Brasil pode usar as finanças para transformar seu sistema alimentar

Brasil pode usar as finanças para transformar seu sistema alimentar

Blended Finance Taskforce, com o apoio da Systemiq e Partnerships for Forests (uma iniciativa financiada pelo governo do Reino Unido) lançou nesta sexta-feira (22) o relatório “Acelerando o financiamento para uma agricultura sustentável no Brasil”, em um evento virtual com as importantes lideranças de diversos segmentos do Brasil.

O relatório demonstra como o Brasil pode usar as finanças para transformar seu sistema alimentar, em um cenário que seja positivo tanto para as pessoas quanto para o planeta, ajudando a impulsionar o crescimento econômico, a geração de empregos e, ao mesmo tempo, promovendo a opção de alimentos mais saudáveis, melhorando qualidade de vida das pessoas, protegendo a natureza e respeitando os compromissos climáticos.

Atualmente, o Brasil é o quarto maior produtor mundial de alimentos, porém o sucesso do setor agrícola possui um custo de US$ 300 bilhões a cada ano. Esses custos são resultados de um sistema em que produtores, investidores, comerciantes e o setores público e privado otimizam os recursos individualmente em vez de coletivamente, causando impactos ambientais que por consequência prejudicam a saúde pública e potencializam a pobreza nas regiões rurais.

“Conforme os setores financeiros e corporativos no Brasil adotam estratégias de negócios mais sustentáveis e se comprometem com as emissões líquidas zero, o país ganha potencial para ser um líder global na produção de alimentos positivos para a natureza. Como grande produtor, alimentando 10% da população mundial, o Brasil pode construir uma nova economia verde que seja boa para nossa sociedade, protegendo nossa rica biodiversidade”, afirma Pedro Guimarães, Sócio e Head da SYSTEMIQ na América Latina.

As finanças são uma parte crítica da transição no Brasil que deve mobilizar US$ 21 bilhões por ano em modelos de negócios regenerativos anualmente em 2030. O relatório em questão demonstra oito modelos de negócios positivos para a natureza na fronteira florestal, com foco em iniciativas que resultem em valor a partir de florestas em pé, intensificação sustentável e restauração florestal.

O retorno sobre o dimensionamento desses novos negócios é três vezes superior a necessidade de investimento e pode gerar 8 milhões de novos empregos até 2030. Este relatório identifica as barreiras para transição que produtores, investidores e governos enfrentam atualmente, destacando soluções necessárias para superá-las.

O estudo também define ações prioritárias para as principais partes interessadas em todo o sistema alimentar brasileiro – delineando as mudanças sistêmicas necessárias para desbloquear o capital e transformar o sistema atual no país. Nenhum setor pode cumprir esta agenda sozinho, sendo necessária a coordenação e complementariedade entre vários interessados.

“O Brasil pode mudar o paradigma do financiamento de alimentos, criando US$ 70 bilhões em novas oportunidades de investimentos a cada ano enquanto enfrenta os principais custos ocultos do sistema. O país já está na vanguarda da inovação, trabalhando para dimensionar modelos de negócios regenerativos e desenvolvendo produtos e soluções financeiras vinculadas à sustentabilidade. Com base nas recomendações do relatório “Better Food, Better Brazil”, o país pode acelerar essa inovação, tornando-se o modelo global de como financiar a transição para uma economia positiva para a natureza”, afirma Katherine Stodulka, Diretora The Blended Finance Taskforce e Diretora de Finanças Sustentáveis na SYSTEMIQ.

“Precisamos minimizar e redirecionar o financiamento de práticas agrícolas prejudiciais ao meio ambiente, escalonando e acelerando em formatos que são positivas para a natureza. Os investidores e outras representantes do setor financeiro precisam reavaliar os retornos de curto prazo e trabalhar com fornecedores de capital catalítico para reduzir o risco e a incerteza em torno de novos modelos de negócios regenerativos. Também é necessária a complementariedade entre o setor público com os investimentos do setor privado, fortalecendo o ambiente atual, garantindo que a regulamentação ambiental seja devidamente aplicada e empregando capital público para ajudar a agregar projetos e incentivar práticas mais sustentáveis ”, afirma Rodrigo Quintana, gerente da Systemiq Brasil e América Latina.

“Precisamos fazer a transição de nosso sistema alimentar atual. Como ator-chave no sistema alimentar global, o Brasil pode ser um catalisador desta transformação. O relatório ‘Better Food, Better Brazil‘ – com suas recomendações específicas – é um grande exemplo de como a estrutura indicada no relatório “Growing Better” da FOLU pode ser adaptada para o nível nacional”, disse Morgan Gillespy, Diretor da Food and Land Use Coalition e Secretario de finanças da UN Food Systems Summit.

“A Partnerships for Forests (P4F) apoia oportunidades de negócios e modelos de investimento nos quais o setor privado, público e as comunidades locais podem obter maiores retornos, preservando ou restaurando florestas. No Brasil, nosso trabalho é focado especialmente nas cadeias de valor agrícolas, que são os principais motores do desmatamento. Nossa experiência mostra que a ação colaborativa e parcerias fortes são essenciais para catalisar investimentos nesses modelos. Este relatório mostra alguns dos arranjos de sucesso que têm sido apoiados pela P4F no país, fortalecendo o potencial de escalonamento e replicação desses modelos”, afirma Felipe Faria, Gerente Regional para a América Latina da Partnerships for Forests.

“Produzir alimentos e conservar a natureza de forma harmônica é sem dúvida um dos maiores desafios deste novo século.  A Systemiq Brasil em parceria com a Blended Finance Taskforce e Partnerships for Forests trazem luz e caminhos financeiros para que esse processo seja acelerado e evolua de forma virtuosa nos próximos anos”.  Afirma André Guimarães, Diretor executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazonia (Ipam).

João Pacífico, CEO da Fundação Gaia, afirma que “este relatório não é apenas educacional, demonstra também as ações específicas exigidas de financiadores para superar as barreiras existentes para escalar modelos de negócios positivos para a natureza.”

A agricultura e os sistemas alimentares são essenciais para a ação climática global. O Brasil tem a oportunidade de estar na vanguarda da transformação global para um sistema alimentar regenerativo, adaptativo e resiliente ao clima.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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