Investidores brasileiros, ingleses e franceses preferem alocar seus recursos em poupanças e seguros pessoais

Investidores brasileiros, ingleses e franceses preferem alocar seus recursos em poupanças e seguros pessoais

Perda permanente do capital investido é, disparado, o maior medo dos investidores nos três países

O Centro de Estudos em Finanças (FGVcef) da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas acaba de divulgar um relatório com investidores individuais brasileiros, franceses e ingleses. Os resultados indicam que os investidores alocam a maior parte dos seus recursos em contas poupança e seguros pessoais. Esses são os investimentos considerados menos arriscados por eles. Apesar de afirmarem que a correlação entre os ativos é um dos fatores mais importantes na hora do investimento, os participantes afirmam que o seu investimento é direcionado por outros fatores (a correlação é o último fator considerado).

A recomendação do gerente é o principal fator no Brasil, enquanto o risco é o mais importante para os franceses e ingleses. O brasileiro é o que menos investe para o longo prazo e o que mais investe no médio e no curto prazo.

O relatório revela ainda que a possibilidade de perder parte do montante investido — e não a volatilidade dos retornos — é o medo dos investidores. Em seguida, verifica-se que o brasileiro se preocupa mais com a falência da instituição e com a iliquidez, em comparação com os franceses e ingleses. É possível que isso seja reflexo de um mercado mais líquido e desenvolvido nesses países.

Resultados

A primeira pergunta aos investidores foi a quais tipos de investimentos eles costumam alocar seu capital. No geral, os principais investimentos são a conta poupança e os seguros pessoais. Em seguida, temos os títulos públicos, ações, criptomoedas, imóveis, moedas e commodities e investimentos estrangeiros.

Em média, comparando os investidores dentro das classes de ativos, o investidor inglês costuma investir mais em conta poupança e seguro pessoal (investimentos de baixo risco).

Já o brasileiro costuma investir mais em criptomoedas (investimentos com maior risco), quando comparado com o investidor francês e o inglês.É possível notar uma pequena preferência pelo investimento em ativos estrangeiros pelo francês, quando comparado com os demais.

Qual é o principal fator que direciona o investimento? O relatório enlecou a correlação entre os ativos, a recomendação de um digital influencer, a rentabilidade passada (1 mês atrás ou 12 meses atrás), o próprio risco, ou a recomendação do gerente. Não pedimos para que os respondentes definissem o que é risco nessa questão.

No geral, a correlação entre os ativos parece ser o menor direcionador na hora de investir. Isso chama a atenção pela correlação ser um dos principais componentes para atingir um portfólio diversificado.

Entre dos fatores mais importantes para direcionar o investimento, a recomendação do gerente é o principal fator no Brasil. Enquanto o risco é o mais importante para os franceses e ingleses.

Qual é o horizonte dos seus investimentos?

No geral, o investidor brasileiro se concentra no médio e curto prazos. O francês concentra-se no longo e médio prazos e o inglês apresenta uma maior dispersão, mas apresenta uma maior concentração no médio prazo. O brasileiro é o que menos investe para o longo prazo e o que mais investe no curto.

Qual é a característica mais importante na hora de investir?

Contrastando com os resultados da questão sobre o que direciona seus investimentos, as características mais importantes indicadas pelos investidores são a correlação entre os ativos e a possibilidade de fazer uma retirada rápida (liquidez). O investidor brasileiro valoriza mais a liquidez, enquanto o inglês valoriza mais a recomendação dos experts.

Por fim, o relatório questiona qual seria o maior medo do investidor ao investir. Os resultados apontam que a perda permanente do capital investido é, disparado, o maior medo dos investidores nos três países. Porém, em segundo lugar, temos a iliquidez como principal medo do investidor brasileiro, seguida da falência da instituição financeira.

Diferente do investidor brasileiro, para o francês e o inglês, o segundo maior medo é a variação dos retornos. Ambos parecem se preocupar menos com a iliquidez e a falência da instituição financeira, quando comparados com o investidor brasileiro.

Entre as menores preocupações do brasileiro, temos o investimento em um timing errado. Já para o francês, o custo de oportunidade parece não ser relevante. Por fim, o inglês apresenta uma baixa preocupação com a iliquidez dos seus ativos.

É possível que a menor preocupação com a falência e com a iliquidez, pelos franceses e ingleses, seja reflexo de um mercado mais líquido e desenvolvido nesses países.

 

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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