Empresariado mantém crescimento mesmo com cenário mais desafiador

Empresariado mantém crescimento mesmo com cenário mais desafiador

Estudo mostra avanço em receita, empregos e investimentos, apesar de maior cautela diante de pressões inflacionárias e instabilidade global

O empresariado brasileiro inicia 2026 mais cauteloso, mas ainda orientado ao crescimento. É o que revela a nova edição do International Business Report (IBR), estudo global da Grant Thornton, que aponta uma queda no nível de otimismo acompanhada pela manutenção de indicadores robustos de atividade, investimento e geração de empregos.

No Brasil, 67% dos empresários se dizem otimistas com a economia para os próximos 12 meses,  porém houve uma redução em relação ao trimestre anterior, que apontava um percentual da ordem de 71%, refletindo uma visão levemente mais conservadora por conta do ambiente de maior instabilidade global e as incertezas inerentes de um ano de eleição presidencial. Ainda assim, os dados indicam continuidade nos planos de expansão: 80% das empresas esperam aumento de receita, 78% projetam crescimento da rentabilidade e 73% pretendem ampliar o número de empregados.

O cenário global ajuda a explicar o movimento. Tensões geopolíticas, pressão sobre cadeias produtivas, aumento de custos logísticos e volatilidade no preço de commodities – especialmente petróleo, ouro, prata e cobre – já impactam a atividade econômica. O estudo aponta que 57% dos empresários veem a incerteza econômica como uma preocupação relevante, enquanto 51% citam disrupções geopolíticas como fator de risco para os negócios.

Para Daniel Maranhão, CEO da Grant Thornton Brasil, o momento exige uma leitura mais pragmática.

“A queda do otimismo é reflexo de um ambiente externo mais complexo, com potenciais impactos em aumento de preços do petróleo/diesel, desabastecimento ou aumento preços dos fertilizantes e transportes. Internamente a continuidade de taxas de juros elevadas, perda do poder de compra, entre outros tem afetado negativamente a economia, com impactos concretos no consumo, nos custos e nas cadeias produtivas. As empresas seguem crescendo, mas com mais disciplina na gestão, foco em eficiência, fluxo de caixa e atenção redobrada à gestão de riscos”, afirma Maranhão

Tecnologia amplia papel estratégico

Os investimentos em tecnologia permanecem como prioridade para as empresas brasileiras: 87% pretendem investir na área. Mais do que digitalização, no entanto, o conceito ganha uma dimensão mais ampla, conectando-se diretamente à capacidade produtiva e energética. “A tecnologia deixa de ser apenas um tema digital e passa a ser um eixo estratégico mais profundo, que envolve produção, energia e infraestrutura industrial. Em um cenário de pressão sobre petróleo, logística e insumos, investir em tecnologia é também uma forma de reduzir dependência externa e aumentar resiliência”, diz Maranhão.

O movimento se reflete também nos investimentos em equipamentos (63%), reforçando a modernização da base produtiva, enquanto a agenda ESG aparece em 71% das intenções de investimento. Nesse contexto, sustentabilidade passa a ser cada vez mais orientada por exigências regulatórias e de mercado, deixando de ser apenas uma agenda reputacional e ganhando peso direto na estratégia de negócios.

Com incertezas climáticas, por irregularidade nas chuvas, produtores podem reduzir investimentos em compras de máquinas e expandir os plantios para próximas safras, devido a possíveis impactos sobre a produtividade. Na análise de riscos, quando os riscos climáticos aumentam, os bancos endurecem nas suas análises para concessão de crédito; consequentemente, financiamentos tendem a ficar mais caros e as garantias também tendem a aumentar.

Cautela no curto prazo e oportunidade estrutural no longo

Mesmo diante de um ambiente global mais incerto, a internacionalização segue como uma frente relevante: 67% das empresas esperam aumentar exportações e 65% pretendem ampliar os mercados atendidos. Ao mesmo tempo, a gestão de pessoas ganha ainda mais protagonismo, com 90% das empresas planejando aumentar salários e 75% investindo em capacitação, refletindo tanto a pressão por retenção quanto a necessidade de adaptação a um ambiente mais tecnológico.

De forma geral, o IBR Q1 2026 aponta para um empresariado mais cauteloso, diante de um cenário externo de maior volatilidade e num ano de eleição eleitoral. Para Maranhão, o curto prazo tende a seguir pressionado, com inflação, custos elevados e incertezas externas — mas esse mesmo contexto pode acelerar transformações importantes.

“O Brasil continua tendo uma oportunidade relevante de avançar na sua capacidade produtiva e industrial em um momento em que o mundo busca diversificar cadeias e reduzir dependências. Se houver evolução em estabilidade econômica, segurança jurídica e visão de longo prazo, o país pode se posicionar de forma mais estratégica nesse novo contexto global”, afirma Maranhão.

Ele conclui que “o cenário é mais desafiador, mas também é um ponto de inflexão. As empresas que conseguirem combinar disciplina no curto prazo com investimento consistente em tecnologia e capacidade produtiva estarão mais bem preparadas para crescer de forma sustentável e capturar as oportunidades que surgem nesse novo ciclo.”

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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