Termos de troca atingiram em fevereiro maior valor desde o boom dos preços das commodities em 2011

Termos de troca atingiram em fevereiro maior valor desde o boom dos preços das commodities em 2011

A balança comercial de fevereiro registrou um superávit de US$ 1,2 bilhões, o que compensou o déficit de US$ 986 milhões, em janeiro, levando a um superávit acumulado de US$ 166 milhões no primeiro bimestre de 2021. A variação das exportações foi de 3,9% e das importações de 13,4% na comparação interanual de fevereiro de 2020 e 2021. Os dados são do Icomex de março, divulgados nesta segunda-feira pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

Como explicar o aumento das importações num momento de desvalorização cambial e incertezas quanto ao crescimento no nível de atividade? O aumento está, em parte, associado ao efeito das plataformas de petróleo. Em termos de volume, a variação foi de 20,8% e sem as plataformas de 9,3%. Nas exportações, o aumento no valor exportado é explicado pelo variação positiva dos preços (8,9%), já que o volume recuou 4,3%. Todas as comparações consideram o período entre fevereiro de 2020 e 2021.

As commodities explicam cerca de 65% das exportações brasileiras. O aumento dos preços das commodities foi de 13,8% entre os meses de fevereiro de 2020 e 2021 e a queda de volume, de 6,2%. Quando se analisam os índices de preços de exportações das commodities brasileiras, os destaques são: minério de ferro (75%); outros minerais (43, 5%); e, complexo soja (18,5%). Os preços das não commodities cresceram nessa mesma base de comparação, mas em um percentual bem inferior, 2,1%.

O aumento nos preços das commodities, que começou no segundo semestre de 2020, levou a uma melhora nos termos de troca. Não se alcançou o pico dos preços durante o boom de 2010, mas é o maior índice desde 2011. As políticas expansionistas dos Estados Unidos e da China apontam que a tendência de alta dos preços das commodities deverá persistir durante 2021.

O desempenho em termos de volume exportado por tipo de indústria mostra queda em todos os casos, exceto a variação positiva de 1,4% na indústria de transformação, na comparação interanual do mês de fevereiro. Nas importações, todos os setores registraram aumento do volume importado. Na indústria de transformação, a variação ficou em 6,9% bem inferior aos 18,6%, se excluirmos as plataformas de petróleo.

O aumento nos volumes importados seria um indicativo de uma recuperação da economia? No caso de investimentos, os dados não são promissores. A única variação positiva foi de 1,6% para compras de máquinas do setor agrícola entre os meses de fevereiro de 2020 e 2021. Já as compras de bens intermediários sinalizam crescimento da agropecuária, com um aumento de 69,2% entre fevereiro de 2020 e 2021; mas para a indústria, o cenário é de um ritmo comparativamente mais lento.

O principal produto exportado em fevereiro foi o minério de ferro, que explicou 17,8% das exportações brasileiras e registrou um aumento de 95% na comparação interanual do mês de fevereiro de 2020 e 2021. A China comprou 61% das exportações brasileiras desse produto cujas vendas aumentaram 112% para esse mercado. Nesse cenário, a participação da China nas exportações brasileiras ficou em 30% no mês de fevereiro, seguida dos Estados Unidos com percentual de 10,5%.

A análise da variação do volume exportado em fevereiro para os principais mercados de destino mostra queda para a China e aumento para os Estados Unidos e “Demais países da América do Sul” . Observa-se que no caso da China, soja e petróleo, que além do minério de ferro são os principais produtos de exportação do Brasil e do comércio Brasil-China, recuaram em relação ao ano de 2020.

No caso da soja, os embarques começaram mais cedo no ano passado. Para os Estados Unidos, as vendas de aeronaves e produtos siderúrgicos explicam o aumento no volume exportado. Para “Demais América do Sul”, as vendas de produtos de equipamentos de transportes para o Chile são o destaque.

A retração no volume exportado para a China não deverá permanecer nos próximos meses fazendo com que a participação do país na pauta brasileira continue ao redor de 30%.

Índices de volume e preços por setores 

Os novos índices do ICOMEX de preços e volume abrangem todas as atividades da CNAE 2.0 desagregadas a 2 dígitos. A série dos índices é mensal e inicia em janeiro de 1998. Essa base de dados auxilia na avaliação do desempenho do comércio exterior do Brasil.

A alta de preços dos minerais e minerais não metálicos contribuiu para o desempenho das exportações brasileiras. Além disso, no início desse ano aumentou o volume exportado, exceto para produtos metalúrgicos. 

Já o aumento de preços exportados de produto alimentícios começou em 2020. No caso do volume, chama atenção a variação de 20,2%, entre 2019/2020, o que seria compatível com a hipótese de alguns analistas de que a desvalorização cambial estimulou as exportações e acabou por pressionar os preços domésticos. No caso das bebidas, as exportações estavam aumentando desde 2019. Os preços dos produtos importados de produtos alimentícios recuaram nos períodos e o volume cresceu.

Entre 2019/2020, o volume importado de produtos químicos recuou e o de fármacos cresceu 13%. No primeiro bimestre de 2021 em relação a 2020, foram registrados aumentos de 31,7% e de 44,4% para químicos e fármacos, respectivamente, provavelmente explicados pelas demandas associadas a Covid-19.

O volume importado na fabricação de máquinas e equipamentos, após crescimento entre 2018/2019, passou a apresentar queda e na comparação entre os dois primeiros bimestres de 2020 e 2021 recuou 33%. Trata-se de uma evidência adicional do baixo nível de investimento do país. Aparelhos de informática cresceram no primeiro bimestre; possivelmente é reflexo do uso mais acentuado de formas de comunicação virtual.

Nos setores de equipamentos de transporte, após a queda entre 2019/20, tanto as exportações como as importações registraram aumentos no primeiro bimestre do ano.
 Foto – Ivan Bueno

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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