China reconhece 11 novas profissões e antecipa empregos que podem chegar ao Brasil

Lista inclui profissionais de robótica, gêmeos digitais e sustentabilidade. Especialista em carreira explica o que novas ocupações revelam sobre o futuro do trabalho
Técnico de robôs inteligentes, especialista em gêmeos digitais, analista de dados esportivos e até artesão de incenso. Essas são algumas das 11 novas profissões reconhecidas oficialmente pela China em setembro. O país também incluiu 23 novos tipos de trabalho em ocupações já existentes, entre eles desenvolvedor de agentes de inteligência artificial, piloto de drones e designer especializado em adaptar residências para idosos.
Desde 2019, a China já reconheceu 121 novas profissões. Mais do que uma atualização de nomenclaturas, o movimento ajuda a mostrar como transformações tecnológicas, econômicas e demográficas começam a criar novas demandas no mercado de trabalho.
Para Alexandre Weiler, consultor de carreira e diretor da ESIC Internacional, a lista chama atenção porque torna concretas mudanças que até pouco tempo pareciam distantes.
“Quando falamos que a inteligência artificial e a automação vão transformar o mercado de trabalho, muitas pessoas pensam apenas nas profissões que podem desaparecer. Mas existe outro movimento acontecendo ao mesmo tempo: novas tecnologias criam novas atividades, competências e, em determinado momento, novas profissões”, explica Weiler.
Um dos exemplos é o profissional especializado em robótica de inteligência incorporada, responsável por atividades relacionadas à aplicação e ao treinamento de robôs capazes de interagir fisicamente com o ambiente. A área está entre as apostas estratégicas da China para os próximos anos, dentro do avanço da chamada embodied AI, ou inteligência artificial incorporada.
A transformação não acontece apenas pela tecnologia. O envelhecimento da população chinesa, que já soma mais de 323 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, também ajuda a criar novos mercados. Entre as novas especialidades reconhecidas está a de profissionais que projetam adaptações de residências para idosos.
E no Brasil?
Para Weiler, algumas dessas nomenclaturas podem nunca chegar ao Brasil exatamente da mesma maneira, mas as competências associadas a elas tendem a aparecer cada vez mais nas empresas.
“O mais importante não é tentar adivinhar qual será o nome da profissão do futuro. É observar quais problemas essas novas profissões estão sendo criadas para resolver. Inteligência artificial, robótica, envelhecimento da população, sustentabilidade e novas formas de logística já estão transformando empresas no mundo inteiro, inclusive no Brasil”, afirma Weiler.
O movimento encontra respaldo nas projeções para o mercado brasileiro. Segundo o Future of Jobs Report, do Fórum Econômico Mundial, especialistas em inteligência artificial e machine learning e profissionais de transformação digital estão entre as funções com expectativa de crescimento no país. Quase nove em cada dez empresas brasileiras pesquisadas também pretendem investir na qualificação de seus profissionais nos próximos anos.
Para o consultor, o cenário reforça a importância de acompanhar as transformações antes que uma nova função esteja completamente estabelecida no mercado. “Muitas vezes, a profissão surge depois da necessidade. Primeiro as empresas começam a procurar pessoas que saibam executar determinada atividade; depois vêm os cursos, as especializações e até uma nomenclatura própria. Para quem está construindo uma carreira hoje, entender esse movimento pode ser tão importante quanto escolher uma profissão tradicional”, conclui Weiler.
Crédito da foto: Cleuza Rocha








