Al Sultan aposta em expansão estruturada para consolidar marca

Al Sultan aposta em expansão estruturada para consolidar marca

Empresa aposta em padronização, fábrica própria e gestão profissional para crescer com segurança e atrair novos investidores

O que começou em 2009 como um pequeno restaurante no centro de Ji-Paraná (RO) hoje se transforma em um projeto ambicioso de expansão nacional. A Al Sultan, rede especializada em gastronomia árabe, vem estruturando sua operação para ampliar a presença da marca por meio do modelo de franquias, combinando padronização, produção centralizada e gestão profissional como pilares para sustentar o crescimento.

Por trás dessa trajetória estão os sócios Leonardo e Shay Bettega, que construíram a empresa a partir da união de competências complementares. Enquanto Léo trouxe para o negócio o conhecimento sobre gastronomia, produto e vendas, Shay assumiu uma atuação mais direcionada à gestão e aos processos. A combinação se tornou estratégica para transformar uma operação familiar em uma marca preparada para crescer. “Sempre esteve nos planos. O projeto nasceu para ser uma rede de franquias”, afirma Shay, ao lembrar que a expansão foi pensada desde os primeiros anos da empresa.

De Rondônia para um projeto nacional

A história da Al Sultan começou quando Léo já comandava um pequeno restaurante em Ji-Paraná. Foi justamente nessa época que conheceu Shay, que havia se mudado para a cidade após ser aprovada em uma seleção regional do Bradesco. Ela trabalhava durante o dia no banco, cursava faculdade à noite e, nos finais de semana, ajudava o futuro sócio no restaurante.

A experiência profissional de Shay, antes de entrar definitivamente no setor de alimentação, foi construída principalmente nas áreas de vendas e bancária. A vivência comercial e financeira acabou se tornando um diferencial importante para a gestão da Al Sultan. “Sempre fui muito resiliente e sempre confiei nas minhas ideias. Minha trajetória foi de tentativas e erros, buscando melhorar o que eu fazia. A melhoria contínua e a resiliência são meus traços de empreendedora”, conta.

Leonardo, por sua vez, já trazia uma relação mais próxima com a gastronomia. Descendente de árabes, cresceu em contato com receitas e tradições familiares e encontrou na cozinha o caminho para transformar essa herança cultural em negócio. O cardápio tem a marca dele: os sabores, as composições – Leonardo fugiu do tradicional e fez a própria cozinha. Tem as receitas de família (árabe tradicional), mas também releituras, como os sanduíches – todos invenções dele.

A sociedade, portanto, nasceu de forma bastante natural. “Ele sabia de produto e de vendas e eu sempre fui da parte de gestão, então unimos nossas habilidades”, resume Shay.

De restaurante artesanal a operação estruturada

Shay e Leonardo Bettega.                        Foto: gui horst

A primeira unidade da Al Sultan tinha uma estrutura bastante diferente da atual. Era um restaurante pequeno em Rondônia, com produção praticamente artesanal e sem os equipamentos que hoje fazem parte de uma operação profissionalizada.

Quando o casal veio para Curitiba, abriram uma unidade no Juvevê em 2013. O crescimento começou a exigir uma estrutura maior especialmente a partir de 2014, quando os sócios investiram na primeira fábrica da empresa. No ano seguinte, em 2015, veio a segunda unidade, no bairro Água Verde.

A fábrica passou a desempenhar um papel estratégico no modelo de crescimento da marca. Mais do que uma estrutura de produção, tornou-se um dos principais instrumentos para garantir que a expansão não comprometa a experiência oferecida ao consumidor. “A fábrica é um grande pilar para a expansão, com ela garantimos o produto, que é quem traz a essência da marca. O mesmo padrão de sempre, o mesmo sabor”, explica a sócia.

Para uma rede que pretende crescer

por meio de franquias, a padronização é um dos pontos mais importantes. No Al Sultan, a produção centralizada permite controlar receitas, ingredientes e processos, reduzindo as diferenças entre unidades e dando ao franqueado uma estrutura mais previsível para operar.

Franquias como estratégia de crescimento

Desde o início, os sócios tinham a intenção de transformar o negócio em uma rede. Essa visão ganha ainda mais importância no atual momento da empresa, em que o modelo de franquias passa a ocupar papel central na estratégia de crescimento. Para o investidor, a proposta está apoiada em uma operação que já passou por diferentes fases de desenvolvimento: começou pequena, enfrentou a necessidade de profissionalização, criou uma estrutura própria de produção, abriu novas unidades e reposicionou a marca.

O resultado é uma operação que procura oferecer ao franqueado uma estrutura de suporte e padronização. “Nossa filosofia é a melhoria contínua. Isso garante que a rede cresça com estrutura. Então, tanto na operação quanto no atendimento, estamos sempre buscando melhorar os processos e a entrega para os franqueados e clientes”, destaca Leonardo.

O investimento hoje no negócio é a partir de R$ 140 mil, dependendo do tamanho da loja, com payback de 18 a 24 meses.

Um modelo que une tradição e gestão

Outro fator considerado estratégico para a expansão é a capacidade de preservar a identidade da marca mesmo com o aumento do número de unidades.

O principal produto da Al Sultan, o kebab, continua sendo o carro-chefe. A receita e a proposta gastronômica foram mantidas ao longo dos anos, enquanto a marca passou por uma modernização visual e de posicionamento.

Em 2022, Shay liderou um processo de rebranding que atualizou a identidade visual da empresa, preservando elementos reconhecidos pelos consumidores, como as cores, os produtos e o mascote.

O posicionamento também evoluiu. Se no início da operação em Curitiba a rede tinha forte atuação no delivery e unidades mais voltadas ao serviço rápido, atualmente a proposta é ocupar um espaço intermediário: o de casual food, oferecendo também uma experiência no salão.

Gastronomia árabe com identidade própria

A estratégia de crescimento não significa abrir mão da personalidade gastronômica da marca. Pelo contrário: os sócios consideram o produto um dos principais ativos da Al Sultan.

O kebab tornou-se o símbolo da marca, enquanto os sanduíches foram desenvolvidos pelos próprios sócios a partir de uma interpretação contemporânea da gastronomia árabe. A proposta é democratizar o acesso a esse tipo de culinária, aproximando a gastronomia árabe de um público mais amplo sem abandonar suas raízes.

Esse equilíbrio entre tradição e inovação também contribui para o posicionamento do Al Sultan no mercado de alimentação: uma operação que não pretende ser nem um restaurante árabe tradicional com chef renomado e cardápio oneroso, nem simplesmente uma rede de fast-food.

Crescimento com estrutura

Em um mercado em que a expansão de redes de alimentação exige cada vez mais controle de custos, padronização e eficiência operacional, a Al Sultan aposta em um modelo no qual a estrutura criada ao longo dos anos funciona como base para novos investimentos.

Para Shay, crescer não significa apenas aumentar o número de unidades, mas fazer isso de maneira organizada. A busca pela melhoria contínua está justamente no centro dessa estratégia.

O objetivo é transformar a experiência construída em mais de uma década em uma plataforma de crescimento nacional. Hoje, já são sete unidades e mais de 5 milhões de esfihas vendidas. E a ambição dos sócios é clara: “Ser a maior e melhor rede de comida árabe do Brasil”.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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