Uso do FGTS no Desenrola 2 pode custar até 104 mil empregos e 44 mil moradias populares

Uso do FGTS no Desenrola 2 pode custar até 104 mil empregos e 44 mil moradias populares

Abrainc alerta para risco estrutural do Fundo

A Associação Brasileira de Incorporadoras (Abrainc) manifesta preocupação com a proposta de liberação de recursos do FGTS para o programa Desenrola 2. Para a entidade, a utilização do Fundo para quitar dívidas de consumo ataca apenas o sintoma da inadimplência e compromete a sustentabilidade financeira das famílias a longo prazo, especialmente se não houver um programa estruturado de educação financeira acompanhando a medida.

De acordo com uma análise da Associação, é fundamental avaliar os diferentes cenários de impacto. A abertura de uma exceção para o uso do Fundo em um cenário de alto endividamento da população pode trazer um risco estrutural ao FGTS, drenando recursos que deveriam ser destinados a investimentos de longo prazo. Considerando as estimativas de saques entre R$ 4,5 bilhões e R$ 8 bilhões, o volume de retiradas pode atingir patamares elevados caso a adesão chegue ao teto permitido.

Impacto na economia

Para a Abrainc, a retirada desses recursos do sistema habitacional gera um impacto direto na economia, visto que o setor apresenta um alto efeito multiplicador. Para cada R$ 1 bilhão investido em habitação, geram-se 13 mil empregos e R$ 300 milhões em impostos. Na projeção de impacto do programa elaborada pela entidade, o Brasil pode registrar perdas severas dependendo do volume de recursos liberados:

  • Geração de empregos: entre 59 mil e 104 mil postos de trabalho (diretos e indiretos) deixariam de ser criados.
  • Moradias populares: entre 25 mil e 44 mil famílias deixariam de ter acesso a unidades habitacionais.
  • Arrecadação de impostos: o Estado deixaria de arrecadar entre R$ 1,4 bilhão e R$ 2,4 bilhões.

“Estamos trocando a reserva de uma vida, destinada à conquista da casa própria, por um pagamento imediato de dívidas que tendem a reaparecer”, afirma Luiz França, presidente da Abrainc. A entidade alerta que o uso do FGTS para este fim dificilmente resolverá o problema estrutural, visto que a grande maioria das dívidas concentra-se no cartão de crédito. “O dinheiro, por si só, não resolve o problema. Utilizar o Fundo, que é um ativo de longo prazo, para quitar juros rotativos de curto prazo é um paliativo que já se mostrou ineficaz em ciclos anteriores, sem alterar a solvência futura do trabalhador”, reforça França.

A Abrainc ressalta ainda que, nos últimos nove anos, mais de R$ 140 bilhões foram drenados do Fundo para fins de consumo e quitação de dívidas de curto prazo. Para a Associação, preservar o saldo para a finalidade habitacional é a forma mais eficiente de garantir o crescimento sustentável, a redução do déficit habitacional e a segurança patrimonial do trabalhador.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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