Preços do frete não acompanham alta do diesel

Preços do frete não acompanham alta do diesel
O valor do frete no Brasil continua não acompanhando os sucessivos aumentos no preço do óleo diesel S500, segundo o Índice FreteBras do Preço do Frete (IFPF). Entre agosto de 2020 e agosto de 2021, o custo do transporte por quilômetro rodado por eixo teve um aumento de apenas 1,58%, enquanto o preço do diesel, no mesmo período, subiu 37,25%.

Os dados do IFPF mostram que o valor médio do frete por quilômetro por eixo no Brasil é de R﹩ 0,98. A região Norte apresentou o quilômetro por eixo mais caro em agosto (R﹩ 1,04), seguida pelo Nordeste (R﹩ 0,99) e Centro-Oeste (R﹩ 0,98). Os fretes mais baratos foram registrados no Sul e Sudeste, ambos com R﹩ 0,97.

Na comparação entre julho e agosto de 2021, a maior alta do preço do frete foi registrada no Centro-Oeste, que alcançou 1,95%. “Isso aconteceu muito em função da crise hídrica que acarretou a paralisação da hidrovia Tietê-Paraná e também o declínio das estimativas da produção nos estados da região. Assim, para o transporte de grãos do percurso Centro-Oeste até Sudeste, os produtores tiveram que usar como alternativa o modal rodoviário, que é dois terços mais caro que o hidroviário”, analisa o Diretor de Operações da FreteBras, Bruno Hacad.

A região Nordeste registrou a maior queda no período, já que entre julho e agosto o valor do transporte rodoviário por quilômetro rodado ficou 3,27% mais barato. Houve um aumento de quase 6% de veículos registrados na plataforma na região, ajudando a puxar para baixo o valor do frete.

Variações anuais são influenciadas pela pandemia

Entre agosto de 2020 e agosto de 2021, o maior aumento no preço do frete foi na região Sul do país (+2,07%). Neste período, a maior demanda por caminhoneiros para o escoamento da produção de grãos na região, que foi 6,5% maior segundo  a Companhia Nacional de Abastecimento, gerou um impacto ligeiramente positivo no preço do frete.

Já a maior queda foi registrada no Norte (-4,84%). “Em agosto, tivemos em nossa plataforma 43% mais caminhoneiros disponíveis do que fretes na região Norte e isso fez com que o mercado pagasse mais barato para realizar os transportes “, declara Hacad.

Neste período, as variações do preço do diesel nas bombas foram altas. A média nacional foi 37,25% maior do que em agosto do ano passado, sendo que a região Norte teve a menor variação com 35,39% e a Nordeste obteve a maior, com 38,22%.

O IFPF, que foi lançado em fevereiro, permite uma visão além da regional, com um olhar localizado para os Estados brasileiros. O Alagoas registrou a maior alta no preço do frete (+13,02%), de agosto de 2020 para agosto de 2021, impactado por uma alta de 87% no volume de fretes cadastrados na FreteBras. O Piauí também teve um aumento considerável de 11,53% no preço do frete, puxado pelo aumento de área plantada em 8%, o que gerou uma maior produção de grãos (milho e soja) em cerca de 10%.

Apesar do aumento no preço do frete, ambos os Estados tiveram uma variação de mais de 40% do preço do diesel no período comparado, sendo que Alagoas chegou a quase 43% de aumento.

Sobre os estados com maiores quedas no preço do frete, o Rio Grande do Norte e Ceará, em comparação com agosto de 2020, fecharam com -16,88% e -7,95%, respectivamente, enquanto o preço do diesel nestes Estados aumentou em cerca de 39,38% no mesmo período.

Maranhão e Distrito Federal registram variação mensal positiva

O estudo da FreteBras demonstrou que os maiores aumentos no valor do frete, entre julho e agosto de 2021, foram constatados no Maranhão (+6,92%) e Distrito Federal (+6,34%). A maior demanda pelo transporte de cargas nessas localidades, aliada com um número menor de caminhoneiros disponíveis, puxou o preço do frete para cima. Já a maior queda ocorreu no Rio Grande do Norte, onde o frete ficou 15,20% mais barato no período. O Ceará também teve destaque entre as quedas nos valores (-6,63%).

Em agosto, o frete mais caro foi registrado no Estado do Amapá, com R﹩ 1,19 por quilômetro rodado por eixo, seguido por Tocantins (R﹩ 1,04) e Espírito Santo (R﹩ 1,02). Já os mais baixos foram observados no Ceará (R﹩ 0,92) e Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, todos com R﹩ 0,93 por km rodado por eixo.

“Depois de lançar o índice FreteBras do Preço do Frete, confirmamos que o preço médio do frete não acompanha a alta dos custos do diesel, mas também entendemos que o poder de negociar está nas mãos dos caminhoneiros. Por isso, lançamos o programa CalculaFrete, que tem como carro chefe a Calculadora de Custos. O objetivo é apoiar esses profissionais na gestão dos custos do transporte. É uma forma de empoderar ainda mais os motoristas e ajudá-los a organizar melhor seus gastos para conseguir manter o lucro das viagens”, explica o executivo da FreteBras.

Fretes do agronegócio são os mais caros entre os grandes setores

O índice da FreteBras constatou que os fretes do setor do agronegócio foram os mais altos registrados em agosto de 2021, sendo fixados em R﹩ 1,02 por km rodado por eixo. Em segundo lugar, os fretes de produtos industrializados chegaram ao valor médio de R﹩ 0,97. A terceira posição é ocupada pelos fretes de insumos para construção, que ficaram em R﹩ 0,96 por km rodado por eixo.

Na variação anual, os fretes para insumos da construção ficaram 1,97% mais caros, um reflexo do aumento da confiança e do crescimento do setor no país (alta de 4,8% no faturamento deflacionado, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção – Abramat).

Já os fretes de produtos industrializados aumentaram apenas 1% em comparação com agosto de 2020. No caso do agro, apesar de serem os mais caros registrados no período, os fretes do setor ficaram 0,27% mais baratos.

Quando comparados os dados de julho a agosto de 2021, novamente o agronegócio ficou em destaque, com aumento de 3,26%. Os valores dos fretes de insumos para a construção caíram 0,36% no período e de produtos industrializados, 1,89%, impulsionados por uma queda na produção industrial brasileira de 0,7% no mês de agosto, segundo o IBGE.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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