Bolsa cai mais de 3%. Momento é de cautela e não de desespero

O índice Bovespa está operando nesta segunda-feira (20) com queda de mais de 3%. Às 14h30, o Ibovespa, que é o mais importante indicador do desempenho médio das cotações das ações negociadas na B3, apresentava queda de 3,25%, somando 107.812 pontos. Para o gerente de Research da Ativa Investimentos, Pedro Serra, “estamos numa tempestade perfeita e que chegou sem nenhuma capacidade de previsão. Tínhamos como risco: a questão hidrológica, um tapering (retirada de estímulos dos BCs no mundo) mais acelerado e que a recuperação de resultados das empresas pudesse nos frustrar… e nada disso ainda ocorreu”.
Segundo Serra, o que temos agora é uma China aumentando muito a pressão regulatória e mais notícias das dificuldades da maior incorporadora chinesa, a Evergrande, que impactaram as commodities. “Uma ‘bomba’ nas expectativas da Faria Lima detonada pelos ruídos de Brasília, que acabou com os últimos otimistas em relação à possibilidade de reformas no curto prazo (pelo menos antes do período eleitoral). Tem também a questão fiscal que já não se discute entre os investidores se pode melhorar, e sim, até onde deve piorar, além de uma especulação (visto que o Fed se encontra em período de silêncio) de que o tapering do Fed pode ser mais forte”, explica.
O gerente de Research da Ativa Investimentos alerta que o maior vilão é o tempo, pois as empresas (principalmente as domésticas), ao contrário do que se pensa, estão entregando bons resultados e até surpreendendo. “Vemos que no curto prazo ainda será difícil, mas os valores de vários ativos de qualidade estão muito baratos e nos preocupa os investidores Pessoa Física de, mais uma vez, fazerem o que têm a fama de fazer, que é vender na baixa e comprar na alta”, destaca
Serra chama a atenção para a entrega dos resultados do 3º trimestre de 2021 das empresas, que deve começar na segunda quinzena de outubro. “Portanto, achamos prudente, se o investidor estiver carregando boas empresas, aguardar este período”.
Quanto às commodities, o gerente da Ativa Investimentos considera muito difícil de prever, mas quando se coloca o NEUTRO em Vale, já se vê uma visão de acomodação. “Mesmo assim, não esperávamos uma queda tão acentuada do minério. No caso de Vale, pelo menos os dividendos ajudam. Entendemos que enquanto durar essas questões da China (regulação; Evergrande; impactos do Covid), não acreditamos que as commodities tenham um momento muito bom, salvo apenas pelo dólar.
Outro grupo que Serra julga complicado de carregar são as estatais. “Nossa preferência segue pelas empresas que não dependem da boa vontade de Brasília nesse momento”.
Concluindo, Serra diz que o momento é de cautela, mas também da necessidade de sangue frio. “Se estiver com bons investimentos (boas empresas, bons fundos, entre outros), a variável tempo, além de estômago, é o principal desafio”.








