Brasileiro não quer desconto, quer resposta

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Estudo revela que informação é um dos principais pontos de atrito com o sistema financeiro

Enquanto bancos, seguradoras e financeiras disputam clientes com taxas, benefícios e ofertas, uma análise de mais de 47 mil interações reais mostra que parte relevante dos atritos está em outro ponto: a dificuldade de obter respostas, resolver problemas e concluir atendimentos. O levantamento da MakeOne, com dados processados pela Evollo, identificou padrões de comportamento em conversas entre consumidores e instituições financeiras que apontam para uma demanda crescente por informação, autonomia e resolução.

Batizado de Eva Insights, o estudo analisou interações realizadas entre junho e julho de 2026, envolvendo cerca de 11 instituições financeiras e mais de 1.300 atendentes. A partir da aplicação de modelos de inteligência artificial sobre 100% das conversas, foram identificados os principais motivos de contato, sentimentos, reclamações, sugestões e elogios.

Entre os padrões mais recorrentes, quatro pontos se destacaram:

  • Falta de retorno: solicitações simples, como segunda via de carnê ou valor para quitação, podem gerar múltiplos contatos quando não são solucionadas na primeira interação.
  • Rigidez percebida: expressões como “é o sistema que faz isso” aparecem em situações nas quais o consumidor busca alternativas para resolver questões como sinistros, prazos e agendamentos.
  • Atrito nos canais digitais: mesmo quando possuem acesso a aplicativos e canais digitais, consumidores ainda recorrem ao atendimento humano diante de dificuldades como recuperação de senha ou localização de boletos.
  • Desconfiança: com a disseminação de golpes e fraudes, consumidores demonstram maior cautela ao fornecer informações por telefone e, em alguns casos, encerram a interação por suspeitar de uma abordagem fraudulenta.

Para Eduardo Ribeiro, cofundador e Business Development da Evollo, a análise em escala permite identificar padrões que não aparecem quando as conversas são avaliadas individualmente.

“Quando analisamos milhares de interações em conjunto, conseguimos perceber que parte da insatisfação não está necessariamente relacionada ao produto ou ao preço, mas à dificuldade de obter uma resposta e concluir uma solicitação. A IA permite estruturar essas conversas, identificar padrões de comportamento e transformar sinais dispersos em inteligência capaz de orientar decisões e melhorias na operação”, afirma.

Quando o problema é resolvido, a percepção muda

A análise também identificou elogios espontâneos associados a situações em que o atendente consegue solucionar o problema, explicar o processo com clareza e demonstrar atenção ao consumidor. O contraste entre interações positivas e negativas indica que a percepção sobre o atendimento está diretamente relacionada à capacidade de resolver a demanda e dar previsibilidade ao cliente.

Entre os comportamentos valorizados nas conversas estão comunicação transparente, maior autonomia nos canais digitais, flexibilidade para lidar com prazos e datas e, principalmente, o cumprimento de retornos prometidos.

Para Adriana Próspero, diretora de Marketing e Relacionamento da MakeOne, os dados apontam para uma mudança na expectativa do consumidor que precisa ser acompanhada pelas operações.

“O consumidor financeiro está mais informado e mais exigente em relação à forma como as instituições respondem às suas demandas. Ele não quer apenas acessar um canal ou receber uma resposta automática; quer clareza, eficiência e resolução. As empresas que incorporarem essa percepção à estratégia de relacionamento terão melhores condições de fortalecer retenção e reputação”, explica a executiva.

Base da pesquisa

O estudo foi desenvolvido pela Evollo a partir da análise de mais de 47 mil interações, realizadas entre junho e julho de 2026, envolvendo cerca de 11 instituições financeiras e mais de 1.300 atendentes. A metodologia utilizou modelos de inteligência artificial para transcrever e classificar 100% das interações, identificando automaticamente sentimento, motivo do contato, reclamações, sugestões e elogios. As interações relacionadas especificamente à cobrança e negociação de dívidas foram excluídas da análise para concentrar o levantamento na percepção dos consumidores sobre produtos e serviços financeiros. Os dados utilizados são agregados e anonimizados.

Crédito da imagem: Canva   

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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