Inflação na indústria desacelera para 0,40% em setembro

Inflação na indústria desacelera para 0,40% em setembro

Os preços da indústria subiram 0,40% em setembro na comparação com o mês anterior. Apesar do aumento, é uma desaceleração em relação ao resultado de agosto, quando a taxa foi de 1,89%. O maior impacto no índice geral veio de indústrias extrativas (-1,24 p.p.), cujos preços caíram 16,48% no mês. Os dados são do Índice de Preços ao Produtor (IPP), divulgado nesta quarta-feira (27) pelo IBGE. Com o resultado de setembro, a indústria acumula alta de 24,08% no ano e de 30,59% em 12 meses.

A pesquisa mede a variação dos preços de produtos na “porta da fábrica”, sem impostos e frete, de 24 atividades das indústrias extrativas e da transformação. Em setembro, 20 dessas atividades tiveram variações positivas na comparação com agosto.

“Apesar de positiva, a variação do índice geral em setembro foi a menor observada em 2021. O resultado é explicado tanto pelo aumento em algumas atividades, como a de alimentos, quanto pela queda no setor de indústrias extrativas. Essa foi a segunda maior queda da série histórica da atividade e se deve aos menores preços do minério de ferro, que é um produto cotado no mercado internacional e está sendo impactado pela diminuição da demanda, principalmente por parte da China”, explica o analista da pesquisa, Murilo Alvim.

Indústria de alimentos

O setor de alimentos (0,58 p.p.) exerceu a segunda maior influência sobre o resultado geral de setembro, ao subir 2,48% no período. “Esse resultado foi influenciado pelos maiores preços de produtos como a carne bovina, a carne de frango e os açúcares. Vale lembrar que todos esses produtos são influenciados pela variação do dólar, que nesse mês teve aumento de 0,5%”, afirma Alvim.

Ele ressalta que o aumento da demanda pela carne de frango, consumida como um substituto da carne bovina, também explica a alta do produto. No caso dos açúcares, além do aumento do dólar, o resultado é relacionado a fatores climáticos. “O aumento do açúcar se deve, principalmente, à safra da cana-de-açúcar, que este ano está sendo comprometida por geadas e estiagens em algumas regiões do país”, diz. Pelo terceiro mês consecutivo, os preços dos alimentos subiram e, com isso, acumulam alta de 15,42% no ano.

Já a atividade de outros produtos químicos registrou inflação de 4,41%, a quarta taxa positiva consecutiva. O pesquisador explica que o resultado desse segmento é relacionado aos preços no mercado internacional e à elevação do valor de algumas matérias-primas. “Houve aumento nos preços de fertilizantes e herbicidas, que são impactados principalmente pelos aumentos nos insumos, e produtos químicos orgânicos, em especial o propeno não saturado, que são influenciados também pelo aumento da referência internacional”, diz.

Outro setor de destaque em setembro foi o de refino de petróleo e outros produtos de álcool, que teve aumento de 1,82% frente a agosto. Com isso, o segmento acumula alta de 49,69% no ano e de 64,33% em 12 meses. “Essa atividade é muito relacionada aos maiores preços do óleo bruto de petróleo, responsável também por grande parte do acumulado no ano do setor extrativo (40,72%). Com o aumento do óleo bruto, produtos como a gasolina e o óleo diesel são impactados diretamente. Além disso, ainda tem a alta do dólar, que acaba elevando mais o preço desses produtos”, explica Alvim.

De acordo com o pesquisador, o aumento dos preços de refino de petróleo e outros produtos de álcool também se deve, em parte, à elevação do preço do álcool etílico (anidro ou hidratado), ligada aos problemas enfrentados pela safra de cana-de-açúcar. “Como a safra está sendo prejudicada, a oferta diminui e, consequentemente, o preços sobem. Além disso, tem ocorrido uma maior demanda pelo produto, que também pressiona os preços para cima”.

A metalurgia, atividade que variou 1,21% na passagem de agosto para setembro, acumula alta de 42,13% no ano. Segundo o analista, os resultados desse setor estão relacionados aos grupos siderúrgicos (produtos de aço) e de materiais não ferrosos (cobre, ouro e alumínio). “Os maiores preços do minério de ferro no acumulado no ano, apesar da queda em setembro, acabam impactando o setor de metalurgia, que é o que mais utiliza esse produto como insumo”, destaca.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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