Frete internacional dispara impactando preços no Brasil

Frete internacional dispara impactando preços no Brasil

A Associação Brasileira dos Importadores e Distribuidores de Pneus (Abidip) iniciou uma mobilização com outras entidades dos diversos setores que importam produtos do exterior para denunciar o aumento abusivo do frete internacional.

O custo médio para transporte de um container que sempre oscilou em torno de US$ 2,3 mil subiu para US$ 7,3 mil com impacto direto nos preços dos alimentos e produtos importados, ou que dependem de matéria prima do exterior para fabricação.

Segundo o presidente da Abidip, Ricardo Alípio da Costa, há indícios da formação de cartel por parte dos armadores que dominam o mercado internacional de frete. Ele explica que no início da pandemia o trânsito mundial de containers caiu vertiginosamente, derrubando os preços. “Mas a partir de julho, com a retomada das atividades na maioria dos países, toda a demanda reprimida que existia no comércio internacional precisou ser escoada, as tarifas de frete dispararam e não recuaram mais, com prenúncio de novos aumentos para 2021”.

Para Alípio da Costa, é preciso agir rápido porque a situação está ficando insustentável para muitas atividades econômicas. “Neste momento em que a cotação do dólar está bem elevada, o aumento abusivo do frete gera ainda mais preocupação, repercute direta ou indiretamente em toda a cadeia nacional de consumo ameaçando o controle inflacionário”, afirmou.

No caso específico dos pneus, mesmo os fabricados no Brasil dependem de insumos importados, como o aço. Anderson Heiderscheidt, gerente executivo da GF Pneus, associada da Abidip, lembra que toda a logística interna de insumos, alimentos, medicamentos e produtos em geral no Brasil é feita por caminhões. “O pneu é o terceiro item mais caro no custo de manutenção de um caminhão, portanto, a elevação do seu preço tem grande impacto no custo total do transporte interno de mercadorias”.

Para Humberto Gabriel Cantu, Presidente do Grupo Level, o aumento do frete internacional será facilmente perceptível pela população em geral na troca de pneus do automóvel. Segundo ele, “o jogo de pneus de um carro popular que antes girava na faixa de mil reais já subiu cerca de 30% e pode custar em breve cerca de R$ 2 mil com este aumento do frete internacional”.

A Abidip aponta três possíveis soluções para procurar conter a oscilação abusiva no frete. A primeira delas seria o governo federal formalizar denúncia na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre possível cartel entre os armadores. A outra proposta mais emergencial para compensar a disparada do frete seria a implantação imediata de uma antiga reivindicação dos importadores, para que o governo retire o valor do frete da base de cálculo do Imposto de Importação. De acordo com a Abidip esta proposta tem amparo na legislação tributária. A terceira medida que poderia evitar a escalada de preços no Brasil, segundo os dirigentes da associação, seria a redução temporária do IPI de produtos importados até que o preço do frete se normalize.

Os importadores de pneus informaram que pretendem levar essas reivindicações ao ministro da economia, Paulo Guedes. “Estamos convidando todos os dirigentes de entidades representativas de setores dependentes da importação para agendarmos uma audiência conjunta sobre esse assunto com o ministro”, finaliza.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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