Reforma tributária: quem precisa mudar a nota fiscal em outubro e quem tem até 2027?

Reforma tributária: quem precisa mudar a nota fiscal em outubro e quem tem até 2027?

Novas exigências de IBS e CBS já valem para a maioria dos prestadores de serviços fora do Simples Nacional; micro e pequenas empresas seguem calendário diferente

Minha nota fiscal precisa mudar agora? Para muitos prestadores de serviços, a resposta é sim. Desde 1º de outubro de 2026, a maioria das atividades sujeitas ao Imposto Sobre Serviços (ISS) precisa incluir na Nota Fiscal de Serviços eletrônica (NFS-e) as informações relativas ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). A exigência faz parte do cronograma da reforma tributária estabelecido pelo Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 4/2026, mas há exceções para atividades com prazo específico em dezembro e regras diferentes para empresas do Simples Nacional.

A dimensão das mudanças pode ser observada também pelo movimento de empresas em torno do regime simplificado. Segundo a Receita Federal, até 13 de outubro de 2026, foram registrados 498.177 pedidos de adesão ao Simples Nacional para 2027. Desse total, 218.081 haviam sido deferidos e 280.096, indeferidos. Embora os pedidos não representem exclusivamente prestadores de serviços, os números mostram a relevância de compreender as regras tributárias aplicáveis a cada negócio.

Para empresas enquadradas no Lucro Presumido e no Lucro Real, a adequação dos sistemas emissores e dos processos de faturamento já precisa estar no radar. Em orientação publicada em 7 de agosto de 2026, o Portal Nacional da NFS-e esclareceu que a ausência das informações de IBS e CBS não provoca a rejeição automática do documento até 31 de dezembro de 2026. Isso não significa, porém, que o preenchimento seja facultativo: quando exigíveis, a falta dessas informações caracteriza desconformidade fiscal.

“Um dos principais riscos neste momento é tratar o calendário da reforma tributária como se todas as empresas estivessem sujeitas às mesmas obrigações. É preciso identificar o regime tributário, a atividade exercida e o tipo de documento fiscal emitido para entender o que já precisa ser ajustado. A adaptação não deve ficar para o último momento”, afirma Walter Teixeira dos Santos Jr., cofundador da NTW Franquia Contábil e da Tutoreanos Franquia de Negócios.

Calendário diferente para microempresas

Para microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional, o calendário é diferente. A obrigatoriedade relacionada ao IBS e à CBS passa a produzir efeitos para esses contribuintes a partir de 1º de janeiro de 2027. Antes disso, há uma mudança operacional: desde 1º de novembro de 2026, a emissão da NFS-e deverá ocorrer pelo Emissor Nacional, conforme a Resolução CGSN nº 191/2026. O prazo, inicialmente previsto para setembro, foi prorrogado para novembro.

“A empresa do Simples Nacional também precisa se preparar, mas por uma razão diferente neste momento. Em novembro, a mudança está relacionada ao sistema de emissão das notas. A adequação aos novos tributos segue outro calendário. Separar essas duas etapas ajuda a evitar confusão e permite que cada negócio organize suas providências no prazo correto”, explica Walter.

A preparação exige mais do que atualizar o programa emissor. As empresas precisam verificar se os sistemas utilizados atendem às exigências aplicáveis, alinhar os procedimentos com a contabilidade e orientar as equipes responsáveis pelo faturamento. Também é necessário conferir se a atividade exercida está entre aquelas com prazo específico, evitando aplicar regras gerais a situações que possuem tratamento distinto.

Nesse cenário, a contabilidade tem papel importante na organização da transição, ajudando os empresários a identificar obrigações, revisar rotinas e acompanhar as atualizações normativas. A implementação da reforma tributária envolve mudanças fiscais e tecnológicas que exigem planejamento para reduzir o risco de informações incorretas ou incompletas nos documentos.

“O empresário precisa saber exatamente o que muda para a sua operação, quando a mudança começa e quais providências devem ser tomadas. O papel da contabilidade é ajudar a transformar as normas em procedimentos claros, para que a empresa não confunda flexibilização temporária com dispensa de obrigação”, conclui o executivo.

Com a implementação gradual da reforma tributária, acompanhar os prazos tornou-se parte do planejamento das empresas. Para os prestadores de serviços, entender as diferenças entre os regimes tributários e adequar os processos de emissão fiscal é fundamental para cumprir as exigências em cada etapa da transição.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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