Fim da escala 6×1: veja 5 mudanças no trabalho e saiba como se preparar

Fim da escala 6×1: veja 5 mudanças no trabalho e saiba como se preparar

Nova jornada prevê duas folgas semanais e redução da carga horária sem corte salarial

Com a aprovação do fim da escala 6×1 pelo Congresso Nacional, nesta quarta-feira (14), mudanças graduais na jornada de trabalho dos brasileiros deverão ocorrer nos próximos meses. A proposta prevê a redução da carga horária máxima de 44 para 40 horas semanais, com direito a dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial.

As novas regras, no entanto, não entram em vigor imediatamente. A proposta ainda precisa ser promulgada pelo Congresso, e a implementação seguirá um período de transição.

Para ajudar os trabalhadores a entender o que muda na prática, a advogada Priscila Arraes Reino, especialista em Direito do Trabalho e Previdenciário, com mais de 25 anos de experiência e autora do livro Burnout tem lei, esclarece cinco dúvidas importantes sobre a nova jornada.

1. Não deixe de trabalhar no sexto dia antes da mudança entrar em vigor

A aprovação da proposta não significa que os trabalhadores já possam deixar de cumprir a escala atual. A primeira etapa está prevista para começar 60 dias após a promulgação, quando a jornada máxima passará de 44 para 42 horas semanais, com dois dias de descanso. Após mais 12 meses, o limite será reduzido para 40 horas.

Dica prática: até que as novas regras entrem em vigor, continue cumprindo a jornada contratada. Acompanhe os comunicados da empresa e as orientações do sindicato da sua categoria. Não altere os dias de trabalho por conta própria.

2. Confira seu salário: a redução da jornada não autoriza corte na remuneração

Uma das principais garantias previstas na proposta é a manutenção salarial. Isso significa que a diminuição das horas trabalhadas não poderá ser utilizada como justificativa para reduzir o salário do empregado. A proteção também abrange os pisos salariais das categorias.

Dica prática: guarde seus contracheques e confira se a remuneração permanece correta após a implementação das novas regras. Caso identifique uma redução relacionada à mudança da jornada, procure orientação jurídica ou sindical.

3. Duas folgas não significam necessariamente sábado e domingo livres

A nova regra prevê dois dias de descanso remunerado por semana, mas isso não significa que todos os trabalhadores passarão a folgar aos sábados e domingos.

Em setores como comércio, saúde, alimentação e serviços essenciais, o trabalho aos fins de semana poderá continuar, respeitadas as exigências legais e as regras aplicáveis à categoria.

Dica prática: antes de planejar uma rotina fixa de descanso, verifique como a empresa organizará as escalas. Confira os dias de folga, os intervalos entre jornadas e as condições estabelecidas em acordos ou convenções coletivas.

4. Verifique como a empresa vai reorganizar seus horários

A redução da jornada semanal não garante automaticamente que o trabalhador sairá mais cedo todos os dias. A distribuição das horas dependerá da organização da empresa e das possibilidades previstas na legislação e nos instrumentos coletivos.

Durante a primeira etapa da transição, quando a jornada máxima será de 42 horas, poderão existir regras específicas de distribuição das horas ao longo dos dias trabalhados.

Dica prática: solicite informações claras sobre os novos horários de entrada, saída e intervalos. Mantenha o registro correto do ponto e acompanhe eventuais alterações no banco de horas ou nas condições contratuais.

5. Quem já trabalha de segunda a sexta também deve conferir sua carga horária

A mudança não beneficia exclusivamente quem trabalha seis dias por semana. Profissionais que já possuem duas folgas, mas cumprem 44 horas semanais, também deverão observar a redução gradual da jornada.

Por outro lado, quem já trabalha 40 horas semanais ou menos não terá necessariamente uma redução adicional. Um empregado com jornada de 36 horas, por exemplo, não passará automaticamente a trabalhar 32 horas.

Dica prática: consulte seu contrato e verifique quantas horas trabalha efetivamente por semana. Ter duas folgas não significa, por si só, que a jornada já esteja adequada aos novos limites.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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