectar das transformações globais ao se fechar em polarizações e atritos políticos estéreis. “Enquanto no mundo moderno se discute colocar internet via satélite nos celulares e nos aviões, no Brasil se discute criar planilhas para perseguir quem pensa diferente. O mundo não é a sua bolha. Se tem uma lição que eu posso compartilhar, é essa. Não existe proteger a democracia perseguindo os outros. Precisamos de tolerância para que o país possa avançar”, conclui Mendlowicz.
Crédito da imagem: Gemini

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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