Empresas estão mais abertas á  negociação salarial

Das 290 negociações salariais registradas no primeiro semestre de 2010, pelo Sistema de Acompanhamento de Salários (SAS) mantido pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), 97% conquistaram reajustes salariais iguais ou acima da inflação medida pelo INPC-IBGE, acumulada desde o último aumento. Trata-se de um desempenho melhor que o obtido pelas mesmas 290 unidades de negociação nos anos de 2008 e 2009, quando o percentual de negociações com reajustes iguais ou superiores ao índice foi, respectivamente, 87% e 93%.

A melhora no resultado dos reajustes em 2010 frente ao observado nos dois anos anteriores é um indicativo do bom momento por que passa a negociação coletiva brasileira, em sintonia com a evolução dos indicadores econômicos do país. A proporção dos aumentos reais em percentuais próximos do índice inflacionário continua elevada. 63% dos reajustes em 2010 resultaram em ganhos reais de até 2% acima da inflação. በpequena a diferença em relação aos dois anos anteriores: 65% dos reajustes de 2008 e 64% dos reajustes de 2009 obtiveram aumentos reais equivalentes. Ainda assim, nota-se que em 2010 houve um sensível crescimento no número de negociações com aumentos reais acima desse patamar, pois 25% dos reajustes analisados resultaram em aumentos reais superiores a 2%. Em 2008, o percentual de negociações acima dessa faixa de ganho totalizava 11% e em 2009, 12%. Quanto aos aumentos reais acima de 3%, em 2010 representaram 12% do painel. Em 2008, 4% e em 2009, 5%. Vale ressaltar ainda que o número de reajustes acima de 5% do INPC-IBGE mais que triplicou entre 2009 e 2010, passando de 5 para 16 negociações.

A maior incidência de reajustes iguais ou acima do INPC-IBGE no primeiro semestre de 2010 resulta, consequentemente, na menor ocorrência de reajustes insuficientes para repor o poder de compra dos salários entre os três anos analisados. De fato, apenas 3% dos reajustes salariais em 2010 – frente aos 13% de 2008 e aos 7% de 2009 – ficaram abaixo da inflação. Além disso, os reajustes menores que a inflação se concentraram na faixa de até 1% abaixo do INPC-IBGE. Em 2008 e 2009 houve reajustes com perdas maiores.

Nos três setores econômicos analisados – indústria, comércio e serviços – a proporção de negociações com aumento real cresceu em 2010, quando comparado com os dois anos anteriores. A maior proporção de negociações (88%) com reajustes superiores ao INPC acumulado entre as duas últimas datas-base, este ano, foi apurada na indústria, contra 77%, em 2009 e 83%, em 2008. Quase a totalidade (97%) das negociações realizadas no comércio superou a inflação em 2010, enquanto nos dois últimos anos o percentual foi de 84%. O setor serviços tradicionalmente registra os menores percentuais de categorias com reajuste superior ao INPC, mas mostra um crescimento das negociações com resultado positivo ao longo do peíodo analisado: 65%, em 2008; 74%, em 2009 e 85%, em 2010.

Soma

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