Para Ademi-PR reforma tributária vai punir pequenas e médias empresas do mercado imobiliário

Para Ademi-PR reforma tributária vai punir pequenas e médias empresas do mercado imobiliário

A Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi-PR) divulgou carta aberta que explica os motivos do seu posicionamento contrário à atual proposta de reforma tributária que tramita da Câmara.

“A construção civil está entre os três setores da economia que mais gera emprego e renda no país. Dessa forma, pode ser uma excelente aliada do poder público para acelerar a retomada da economia pós-pandemia”, destaca o presidente da Ademi-PR, Leonardo Pissetti.

Aliás, o setor fechou o primeiro semestre do ano com um saldo positivo de 178 mil novos empregos com carteira assinada. Ou seja: um acréscimo de 7,86% no número de trabalhadores, conforme dados do Cadastro Geral de Empegados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Previdência.

No entanto, o ritmo observado no primeiro bimestre do ano foi reduzido em quase 50%. Segundo Pissetti, isso quer dizer que o setor poderia estar num ritmo mais forte de atividades.

Cenário de escassez de matéria-prima

O comunicado da entidade, que representa as empresas do mercado imobiliário no Paraná, ressalta que o setor vive um cenário de escassez de matérias-primas e de alta dos preços dos insumos, com correção superior a 30%, muito acima da inflação, o que têm impedido um avanço mais consistente, há quatro trimestres consecutivos.

“O setor teme ser ainda mais penalizado com a atual proposta de reforma tributária”, comenta Pissetti.

Pequenas e médias empresas

 A carta aberta da Ademi-PR lembra que a lógica do PL 2337/2021 é reduzir a carga tributária sobre a pessoa jurídica, tributando os dividendos distribuídos mantendo, em tese, no mínimo a neutralidade na carga total. Essa iniciativa é apoiada pelo setor.

Porém, o presidente da Ademi-PR argumenta que a leitura do texto atual sobre a reforma tributária, mesmo com os ajustes propostos, resultará na elevação de encargos das empresas menores.

Isso porque, a longo do tempo, as pequenas e médias empresas foram induzidas a optar por regimes simplificados, como lucro presumido e outros com base na receita, não no resultado, o que desburocratizou as operações e aumentou a formalidade.

Entretanto, estas empresas tiveram pequena redução na tributação da Pessoa Jurídica, ou, às vezes, nem tiveram. Em resumo, não houve redução significativa do IRPJ e passaram a ser tributadas na distribuição de dividendos, imposto que não existia desde a década de 90.

“O entendimento da Ademi-PR é que o projeto da reforma tributária resolveu tributar mais os sócios de empresas menores, ou seja, aqueles que trabalham no dia a dia, em vez do investidor de uma grande empresa ou de mercado de capitais”, opina Pissetti.

Para referência, 40% do mercado imobiliário pertence às pequenas empresas, outros 35% às médias empresas e somente 25 % pertencem às maiores. Além disso, o presidente da Ademi-PR alerta que a intenção de vedar a opção pelo lucro presumido a empresas que possuem receita de locação e compra e venda de imóveis, obrigando-as à tributação pelo lucro real, acarretará sérios prejuízos ao setor.

Tal dispositivo, somado à aprovação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), levaria a tributação para 54% (32,5% de IR/CSLL, 12% de CBS e 20% de IR sobre lucros).

“Dessa forma, inviabilizaria a atividade empresarial em investimento de imóveis para renda e loteamentos. Além disso, as empresas de menor porte não suportariam um aumento de carta desta magnitude e de forma tão repentina”, reforça Pissetti.

Posicionamento da Ademi-PR

Assim, a Ademi-PR considera socialmente injusto o que está sendo proposto no projeto de reforma tributária. “Acreditamos que se deve discuti-lo melhor e que as alíquotas precisam ser mais bem calibradas. Assim, atenderá seu principal objetivo, que é tributar as maiores fortunas, mas não como está, reduzindo destes e aumentando dos menores”, argumenta o presidente da entidade, Leonardo Pissetti.

Alternativamente, a entidade setorial solicita que a Câmara acolha a emenda do Deputado Jerônimo Goergen (PP-RS), que reduz a tributação dos dividendos distribuídos por empresas do lucro presumido, a fim de minimizar os prejuízos trazidos pelo projeto de lei.

O presidente da Ademi-PR também reforça que a entidade está à disposição para debater tais pontos da proposta de reforma tributária, que são vitais no modelo de negócios de setores essenciais para a geração de empregos.

“Assim, será possível conciliar a demanda das empresas do mercado imobiliário e do poder público, da melhor forma possível. O país precisa de confiança no futuro para gerar empregos, em vez de incertezas, pois, estas afastam o investimento”, destaca Pissetti.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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