Estudo aponta que varejo perde mais da metade do fluxo de consumidores nos dias de eleição

Estudo aponta que varejo perde mais da metade do fluxo de consumidores nos dias de eleição

Nos quatro dias de votação analisados em 2018 e 2022, retrações superaram 50%

A proximidade do primeiro turno das Eleições Gerais de 2026, marcado para 4 de outubro, coloca o varejo diante de um comportamento que se repetiu nos dois últimos ciclos presidenciais: uma forte redução na circulação de visitantes justamente no dia da votação. Levantamento da Seed Digital, empresa especializada em inteligência de mercado para o varejo físico, mostra que o fluxo caiu mais de 50% nos quatro dias de primeiro e segundo turnos analisados em 2018 e 2022. Neste ano, mais de 158 milhões de eleitores estão aptos a votar, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

No primeiro turno de 2018, realizado em 7 de outubro, o fluxo de consumidores recuou 51,6% em relação ao mesmo dia do ano anterior. No segundo turno, em 28 de outubro, a queda foi de 50,5%. Quatro anos depois, em 2022, as retrações foram ainda maiores: 56,3% no primeiro turno e 53,7% no segundo, sempre na comparação anual.

Para Sidnei Raulino, CEO e fundador da Seed Digital, o histórico mostra que os dias de votação têm uma dinâmica particular para o varejo físico e devem ser considerados no planejamento das operações.

“Estamos falando de quedas superiores a 50% em todos os dias de votação analisados, independentemente das diferenças entre os dois ciclos eleitorais. É um movimento muito concentrado e que precisa ser considerado pelo varejista na organização daquele domingo. O histórico não determina o que acontecerá em 2026, mas oferece uma referência importante para decisões sobre equipes, horários e operação das lojas”, afirma Raulino.

Lojas de rua sentem mais

O levantamento também identifica diferenças entre os formatos de varejo. Nos dois ciclos analisados, as lojas de rua registraram quedas de fluxo maiores que os shopping centers nos dias de votação.

No primeiro turno de 2018, o movimento nas lojas de rua caiu 55,3%, ante retração de 51,7% nos shoppings. No segundo turno daquele ano, a diferença praticamente desapareceu: as quedas foram de 51,1% e 50,2%, respectivamente.

Em 2022, os três domingos entre o primeiro e o segundo turno também registraram retração no fluxo de consumidores, de 36,3%, 29,5% e 28,9%, respectivamente. Nos dias de votação, porém, as quedas foram significativamente maiores, superando 50% nos dois turnos.

Efeito vai além dos domingos de votação

Os dados de 2018 também mostram que a redução do fluxo não ficou restrita aos dois domingos de eleição. Naquele outubro, os domingos intermediários entre primeiro e segundo turnos registraram retrações de 30,9% e 32,2% em relação aos mesmos dias do ano anterior. Ainda assim, os dias de votação concentraram os menores volumes de tráfego do mês.

Em 2022, o comportamento se repetiu nos domingos entre as votações, com quedas de 36,3%, 29,5% e 28,9%, enquanto os dois turnos novamente apresentaram retrações superiores a 50%.

Histórico como referência para 2026

A Seed Digital ressalta que os resultados de 2018 e 2022 não têm caráter preditivo. O levantamento utiliza os dois últimos ciclos de eleições gerais como referência histórica para compreender o comportamento do fluxo no varejo físico.

“Não se trata de afirmar que o movimento cairá na mesma proporção em 2026. O que os dados mostram é que houve um padrão bastante consistente nas duas eleições anteriores. A recomendação é que o varejista conheça esse histórico, acompanhe seus próprios indicadores e esteja preparado para adequar a operação ao comportamento real do consumidor”, finaliza Raulino.

Crédito da imagem: AdobeStock

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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