Copom decide nova taxa Selic esta semana

O Comitê de Política Monetária do Banco Central decide, esta semana, a nova taxa de juros Selic. Na última semana, Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, afirmou que a Selic pode subir para “onde precisar” para controlar a inflação.
A dúvida é se o aumento será de 1 ponto já sinalizado ou de 1,25 ponto. Os economistas elevaram a previsão para o IPCA pela 24.ª semana seguida, de alta de 8,00% para 8,35%, conforme o Relatório de Mercado Focus, divulgado nesta segunda-feira (20). Há um mês, a estimativa era de inflação de 7,11% no fim do ano. Segundo o relatório Focus, as previsões para a Selic passaram de 8,00% para 8,25% ao ano.
Alta pode chegar a 1,25 ponto
“O mercado começou a precificar uma alta de 1,25 ponto percentual, principalmente depois do último dado do IPCA bem acima do esperado. Depois de declarações recentes em um evento corporativo, mercado convergiu de volta para uma alta de 1 ponto. O ‘dado de alta frequência’ a que o presidente do BC se referiu foi o IPCA de agosto, que veio bem acima do esperado. Assim, Campos Neto passa a mensagem de que não vai colocar tanto peso nesse indicador”, diz João Beck, economista e sócio da BRA.
Segundo o economista, a declaração é necessária para resgatar a confiança do mercado e dos investidores: “O objetivo do Banco Central é esse, de buscar a meta. É também uma sinalização ao governo que precisa contribuir na sua parte para não criar mais situações inseguras para o investidor resultando na alta do dólar e pressionando a inflação”, comenta.
Influência nos juros prefixados
Para Jansen Costa, sócio fundador da Fatorial Investimentos, a alta da Selic tem influenciado na elevação dos juros nos prefixados, que tem possibilitado maior rentabilidade no curto prazo. “Essa elevação também tem aumentado taxas percentuais do CDI dos pós-fixados. Isso abre espaço para clientes aplicarem na renda fixa com medo de alocar em risco na renda variável”, afirma.
Segundo ele, o Banco Central irá continuar usando a política econômica por meio do aumento de juros para conter a inflação. “Isso é negativo, já que o Brasil teria capacidade de crescer mais no ano que vem, mas é necessário. Outros países fizeram também. Quando tivermos menor pressão sobre preços dos insumos, teremos um maior controle da inflação e uma volta aos poucos da normalidade”, diz.
Para Beck, as pressões inflacionárias foram muito além do esperado, principalmente comparando com o resto do mundo: “Já era esperada uma inflação residual conforme a vacinação e a atividade fossem acelerando. O problema é que o Brasil passou por uma crise hídrica, geadas históricas e de quebra uma crise institucional no governo que deixa o congresso inoperante”.








