Cobrança excessiva e exploração fortalecem Movimento Antitrabalho

O desgaste causado pela pandemia se estendeu também ao meio profissional. Apesar de ter acelerado as mudanças no formato de trabalho, alavancando os sistemas de trabalhos em home office e híbrido, recentemente uma reportagem publicada pela BBC News apontou que o movimento antitrabalho voltou a ganhar força durante a pandemia.
De acordo com a BBC, os apoiadores do movimento acreditam que as pessoas deveriam organizar-se e trabalhar apenas o necessário, em vez de trabalhar por muitas horas para gerar excesso de bens ou capital. O advogado Sérgio Peixoto, do escritório VC Advogados, explica que esse pensamento pode ter se fortalecido diante de inúmeras cobranças das empresas aos seus funcionários enquanto os mesmos estavam cumprindo o isolamento social.
“O home office é uma boa ferramenta para tentar inibir o esgotamento profissional em muitos casos, mas é preciso que as empresas tenham atenção. Muitas – ainda com a mentalidade antiga- acabam cobrando excessivamente do colaborador, como se ele estivesse disponível a qualquer momento para atender às demandas do trabalho”, inicia.
O especialista complementa ainda citando a Síndrome de Burnout, que passou a ser considerada doença de trabalho no Brasil em janeiro de 2022, diante do seu significativo crescimento durante a pandemia.
“Além de toda preocupação e insegurança natural ligada à transmissão do vírus, os profissionais ainda tiveram que reinventar suas rotinas de trabalho — muitos fizeram isso trabalhando de casa. Mas a legislação garante ao empregado o direito a um ambiente de trabalho digno para o desempenho das suas atividades e isso abrange o ambiente de trabalho em home office, que também sujeita o empregador a sanções caso haja cobrança excessiva dos funcionários”, informa.
Segundo Sérgio Peixoto, o movimento antitrabalho representa uma compreensível resposta a uma generalização da exploração, que ainda é adotada como política na gestão de algumas empresas, quando se sabe que o mais eficaz para garantir a produtividade é incentivar o combate às más práticas no ambiente de trabalho, ampliando os mecanismos de fiscalização contra o esgotamento.
“Já é perceptível uma crescente preocupação nesse campo pelas empresas sérias e que respeitam as boas práticas laborais. Um grande exemplo disso é a busca incessante das maiores companhias mundiais em ostentar o selo ‘Great Place to Work’, que certifica os melhores lugares para trabalhar ao redor do mundo. Essa demanda das empresas está diretamente ligada à satisfação do empregado, que resulta naturalmente em maior produtividade”, conta.
Para garantir um bom ambiente profissional Sérgio diz que “além da evidente necessidade de ter razoabilidade na cobrança por desempenho e produtividade, é muito importante dar voz ao trabalhador”.
“Ferramentas de feedback de baixo para cima, um compliance tratado com seriedade e a fiscalização constante pelos executivos do tratamento que todos os funcionários estão recebendo — especialmente aqueles que estão na ponta da operação e desempenham funções menos remuneradas — são essenciais para que se mitigue a judicialização das relações entre empregador e funcionário”, finaliza.








