Em meio a alta da gasolina, venda de carros elétricos cresce 77% no Brasil

Em meio a alta da gasolina, venda de carros elétricos cresce 77% no Brasil

Nos últimos 12 meses, o preço desse combustível subiu 32%. Essa instabilidade faz com que os motoristas do Brasil, cada vez mais, atentem-se a uma tendência mundial: os carros elétricos e híbridos, cuja venda disparou 77% no país no ano passado, em comparação a 2020, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).

Com um cálculo simples, é possível comprovar que o quilômetro rodado com energia elétrica é muito mais barato: o gasto médio anual para abastecer com gasolina (rodando 15.000 km por ano, com um consumo hipotético de 10 km/L e preço de R$ 7,10/L) é de R$ 10.650. Já o gasto médio para abastecer com eletricidade (considerando a mesma quilometragem rodada, em um consumo hipotético de 8 km/kWh e preço da tarifa de energia elétrica de R$ 0,86/kWh) é de R$ 1.612 por ano. Uma economia de 85%, ou R$ 9.038.

De acordo com um dos maiores especialistas no assunto do país, Diogo Seixas, CEO da NeoCharge — líder brasileira em infraestrutura de recarga para mobilidade elétrica — a redução no custo do abastecimento é apenas um dos fatores que têm impulsionado o crescimento desse mercado. “Há outros quatro fatores que farão esses veículos marcarem cada vez mais presença em nossas vidas: a sustentabilidade, pois colaboram com a redução da emissão de gases poluentes; a eficiência energética do carro elétrico, de cerca de 95%, enquanto os movidos a gasolina só chegam a 30%; a manutenção, já que têm muito menos peças móveis; e a performance, com alcance instantâneo do torque máximo, enquanto o motor a combustão entrega o torque máximo somente em uma estreita faixa de rotação”, avalia.

Aumento exponencial

Seixas reforça que o segmento segue em expansão desde a sua inserção no mercado nacional, em meados de 2012. “A tendência é que haja um aumento exponencial nos próximos anos, com uma participação ainda mais significativa do veículo elétrico puro, o Battery Electric Vehicle (BEV)”, prevê. “O que antes era um futuro muito distante, agora já pode ser considerado uma realidade em nosso país. Isso pode ser notado também com o surgimento de uma rede de recarga elétrica cada vez mais ampla — em residências, comércios, shoppings e rodovias”, acrescenta ele.

Segundo uma pesquisa divulgada recentemente pela Agência Internacional de Energia (IEA), a eletricidade produzida para abastecer a frota global de automóveis elétricos foi responsável pela emissão de 51 megatoneladas de carbono — aproximadamente metade do volume gerado por uma frota semelhante de veículos movidos a combustão — impedindo a emissão de 53 megatoneladas. “O carro elétrico tem potencial para reduzir sensivelmente o efeito estufa e a poluição urbana, inclusive a sonora, já que funciona de maneira muito silenciosa”, pontua Diogo Seixas.

Na Europa, alguns países já têm data para proibir a venda de veículos a combustão, e algumas das maiores montadoras do mundo já anunciaram que deixarão de investir nos propulsores convencionais de combustão interna. Em 2021, diversos fabricantes automotivos estabeleceram metas de eletrificação a curto e médio prazos. A maioria das marcas anunciou que quer que toda ─ ou a maior parte – da linha seja híbrida ou elétrica até 2030.

Para o CEO da NeoCharge, o que falta é somente um plano mais ambicioso e estruturado, de longo prazo, para substituição consciente da frota antiga pela elétrica. “Há alguma pressão contrária por parte dos fabricantes de motores movidos a gasolina ou etanol, assim como dos próprios produtores desses combustíveis, mas a eletrificação é um movimento sem volta e o crescimento aqui será rápido, acompanhando o resto do mundo”, finaliza.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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