A empresa não precisa fazer ninguém feliz, mas não pode causar o adoecimento

A empresa não precisa fazer ninguém feliz, mas não pode causar o adoecimento

Pesquisa nacional revela contradição entre bem-estar declarado e adoecimento real

No Brasil, 90% das pessoas se declaram felizes. Mas 29% vivem em estado constante de preocupação ou estresse e 45% relataram ter sentido preocupação intensa no dia anterior à entrevista. Os números, extraídos do Mapa da Felicidade Real do Brasil 2026, primeira pesquisa nacional a mapear a percepção de felicidade dos brasileiros sob as óticas social, econômica, comportamental, racial e de gênero, expõem uma contradição que o ambiente de trabalho ajuda a produzir e que agora passa a ter implicações legais.

Em 26 de maio de 2025, entrou em vigor a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), do Ministério do Trabalho e Emprego, que obriga empresas com funcionários CLT a identificar, avaliar e gerenciar riscos psicossociais no ambiente corporativo. A medida equipara fatores como sobrecarga, assédio, falta de autonomia e desequilíbrio entre vida pessoal e profissional a riscos físicos, químicos e biológicos já previstos na legislação  e prevê penalidades para quem descumprir.

Em 26 de maio de 2025, entrou em vigor a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), do Ministério do Trabalho e Emprego, que obriga empresas com funcionários CLT a identificar, avaliar e gerenciar riscos psicossociais no ambiente corporativo. A medida equipara fatores como sobrecarga, assédio, falta de autonomia e desequilíbrio entre vida pessoal e profissional a riscos físicos, químicos e biológicos já previstos na legislação  e prevê penalidades para quem descumprir.

O que os dados revelam

→ Sobrecarga de trabalho é o principal fator de infelicidade profissional (24%)

→ Salário insuficiente (20%) e liderança ruim (14%) completam o pódio dos ofensores

→ Flexibilidade e qualidade de vida lideram os fatores de bem-estar no trabalho (26%)

→ 45% dos brasileiros trabalham no modelo 6×1

→ Afastamentos por transtornos mentais cresceram 67% entre 2023 e 2024 (Ministério da Previdência Social)

A NR-1 e o que muda na prática

A nova regulamentação determina que riscos psicossociais passem a ser mapeados com a mesma seriedade que riscos físicos e químicos. Fatores como microgerenciamento, mensagens fora do expediente, expectativa de disponibilidade permanente e ambientes que inibem a discordância tornam-se passíveis de avaliação e fiscalização.

Para a pesquisadora da Ciência da Felicidade Renata Rivetti, a norma representa avanço estrutural, mas carrega um risco embutido: ser tratada como mais um item de compliance sem mudança real na cultura organizacional.

“A empresa não precisa fazer ninguém feliz, mas não pode continuar sendo um agente de adoecimento mental. Agora isso passa, inclusive, a gerar penalização. O risco é que muitas organizações tratem a NR-1 apenas como mais um item de compliance, sem promover mudanças reais na cultura de liderança.”, explica Renata Rivetti, pesquisadora da Ciência da Felicidade e fundadora da Reconnect Happiness at Work.

Os ofensores que ninguém denuncia

Uma das contribuições centrais da NR-1 é reconhecer legalmente o que a pesquisa de Rivetti já identificava nos dados: os danos mais prevalentes à saúde mental no trabalho raramente aparecem em denúncias formais. Eles se manifestam no cotidiano, na autonomia eliminada pelo microgerenciamento, na invasão do tempo livre pelas mensagens fora do expediente, na insegurança de ambientes onde discordar ou errar tem custo alto.

Esses “ofensores invisíveis” correspondem exatamente aos quatro pilares que a nova NR-1 coloca sob monitoramento obrigatório: sobrecarga, autonomia e controle, relações interpessoais e equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

Brasil lidera índices de burnout: o custo do silêncio

Entre 2023 e 2024, os afastamentos por transtornos mentais cresceram 67% no Brasil, segundo o Ministério da Previdência Social. O país figura entre os líderes globais em burnout e ansiedade, cenário que torna a atualização da NR-1 não apenas oportuna, mas urgente.

O Mapa da Felicidade Real do Brasil 2026 aprofunda esse diagnóstico ao mostrar que 45% dos trabalhadores brasileiros operam na escala 6×1, formato que, segundo o levantamento, compromete o convívio familiar, o descanso e o tempo livre, elementos centrais para a percepção de bem-estar.

“Organizações que constroem ambientes com mais autonomia, relações saudáveis e equilíbrio real entre vida e trabalho não apenas cumprem a legislação. Elas se tornam mais produtivas, inovadoras e capazes de reter talentos. A ciência da felicidade já demonstrou isso. Agora, a legislação brasileira começa a caminhar na mesma direção”, afirma a pesquisadora.

Sobre a pesquisa

O Mapa da Felicidade Real do Brasil 2026 é um estudo inédito conduzido por Renata Rivetti em parceria com o Instituto Ideia. Foram entrevistados mais de 1.500 brasileiros de todas as regiões do país, com margem de erro de ±2,5 pontos percentuais e intervalo de confiança de 95%. A pesquisa mapeia a percepção de felicidade sob as óticas social, econômica, comportamental, racial e de gênero.

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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