Redução dos rendimentos dos domicílios com renda mais alta diminui a desigualdade

Redução dos rendimentos dos domicílios com renda mais alta diminui a desigualdade

Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado nesta sexta-feira (10/6), mostra que os rendimentos habituais reais médios apresentaram queda de 8,7% no primeiro trimestre de 2022 em comparação com o mesmo trimestre de 2021. A renda média habitual real de R$ 2.548 do primeiro trimestre de 2022 é, porém, superior à do quarto trimestre de 2021, que foi a menor registrada na série da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC). Por outro lado, as horas efetivamente trabalhadas e a proporção de afastados do trabalho não foram afetados significativamente pela onda da pandemia ocorrida no período.

Os dados do estudo mostram que, no primeiro trimestre de 2022, os domicílios de renda mais alta foram os que tiveram a maior queda da renda habitual (3,98%), enquanto a faixa de renda baixa foi a que apresentou a menor queda, de 1,17%.

Os empregados com carteira no setor privado, sem carteira no setor privado e, sobretudo, do setor público encontraram dificuldade em negociar reposições salariais ao longo de 2021, apesar da recuperação do crescimento da atividade econômica observada no ano. Os empregados do setor privado mostraram quedas da renda menores que no trimestre anterior; por outro lado, os trabalhadores do setor público e por conta-própria tiveram a deterioração da renda intensificada.

Redução dos rendimentos

A maior queda da renda dos trabalhadores do setor público explica, em grande medida, a maior redução dos rendimentos dos domicílios de renda mais alta ao longo dos últimos quatro trimestres – o que, por sua vez, explica parte da diminuição da desigualdade de renda captada pelo índice de Gini.

Após o pico de desigualdade causado pela pandemia, o índice se reduziu continuamente em 2021. No primeiro trimestre de 2022, houve novamente recuo em comparação com o trimestre anterior, tendo o índice de Gini atingido 0,51 para a renda domiciliar. Analisando a desigualdade de acordo com a renda efetiva, a trajetória é semelhante; contudo, ao contrário da renda habitual, teria havido um pequeno aumento da desigualdade no início de 2022.

No 1º trimestre de 2022 a renda domiciliar do trabalho da faixa de renda alta era 28 vezes maior que a da faixa de renda muito baixa, valor menor que no primeiro trimestre de 2021 (28,8), o que reflete a maior queda da renda entre os domicílios de renda mais alta observada nos últimos quatro trimestres.

O aumento da proporção de domicílios sem renda do trabalho foi uma das consequências da pandemia. Essa proporção, que era de 22,35% no primeiro trimestre de 2020 e subiu para 28,55% no trimestre seguinte, encontrava-se em 23,35% no primeiro trimestre de 2022.

O estudo mostra também que, apesar da queda na renda no primeiro trimestre de 2022 em relação ao mesmo trimestre de 2021 se dever, em parte, ao retorno de trabalhadores menos qualificados ao mercado de trabalho, tanto a renda efetiva quanto a habitual ainda estão abaixo dos níveis anteriores à pandemia, havendo queda da renda em comparação com os primeiros trimestres de 2019 e 2020.

O recorte regional indica que a renda efetiva mostrou maiores quedas nas regiões Sudeste e Sul (quedas de 8,2% e 6,1% respectivamente). A menor queda da renda habitual foi observada no Norte, que inclusive mostrou um pequeno aumento da renda efetiva no início de 2022. Já o corte por gênero revela que os rendimentos efetivos e habituais recebidos pelas mulheres indicaram quedas superiores às dos homens (6,7% contra 5,5% na renda efetiva no primeiro trimestre de 2022 e 8,7% contra 8,3% na renda habitual).

 

Os trabalhadores mais jovens apresentaram pequeno aumento da renda efetiva no início de 2022, ao passo que os rendimentos dos ocupados com 60 anos ou mais apresentaram queda de 14,5%. Já sob a ótica do ensino, as quedas da renda efetiva foram mais intensas entre os trabalhadores com maior nível de escolaridade (queda de 6,9%).

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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