90% dos brasileiros admitem ter necessidade de educação financeira

90% dos brasileiros admitem ter necessidade de educação financeira

Anotar todas as despesas do mês, comparar com a renda fixa e identificar possíveis cortes e economias são hábitos que ganharam força durante a pandemia da Covid-19. Com as incertezas frente ao desemprego, aumento do dólar e os altos preços dos produtos no supermercado, a educação financeira se tornou ainda mais necessária.

Uma pesquisa realizada no início deste ano apontou que 47% dos entrevistados passaram a fazer planos para o futuro por causa da crise e 90% admitiram ter a necessidade de uma educação financeira. O estudo foi feito pelo Instituto Locomotiva, em parceria com a Xpeed, braço de educação financeira da XP e apontou uma mudança no comportamento do brasileiro.

A consultora financeira pessoal Nathália Fernandes explica que muitas pessoas acreditam que a consultoria financeira não é apenas para quem tem muito dinheiro. “isso não é verdade. Conseguimos trabalhar com qualquer regime de trabalho e em todas as etapas da vida”, afirma.

Segundo ela, com a pandemia, o planejamento financeiro se tornou ainda mais importante para gerenciar esse momento de crise, já que a ferramenta eleva o nível de conhecimento e de educação financeira das pessoas. “Com conhecimento, a pessoa conquista consciência, toma melhores decisões e obtém melhores resultados que afetam toda a sua vida, não apenas na esfera financeira. Então, desenvolver a consciência financeira é de grande valor, especialmente em momentos de instabilidade e em que precisamos rever nossos hábitos e fazer diferente para termos resultados diferentes”, completa.

Conhecimento

A pesquisa apontou ainda que 63% dos entrevistados afirmaram ter apenas conhecimento básico sobre educação financeira. Esse era o caso da psicóloga Mariana Ortiz, que procurou ajuda para planejar a aposentadoria trabalhando como autônoma. “Eu resolvi procurar a consultoria financeira porque tinha alguns planejamentos em aberto, como a aposentadoria. Vinha organizando sozinha, mas me sentia um pouco perdida. Então, busquei ajuda para saber se estava no caminho certo, até porque sou muito leiga no assunto e estava me sentindo insegura”, diz Mariana.

As dúvidas sobre a previdência privada também motivaram a médica veterinária Katiane Iribarrem a buscar ajuda. “Com a avaliação da consultora financeira, eu entendi que o que eu tinha antes não era uma previdência privada, e sim um seguro de vida. Algo completamente diferente, mas que eu não sabia. E hoje eu tenho as duas coisas por praticamente o mesmo valor. Foi essencial ter alguém com conhecimento me aconselhando e fazendo os orçamentos para que eu pudesse alcançar meu objetivo da forma mais certeira possível”, afirma.

Por falta de conhecimento, muitos ainda têm a visão de que um planejamento financeiro é algo muito difícil de ser realizado, como era o caso da fotógrafa Daniele Antunes, que imaginava esse processo como algo inalcançável e cheio de termos técnicos, mas hoje entende que é muito simples e palpável. “A consultoria financeira tem me ajudado a ter uma visão mais ampla do meu faturamento, podendo me planejar melhor a longo prazo. Antes, minha vida financeira era uma bagunça, misturando a parte pessoal com a empresarial”, afirma.

Quem auxilia nesse processo é o planejador financeiro, responsável por traduzir a matemática para o seu cliente: quanto gastar, quanto investir, onde economizar, qual a melhor forma de comprar, como combinar diferentes objetivos em horizontes de tempo distintos. “O processo de ganhar, investir e gastar dinheiro pode parecer algo simples, mas não é. Isso porque o dinheiro mexe muito com as emoções das pessoas. E nesse processo, o planejamento financeiro é muito mais sobre pessoas do que sobre números. O consultor financeiro vai utilizar toda sua bagagem técnica para levar o cliente a realizações emocionais. O dinheiro é objetivo e quantificável, mas os projetos e sonhos do cliente são subjetivos”, explica Nathália.

Com o auxílio de um especialista, Mariana conta que conseguiu se organizar e ter mais segurança sobre investimentos. “A consultora organizou bem as minhas finanças, mostrou o que eu podia mudar na minha rotina para melhorar as economias. Como eu sou autônoma e não tenho salário fixo, ela me ajudou bastante nesse ponto. Eu me senti bem mais segura e organizada”, afirma.

Dicas para começar

O primeiro passo para um planejamento financeiro consolidado é rever a vida financeira para começar a se organizar. Nathália aponta cinco dicas fundamentais para alcançar esse objetivo:

Mapeie seus gastos: Quanto e onde você está gastando? Qual é o seu ponto cego? Monitore e identifique para onde estão indo os seus gastos. Isso ajuda a gastar menos por impulso.

Diminua as despesas

Organize seu orçamento mensal para não exceder 50% em gastos essenciais (moradia, alimentação, saúde, etc) e 30% em gastos pessoais (ou “vontades”, como lazer, viagem, cinema). Dessa forma, você conseguirá poupar 20% da sua renda.

Viva abaixo do que ganha

Não gaste toda sua renda e invista, pelo menos, 20% do que ganha mensalmente. Se ainda não for possível, comece aos poucos, até chegar a esse patamar. Quem vive abaixo dos seus meios são pessoas realistas e que sempre possuem dinheiro investido.

Possua uma reserva de emergência

Ter essa reserva vai te trazer paz financeira. Esse fundo é exclusivo para cobrir eventos inesperados, como reparos em casa, doenças ou perda de emprego. Se você ainda não tem, comece ontem a poupar para formar sua reserva.

Defina metas intermediárias

Trace metas pequenas para visualizar o seu avanço e ganhar motivação. Detalhe seu planejamento, entendendo o que esperar e quais as metas parciais. Sem isso, você pode ficar com a impressão de que o plano não está dando certo.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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