Reforma Tributária: confira os impactos para os investidores

Reforma Tributária: confira os impactos para os investidores

Na última sexta (25), o Ministério da Economia enviou ao Congresso Nacional uma proposta de reforma tributária com mudanças na cobrança do Imposto de Renda. Entre as principais mudanças, estão a taxação de lucros e dividendos, a redução da tributação sobre empresas e a ampliação da faixa de isenção das pessoas físicas.

Para os investimentos, as mudanças também são significativas. A renda passiva de dividendos e FII (Fundos de Investimento Imobiliário), atualmente isentas de IR, passam a ser tributadas, respectivamente, em 20% e em 15%.

“Esse é um ponto que gerou muita polêmica. Para as pessoas que têm fundo imobiliário como uma renda, que compram fundo para receber rendimento todo mês e estar isento de tributação, a mudança pode ser impactante por ter que passar a pagar, se a proposta for aprovada, a taxação de 15%. Os principais fundos imobiliários tiveram forte queda após o envio do texto ao Congresso, o que chamou atenção, pois o mercado de fundos imobiliários tende a ser menos volátil que a bolsa”, diz Rossano Oltramari, sócio da 051 Capital.

Nas operações day trade, a taxação cobrada diminui de 20% para 15%. Em relação à renda fixa, o resgate de R$ 1.000 em até 180 dias teria também a diminuição de tributação de 22,5% para 15%. Além disso, o texto acaba com o incentivo dado a investidores de renda fixa. Atualmente, quanto mais tempo em uma aplicação, menos imposto se paga. Com a proposta, o pagamento de impostos poderia acontecer em qualquer momento.

“Para o investidor é positivo, já que estimula aplicações de curto prazo que antes eram punidas com uma alíquota maior. Para gestores e emissores de títulos, é ruim na margem porque reduz estímulo para aplicações de longo prazo. De toda forma, o gestor, se perceber muitos resgates de curto prazo, pode optar por mudar a regulamentação do fundo e aumentar o prazo de resgate”, explica João Beck, economista e sócio da BRA.

Enquanto isso, os produtos de renda fixa como debêntures incentivadas, CRIs, CRAs, LCIs e LCAs seguem beneficiados com isenção da cobrança de impostos.

“Essa manutenção da LCI, LCA, CRIs e CRAs é positiva, mas a quantidade de recursos captados é muito menor do que em fundos imobiliários. A tributação de produtos como FII e isenção de LCI e LCA mostram que o desequilíbrio continua e só cria mais problemas na questão de captação de recursos de empresas de construção civil”, argumenta Jansen Costa, sócio da Fatorial Investimentos.

Em relação às ações na Bolsa, o texto propõe a mudança de isenção de IR de ganhos de capital de R$ 20 mil por mês para R$ 60 mil por trimestre. João Beck acredita que o impacto da proposta nas ações é negativo no curto prazo. “Se o imposto de dividendos for colocado num espectro mais amplo de reduzir a CSLL, PIS, COFINS e ISS pode ser um bom estímulo para aumentar investimentos, já que desestimula o pagamento de dividendos. Para ações de setores já consolidados sem necessidade de investimento e boas pagadoras de dividendos as ações sofrem mais”, diz.

Apesar de a proposta beneficiar a renda fixa, Beck não acredita que investidores sairão da bolsa por causa da tributação. “Acredito em outro movimento que é o da migração da poupança para renda fixa”, diz.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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