Da pesagem à embalagem, automação reduz etapas manuais na indústria de alimentos

Da pesagem à embalagem, automação reduz etapas manuais na indústria de alimentos

Integração de equipamentos permite que produtos sejam transportados, pesados e embalados em uma mesma linha, diminuindo a necessidade de manipulação ao longo do processo

Imagine uma linha de produção de cortes de frango. Depois de processado, cada produto precisa seguir para a pesagem, ser separado na quantidade determinada, colocado em uma embalagem e preparado para deixar a fábrica. Em uma operação predominantemente manual, diferentes etapas desse caminho dependem da atuação direta de trabalhadores. Com a automação, parte desse percurso pode acontecer de forma integrada, com equipamentos conduzindo o alimento da entrada na linha até a embalagem final.

Esse tipo de transformação vem mudando a configuração das plantas da indústria de alimentos. Em vez de automatizar apenas uma máquina ou uma etapa específica, fabricantes passam a desenvolver sistemas nos quais transporte, pesagem e embalagem funcionam de maneira integrada. Na prática, o produto percorre a linha com menos intervenções entre um processo e outro.

O movimento acontece em um setor que tem destinado recursos relevantes à modernização. Em 2025, a indústria brasileira de alimentos e bebidas investiu R$ 41,2 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA). Desse total, R$ 26,7 bilhões foram direcionados à inovação. No mesmo ano, o setor produziu 288 milhões de toneladas de alimentos e bebidas e reuniu cerca de 42 mil empresas no país.

Um exemplo dessa transformação está na produção de proteína animal. Depois do corte, peças como coxa e sobrecoxa de frango podem seguir automaticamente para um sistema de pesagem, que determina a quantidade necessária para cada pacote. Na sequência, o produto alimenta a embaladora e sai acondicionado de acordo com as especificações definidas pela indústria.

“Quando olhamos uma linha automatizada, não estamos falando simplesmente de substituir uma atividade manual por uma máquina. O ganho está também em integrar processos que antes aconteciam separadamente. O produto entra na linha e os equipamentos executam uma sequência de operações de acordo com os parâmetros definidos para aquela produção”, explica Lazaro Luiz Hemeque, diretor da da Usinox, empresa brasileira especializada no desenvolvimento e fabricação de equipamentos e soluções de automação para a indústria de alimentos.

A aplicação não se limita aos cortes de frango. A configuração dos equipamentos pode variar conforme as características da produção e atender diferentes tipos de cortes e alimentos, incluindo produtos temperados, linguiças e itens que utilizam embalagens com ou sem vácuo. Fora do segmento de proteína animal, a tecnologia também pode ser aplicada em indústrias de produtos como pães congelados e pães de queijo.

Integração

A mudança ajuda a explicar por que a automação industrial não deve ser entendida apenas pela presença de equipamentos mais modernos dentro das fábricas. Para que uma linha funcione de forma integrada, é necessário considerar fatores como tipo de produto, volume processado, peso de cada embalagem, velocidade da operação e características específicas da planta.

“Não existe uma única configuração que simplesmente possa ser replicada em qualquer indústria. É necessário entender o produto, o volume e o que aquela operação precisa entregar. A partir dessas informações, é desenvolvido o projeto da linha e definida a forma como os equipamentos vão trabalhar em conjunto”, afirma Lazaro.

Outro elemento desse processo é a geração de informações sobre a própria produção. Equipamentos industriais mais recentes podem registrar dados como volume produzido e tempos de operação, permitindo acompanhar o desempenho das máquinas e do processo produtivo. São recursos associados ao conceito de Indústria 4.0, no qual equipamentos deixam de executar apenas funções mecânicas e passam também a fornecer informações sobre a operação.

Na prática, isso permite que a indústria acompanhe não somente quanto está sendo produzido, mas também como os equipamentos estão se comportando ao longo da jornada. Para uma operação de grande escala, pequenas interrupções, diferenças de ritmo ou gargalos entre uma etapa e outra podem se multiplicar ao longo do dia.

Soluções

A integração também muda a maneira como projetos de automação são estruturados. Até pouco tempo, uma indústria interessada em automatizar etapas como pesagem e embalagem podia precisar adquirir equipamentos de diferentes fornecedores e posteriormente fazer a integração entre eles. Com soluções completas, transporte do produto, pesagem e embalagem podem ser pensados como partes de um mesmo projeto.

É justamente nessa frente que atua a Usinox. Com 27 anos de mercado e atuação principalmente junto a frigoríficos, a companhia é conhecida pela fabricação de embaladoras verticais e ampliou, nos últimos anos, seu portfólio com sistemas de pesagem automática. Com isso, passou a desenvolver projetos que contemplam desde a chegada do produto à linha até sua pesagem e embalagem.

A fabricação envolve uma estrutura própria de engenharia mecânica, elétrica, automação e segurança. Os projetos são desenvolvidos de acordo com as características de cada operação, considerando o produto, a capacidade da linha e as necessidades específicas da planta industrial.

“A automação precisa fazer sentido para o processo. Antes de definir equipamentos, é necessário entender onde estão as etapas manuais, como o produto circula pela fábrica e quais são as necessidades daquela produção. É essa análise que permite transformar diferentes máquinas em uma linha efetivamente integrada”, conclui Lazaro.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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