Conta de luz de pequenos e médios negócios pode ter desconto de até 20% com geração distribuída

Conta de luz de pequenos e médios negócios pode ter desconto de até 20% com geração distribuída

Em épocas de crise e de readequação econômica devido à pandemia do coronavírus, grande parte das empresas, principalmente as de pequeno e médio porte, buscam soluções para resistir ao momento de incertezas. Uma delas, amplamente indicada por especialistas em economia, é a renegociação e revisão de serviços e fornecedores contratados. E nessa manutenção deve-se incluir os serviços essenciais como a luz elétrica. O que poucos empreendedores sabem é que uma normativa criada pela Aneel – Agência Nacional de Energia Elétrica, em 2012, regularizou a modalidade de consumo chamada geração distribuída que está em plena expansão em todo o país. Com ela, pequenos e médios negócios e comércios podem obter até 20% de desconto na fatura de energia elétrica.

Isso é possível porque a normativa permite produzir energia para consumo próprio ou consumir energia de uma geradora local, pelo mecanismo de compensação de energia elétrica. “A prática da geração distribuída permite que vários consumidores se reúnam em uma cooperativa para consumir os créditos gerados de uma usina com até 20% de desconto na fatura”, explica Wolney Pereira CEO da Gedisa Energia, empresa especializada em gestão de geração distribuída, parte do Grupo Ergon.

No caso das pequenas e médias empresas e do comércio, pode-se adquirir o benefício participando de uma cooperativa. Neste caso estão incluídas empresas como mercados, salões de beleza, postos de gasolina, panificadoras, lojas, restaurantes, entre outros.

Como funciona na prática?

Para começar, a empresa precisa ter a conta de luz em seu CNPJ ou CPF e ser consumidor categorizado como “B”. O próximo passo é se tornar um cooperado. Para isso há administradoras de cooperativas, que fazem todo o processo de ponta a ponta para reunir as empresas, conectar às geradoras e garantir os benefícios aos cooperados.

“Ao se tornar um cooperado, a empresa não tem nenhum custo ou investimento algum em estrutura física. A distribuição segue pela distribuidora local de energia de seu estado e a compensação é feita por créditos de energia entre geradora e distribuidora. A diferença fica no modelo de pagamento, que passa a ser com duas faturas de energia, sendo uma com o desconto compensatório. Porém a administradora faz todo o trabalho de coordenar a operação de energia junto às cooperativas. Visamos potencializar a rentabilidade dos geradores de energia e ajudar consumidores na diminuição de suas faturas, ajudando o pequeno negócio a utilizar os benefícios que são seus por direito”, conta Miguel Segundo, diretor técnico da Gedisa.

Usuários da geração distribuída também enxergam a redução com bons olhos. “Com o dinheiro que economizamos na fatura, podemos aplicar no próprio negócio, fazendo investimentos ou utilizando até na folha de pagamento”, conta Leia Janaina Aguiar, do setor financeiro da KF Grill, cliente da Gedisa em Curitiba.

Mas o que é de fato a Geração Distribuída?

A Geração Distribuída (GD) é a modalidade pela qual o consumidor gera toda ou parte da energia elétrica que consome e é utilizada por meio da compensação de créditos. Esta compensação serve para consumidores que usam a energia gerada para abater o seu consumo de energia elétrica. A energia da geração distribuída é válida para diversas fontes sustentáveis, como a energia solar, eólica e usinas hidroelétricas. E no caso de o consumidor não querer fazer esse tipo de investimento – que normalmente é alto – ele pode entrar para uma cooperativa de energia, que, sem qualquer investimento, pode gerar a energia que ele irá consumir.

GD impulsiona o setor de energias renováveis no Paraná

As projeções para setor de energia de Geração Distribuída (GD) são otimistas para 2021. De acordo com a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), o segmento deve gerar mais de 118 mil empregos neste ano e a projeção é que a Geração Distribuída receba cerca de R$ 17,2 bilhões em investimentos. No Paraná, a busca pela modalidade de consumo alavancou, com crescimento de 21% no último ano, de acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). Além da economia de energia, essa modalidade também estimula a economia sustentável, apoiando o surgimento de geradoras de energia renováveis independentes.

“Estamos promovendo a divulgação da Geração Distribuída, pois é um negócio vantajoso para todas as partes envolvidas. Os números altos de novas adesões à modalidade em todo o país e nos estados em que a Gedisa está presente, Paraná e Santa Catarina, têm mostrado que é um setor muito promissor. Já estamos no setor de energia há mais de 15 anos com o fornecimento de GLP e geração de energia. Com a GD, conseguimos em um ano levar para mais de 500 clientes uma nova forma de consumir energia elétrica com desconto de até 20% na conta de luz. Só de 2019 para 2020, a empresa investiu mais de R$ 2 milhões na modalidade para atingir mais negócios com os benefícios da GD”, conta Wolney Pereira.

O Paraná já possui a Geração Distribuída em 385 municípios, com 18.530 registros de pontos de produção de energia e 19.075 unidades consumidoras beneficiárias, a maior parte sendo de fonte de energia solar fotovoltaica. Os dados colocam o estado como o quinto maior em potência instalada, com 292,5 MW, atrás apenas de grandes centros, como São Paulo e Minas Gerais. O que representa 6,4% de toda geração de energia do estado.

Em todo o Brasil, o setor bateu recorde ao superar a marca de 400 mil unidades consumidoras no ano passado. Isso se aplica tanto para energia solar fotovoltaica quanto para energia hidráulica, biomassa, biogás ou eólica. São mais de 214 mil novos consumidores nos últimos 12 meses, o que representa um crescimento de 118% no período. E, desde 2012, a GD foi responsável pela atração de mais de R$ 19 bilhões em novos investimentos e gerou mais de 200 mil empregos no país.

Hoje, os consumidores residenciais estão no topo da lista de utilização da Geração Distribuída, com 68,8% do total. Depois, vêm as empresas dos setores de comércio e serviços, com 20,2%. Enquanto consumidores rurais representam 8% e indústrias têm 2,6% da modalidade. Poderes e serviços públicos completando a lista. 

Para os próximos anos, a Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD) estima um potencial de negócios de R$ 50 bilhões. Além disso, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) também prevê que o mercado de micro e minigeração deve movimentar até R$ 70 bilhões de investimento na próxima década. Ou seja, é um setor que vem ganhando cada vez mais olhares do mercado.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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