Sustento da família é o principal significado do dinheiro para 49% dos brasileiros

Sustento da família é o principal significado do dinheiro para 49% dos brasileiros

Desde o século 7 a.C, o dinheiro é um elemento comum a muitas culturas. O ser humano já usou para trocas comerciais e reserva de valor conchas, sal, peixe, couro, entre outros, até criação do dinheiro, cheque, cartão de crédito e, mais recentemente, criptomoedas. Se o meio de troca é basicamente o mesmo para todos, a relação que as pessoas têm com o dinheiro pode ser muito diferente de acordo com a nacionalidade, classe social e valores pessoais.

Para entender a visão — e relação — dos brasileiros com o dinheiro, a NTT DATA, sexta maior consultoria de TI e Negócios do mundo, realizou o estudo “O significado do Dinheiro”. “Buscamos avaliar a relação dos brasileiros com o dinheiro ao longo do tempo por três pontos de vista: trocas, poder e consumo. A partir do momento em que o dinheiro deixa de ter apenas conceitos monetários, passa a agregar novos significados para sua real definição”, comenta Diego Alves Selistre, head de Pesquisa e Estratégia do Chazz, divisão de design e inovação da NTT Data.

A pesquisa foi realizada em duas fases, qualitativa e quantitativa. A pesquisa qualitativa entrevistou individualmente cinco especialistas em finanças e ações pessoais, além de 18 brasileiros (empreendedores e assalariados de todas as classes sociais). Já na etapa quantitativa, foram entrevistados 1004 brasileiros, divididos por região, classe social e idade.

O estudo mostrou que:

– 49% dos brasileiros relacionam o significado do dinheiro com o sustento de suas famílias, trazendo para a análise a importância do viés da segurança para o lar

– 21% dos entrevistados, o dinheiro está ligado ao prazer e é um “meio” para desfrutar a vida.

– 26% dos entrevistados relacionam dinheiro a poder, ou seja, é uma chave que abre portas, sobretudo no convívio social.

“As formas de uso do dinheiro estão conectadas com os seus diferentes significados, pois entregam benefícios individuais e coletivos que reforçam a importância da família, prazer de viver ou a inserção social”, explica Selistre.

Como o brasileiro utiliza seu dinheiro?

Segundo o estudo, o brasileiro é muito preocupado com questões relacionadas à responsabilidade social. Para 67% dos entrevistados, é importante ou muito importante utilizar o dinheiro em doações para quem precisa ou apoiar causas sociais. Um detalhe interessante percebido pelo estudo é que esta questão é mais importante para as classes menos privilegiadas. Usar o próprio dinheiro para doações foi apontado como importante ou muito importante para 21% da soma dos respondentes das classes C e D, ante 13% da soma dos participantes de classes A e B.

“É interessante observar como os brasileiros de classes menos privilegiadas demonstram uma preocupação maior em doar, apoiar causas sociais e instituições em que acreditam”, diz o head de Pesquisa e Estratégia do Chazz. “Trata-se de uma lógica de auxílio ao próximo muito comum principalmente entre as classes sociais menos favorecidas e foi ampliada durante a pandemia.”

Outra característica que chama a atenção são os gastos com comodidade e praticidade. Mais da metade dos entrevistados afirmaram que é importante ou muito importante usar o dinheiro com apps de entrega (55%), apps de mobilidade urbana (53%) e delivery de alimentos (51%).

“Neste caso, o que chama a atenção é que não há um grande diferencial percentual em relação aos itens de comodidade e praticidade quando analisamos as classes sociais separadamente, o que sugere que todos gostam de gastar seu dinheiro para o próprio conforto”, afirma Selistre.

O estudo destacou também a importância de investir em beleza e cuidados com o corpo. 51% dos brasileiros consideram importante ou muito importante usar seu dinheiro em materiais e serviços esportivos, enquanto 45% destacaram o gasto em cosméticos e estética.

Por fim, outra categoria de destaque foi lazer e entretenimento. Streamings de vídeo, de música, apps de aluguel para viagens e games e jogos online foram relatados pelos participantes como importantes ou muito importantes para 41%, 25%, 37% e 17% dos entrevistados, respectivamente.

“O interessante nesta parte da pesquisa é observar a crescente utilização de serviços digitais por todas as classes sociais”, diz Selistre. “A mensagem que fica é que os brasileiros buscam soluções digitais eficientes e não se importam de gastar seu dinheiro, se bem atendidos.”

Formas de pagamento preferidas dos brasileiros

Em uma questão de múltipla escolha, os participantes destacaram as suas formas de pagamento preferidas. Apenas 24% das pessoas optaram pelo “dinheiro vivo”. Pagamento por aproximação com cartões de crédito ou débito foi destacado por 31% dos entrevistados, enquanto o pagamento inserindo estes cartões (chips) nas máquinas foram marcados por 35%. Pagamentos por aplicativos bancários foram escolhidos por 43% das pessoas, enquanto carteiras digitais, por 22%.

O grande destaque, no entanto, é o Pix, como a forma de pagamento preferida dos brasileiros. Para 69% dos entrevistados é a principal forma de transação instantânea do Brasil.

“O Pix é a opção preferida de pagamento e recebimento de dinheiro porque é instantâneo, está sempre disponível, é gratuito e não tem intermediários”, afirma Selistre. Pouco mais da metade dos entrevistados (55%) afirmaram inclusive que se trata da melhor forma de pagamento já inventada.

Os empreendedores que participaram do estudo deixam claro que o Pix facilitou muito seus negócios, uma vez que 84% preferem receber por essa modalidade.

Apesar de ser apontado como tendência, o pagamento por aproximação, seja por meio do smartphone ou pelo cartão, ainda encontra algumas barreiras culturais: 27% dos entrevistados afirmaram ter medo da modalidade por receio de golpes (transferências não autorizadas).

Dinheiro que não é dinheiro

Ainda sobre as formas de pagamento, o estudo da NTT DATA buscou entender a relação das pessoas com cashback, cupons, delivery grátis, etc. A conclusão: os brasileiros tratam esses benefícios como dinheiro. Para 42% dos entrevistados, cashback equivale a dinheiro, 43% consideram cupons de desconto dinheiro por permitir economia nas compras e 40% consideram delivery gratuito como diferencial para fazer compras online — e consideram essa economia no custo final.

Moedas digitais

Potencializadas pelo aumento da digitalização durante a pandemia, as moedas digitais ganham popularidade, dando oportunidade para cada segmento e/ou empresa criar sua própria moeda, com suas próprias recompensas e seu próprio valor.

Esses formatos personalizáveis de meios de troca (criptomoedas ou tokens) mostram novas possibilidades de transação que não exigem o real brasileiro. Este novo tipo de dinheiro movimenta a economia em jogos de videogame e 17% das pessoas consideram importante gastar o próprio dinheiro nessas plataformas.

Relação do brasileiro com o crédito

A pesquisa perguntou quais são as principais características que alguém precisa ter para uma vida financeira saudável. Para isso, foi perguntado qual o ‘superpoder’ de algum personagem famoso que alguém precisa ter.

– Um em quatro acreditam que é preciso ter inteligência da Lara Croft, de Tomb Raider para organizar as próprias finanças;

– Para 17%, é fundamental ter a criatividade do Anel do Lanterna Verde para gerar novas formas de renda;

– 13% dizem que o sucesso passa pelo domínio das novas tecnologias financeiras digitais, assim como o Homem de Ferro

– 12% acreditam que a flexibilidade da Mulher Elástica para se adaptar a diferentes momentos é o diferencial.

Em relação à tomada de crédito, 39% das pessoas afirmaram que já solicitaram empréstimos para pagar outras dívidas; 35%, para pagar despesas inesperadas; 16%, para adquirir produtos; e 15%, para reformar a casa, entre outras.

Sobre os modelos de crédito, 41% dos brasileiros utilizam o cartão de crédito, 33% buscam empréstimos pessoais sem garantia, 33% optam pelos consignados e 20% utilizam o cheque especial. Financiamentos foi a modalidade apontada por 20% dos entrevistados; 19% mencionaram empréstimos com parentes ou conhecidos; 13% citaram empréstimos pessoais com garantia; e apenas 9% mencionaram consórcios.

Oportunidades de negócios

“Os resultados do estudo mostram que há inúmeras oportunidades de negócios que podem ser criados ou melhorados quando as marcas entendem a forma como os brasileiros veem e lidam com o dinheiro”, diz Selistre. “A diversidade na forma como o brasileiro enxerga o dinheiro mostra que serviços e soluções não podem mais ser pensados de forma genérica, como se todas as pessoas esperassem pela mesma experiência.” Segundo o head de Pesquisa e Estratégia do Chazz, o estudo reforça a tendência de personalização de produtos e serviços pelas marcas.

Soluções personalizadas

Pouco mais da metade dos brasileiros (51%) gostariam que os bancos entendessem quem eles são e quais são seus objetivos para que, desta forma, possam oferecer soluções personalizadas.

“O estudo aponta os caminhos pelos quais os bancos e instituições financeiras podem seguir na busca e fidelização de seus clientes. A tendência apontada é que sejam criados produtos financeiros mais democráticos e acessíveis. Muitos brasileiros não possuem referências de educação financeira e criar este elo pode ser uma grande oportunidade de criar conexão entre instituição e clientes”, diz Selistre.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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