55% da Geração Z deve buscar um novo emprego até o final de 2026

A ‘debandada’ no mercado de trabalho não é a única mudança visível para o final do ano
Diante de um mercado de trabalho morno, a corrida por modelos híbridos ou “100% home” tem sido um chamariz para muitos jovens. Segundo o relatório da consultoria Robert Half, divulgado durante o mês de setembro, cerca de 55% dos trabalhadores da GenZ dizem planejar a busca por um novo emprego até o final do ano.
Se de um lado os jovens da Geração Z se sentem esgotados profissionalmente pela pressão das IAs no mercado, ainda segundo a Robert Half, do outro, temas como o salário, oportunidades de crescimento, benefícios, e principalmente, a flexibilidade no ambiente de trabalho, são requisitos cada vez mais buscados por este público.
Segundo a comunicóloga, investida do Shark Tank Brasil e empresária, Cáren Cruz, a busca por modelos híbridos de trabalho, que se tornaram flexíveis às megarrotinas da GenZ, do trabalho ao lazer, são reflexos que atravessam a identidade dos jovens nativos digitais. “Uma das principais características desse público é o forte senso de identidade, e isso é traduzido desde a busca por empregos que condizem com suas convicções, até as formas de se vestir – código este que também foi transformado à medida que o mercado foi flexibilizando as rotinas de trabalho. Há sempre, implícito, quando falamos da Geração Z, uma busca por valorização da identidade”, comenta.
Do trabalho à moda: como a Geração Z tem transformado vertentes antigas
A ‘debandada do mercado de trabalho’ não é a única mudança visível para o final do ano, proposta pela geração Z. Disruptivos, a nova geração provocou transformações que vão do trabalho às rotinas de bem-estar, atravessando hábitos, consumos e até mesmo a sua identidade visual.
Um artigo publicado pela Lands’ End Outfitters, no LinkedIn, reforça as mudanças já impostas por esse novo público, principalmente quanto ao outfit corporativo. É o que ressalta a publicação “Dressing Ambition: How Gen Z Is Redefining Work Style”, que coloca esse estilo como uma das tendências que deixou de ser um código rígido por uma escolha estética dos jovens. No entanto, o debate pode ser ainda maior.
Consultora de imagem plural e CEO da Pittaco Consultoria, Cáren explica que há uma pauta pouco difundida ainda sobre a flexibilização das regras de vestimenta no ambiente de trabalho, e como os modelos “home” proporcionaram uma liberdade que não chega para todos.
“O trabalho mudou de lugar. A popularidade dos novos modelos de trabalho hoje faz um jovem querer sair de um emprego para o outro, mas a forma como as pessoas são avaliadas também mudou. Numa reunião por vídeo, por exemplo, entram nessa leitura a roupa, o cabelo, os acessórios, a postura e até o espaço da casa que aparece na câmera. Às vezes, a empresa deixa de exigir uma roupa formal, mas continua esperando que todo mundo tenha uma aparência parecida para ser visto como profissional. A regra deixa de estar escrita, só que permanece no olhar de quem avalia. E esse olhar não é neutro. Uma pessoa negra, com cabelo crespo ou com elementos da sua cultura na aparência, pode ter sua competência questionada por códigos que nunca foram pensados para incluí-la”, provoca.
Nesse cenário, a CEO lança o questionamento: o que essa empresa está chamando de aparência profissional e por quê? Segundo Cáren, há situações em que o ofício pede uma apresentação específica, o que pode ser conversado previamente. Porém o problema é transformar preferências estéticas em medida de competência.
“Trabalhar de casa ou em ‘modelo híbrido’ deveria abrir espaço para mais conforto e individualidade, sem que a pessoa precise esconder quem é para ser respeitada. E a GenZ sabe disso, e usa muito bem isso a seu favor. Quando a gente observa o todo, vemos que as transformações dessa nova galera não trata exclusivamente do trabalho, mas vem acompanhadas da sua identidade, da sua construção pessoal, da sua vivência; e influencia em diversos aspectos da sua vida, do vestir ao trabalho”, conclui Cáren.








