Registro de inadimplentes cai 15,9% em 2020

Os registros de inadimplentes caíram 17,3% na comparação interanual, de acordo com dados nacionais da Boa Vista, empresa que aplica inteligência analítica na transformação de informações para a tomada de decisões em concessão de crédito e negócios em geral. Tal resultado acentuou a queda observada na análise de longo prazo, medida pela variação acumulada em 12 meses, que passou de 14,7% em novembro para 15,9% em dezembro.
Segundo Flávio Calife, economista da Boa Vista, os dados são condizentes com o cenário atual no mercado de crédito, que será lembrado pelas postergações que marcaram, sobretudo, o 2º trimestre do ano passado. Já na comparação mensal dos dados dessazonalizados, houve alta de 10,1% em dezembro, sugerindo que a tendência de queda anterior pode estar próxima de um ponto de inflexão.

No mesmo sentido, o Indicador de Recuperação de Crédito do Consumidor da Boa Vista também recuou na comparação interanual, com variação de -15,3%. O que contribuiu para manter o resultado negativo na análise acumulada de 2020, com queda de 1,8% ante 2019. Já na variação mensal com dados dessazonalizados houve retração de 7,1%, mostrando a fragilidade dos consumidores em equilibrar sua situação financeira no fim do ano passado.

Por fim, a expectativa de reversão da queda da inadimplência em 2021 se sustenta devido ao fim das postergações, bem como, do programa de auxílio emergencial, que também foi determinante no combate aos impactos da pandemia e surtiu efeito, também, no mercado de crédito por meio de redução da inadimplência, algo que tem sido corroborado pelos dados do Cadastro Positivo da Boa Vista.
Ainda que a continuidade do programa de auxílios emergenciais esteja em discussão, dificilmente ele será mantido sem qualquer alteração nos valores e/ou critérios de elegibilidade, de modo que a represada inadimplência poderá começar a subir. Soma-se a isso um mercado de trabalho enfraquecido (taxa de desemprego elevada e aumento da informalidade), que mesmo com a retomada setorial da economia, sugere que o patamar atual da inadimplência não é o melhor reflexo da realidade.








