Mesmo empregado nunca deixe de ouvir uma proposta de trabalho

“Parece bobagem dizer isso, mas nunca sabemos como será o dia de amanhã, principalmente quando falamos de carreira. Então, além do que todos os profissionais já sabem, que não se deve fechar portas e sair em uma situação ruim de uma empresa, outra sugestão é que nunca se deve parar de olhar o mercado ou deixar de ouvir propostas que surgem, mesmo que você esteja bem no seu emprego atual”, afirma Jorge Martins, um dos maiores especialistas em carreira do país e CEO da Bullseye Executive Search.
Segundo Jorge, é muito comum que quando o profissional está estabilizado e bem na carreira e em alguma empresa, ele pare de buscar oportunidades e de ouvir eventuais propostas. No entanto, com o mercado cada vez mais volátil é um erro muito grande, afinal não existe garantia de emprego vitalício, por mais que o colaborador vista a camisa da empresa.
“Para as empresas, muitas vezes aquele funcionário é apenas um número. E mesmo quando ela o valoriza, caso seja necessário algum corte, pode ser que a empresa precise pensar nos negócios e não possa continuar com ele. Por isso, não é errado ser egoísta com a sua carreira”, fala Jorge.
Cursos para se atualizar
O especialista complementa que é sempre bom fazer cursos para se manter atualizado, sempre que possível participar de congressos para manter o networking, deixar o LinkedIn atualizado, olhar vagas para saber se seu salário continua competitivo e, principalmente, caso seja procurado por recrutadores, nunca recuse uma oportunidade antes de ouvir a proposta e ponderar todos os benefícios da oferta.
“Já conversei com candidato com mais de 10 anos em uma empresa, que durante esse período havia recebido poucos aumentos salariais, pouco reconhecimento e sem qualquer planejamento de carreira, com todos os componentes que justificavam a saída da empresa, mas quando recebem uma proposta acham que não é o momento de sair, que o chefe vai enxergar de uma outra forma. Mas posso afirmar que isso é muito difícil de acontecer. E tenho experiência de muitos anos com carreiras”, observa Jorge.
Ele complementa que as pessoas não analisam que todo sucesso tem uma grande parcela de suor, dedicação e, principalmente falta de conforto, para ser alcançado.
“É importante lembrar que não há nada errado em não ter um crescimento acelerado de carreira ou até mesmo passar a vida como analista, contanto que você seja feliz assim! Quando falamos de sucesso, abrimos um leque muito grande e importante para avaliarmos. O sucesso de cada um é altamente particular e a sensação é de plenitude e satisfação. O importante é ser feliz. No entanto, as pesquisas apontam que a maioria dos funcionários atuais, não estão! E achar que vai ter resultados diferentes com as mesmas atitudes de sempre é definição de loucura!”, reforça Jorge.
Tanto o colaborador pode ser desligado de forma repentina como ele pode perder o interesse de continuar na empresa depois de alguns anos e por isso é bom sempre estar atento as propostas, afinal, conseguir um emprego novo, sabemos, não é uma tarefa fácil. Muitos profissionais podiam estar em uma realidade diferente e muitas vezes não mudam por medo de novos desafios, medo da comunicação aberta e transparente, pela pseudo sensação de “segurança” (mesmo que infeliz) que a empresa atual pode oferecer, entre vários outros motivos emocionais.
Jorge observa que o número de candidatos que recusam uma proposta sem nem ao menos escutar do que se trata ou até mesmo ouvir sobre os benefícios de uma proposta é muito grande. E destaca também que alguns ouvem, mas tomam decisões baseadas em fatores emocionais enquanto as empresas, na hora de uma promoção, aumento ou demissão, avaliam números.
Com a chegada da pandemia, Jorge conta que percebeu candidatos ainda mais amedrontados quando o assunto é mudar de empresas e que muitos não querem nem mesmo escutar propostas.
“De dois anos pra cá, quando modelos de trabalho se alteraram, ficou altamente normal atitudes como: não atender ao telefone, não demonstrar empatia ao próximo, indisponibilidade para comunicações espontâneas, falta de atenção a informações relevantes, medo de “se abrir”, sensação de segurança dependente de pessoas ou empresas e tudo isso dificulta muito a percepção de boas oportunidades”, finaliza.








