Conflitos entre Estados Unidos e Oriente Médio impactam mercados de risco

A expectativa de uma resolução próxima para a Guerra do Golfo está diminuindo a cada dia e impactando os mercados de risco. “Na medida em que o cessar-fogo se mantém frágil e as negociações entre EUA, Israel e Irã não avançam os mercados começam a precificar um impacto mais duradouro desse conflito na inflação e no crescimento global”, alerta a economista chefe da InvestSmart XP, Mônica Araújo.
Segundo ela, o mercado de renda fixa, em especial os títulos governamentais, tem sido o termômetro que mais reflete a preocupação dos agentes de mercado sobre essa crise. Nesta sexta-feira (15) os títulos de 10 anos dos EUA voltaram ao patamar de 4,55%, mesmo nível alcançado em junho de 2025 quando a política comercial de Donald Trump impactava negativamente o ambiente global de comércio.
Mercados de risco
“A alta nos rendimentos dos títulos governamentais ao redor do globo está contaminando os demais mercados de risco. Não somente os títulos americanos apresentam elevação, mas os títulos de paises europeus, asiáticos e aqui também na América Latina. O Brasil está inserido nesse contexto e por isso já está com os títulos de 10 anos próximo de 14,3%, voltando ao patamar de abril de 2025” , explica Mônica Araújo.
Na opinião da economista da InvestSmart XP, esse forte movimento de abertura da curva de juros vai impactar negativamente os demais mercados, tanto ações como moeda, indicando a volta da correlação tradicional. “Quando o risco de um evento de impacto global aumenta, os investidores se retraem, buscam proteção, normalmente em moeda forte, reduzem consumo e aumentam a parcela dos seus recursos em liquidez. Um cenário difícil para os bancos centrais que entendem o choque de oferta de petróleo mas precisam combater os efeitos secundários na inflação desses eventos”, conclui.








