Trabalhador brasileiro gasta R$ 40,64 em média para almoçar fora de casa

Trabalhador brasileiro gasta R$ 40,64 em média para almoçar fora de casa

Restaurantes trabalham para se adaptar ao cenário pós-pandemia e evitar repasses da inflação ao consumidor

O trabalhador brasileiro gasta, em média, R$ 40,64 para almoçar fora de casa. É o que aponta a pesquisa “Preço Médio da Refeição Fora do Lar” da Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador (ABBT). O estudo foi realizado em 51 cidades brasileiras, mais o Distrito Federal, entre fevereiro e abril de 2022.

O valor desembolsado, nacionalmente, ficou 17,4% maior do que o apurado em 2019, no período pré-pandemia. Feita em estabelecimentos que aceitam o benefício-refeição como forma de pagamento, a pesquisa volta a ser realizada após dois anos de interrupção por conta das restrições impostas pela pandemia de Covid-19. O cálculo prioriza o que o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) considera como refeição ideal: prato, bebida (refrigerante, água ou suco), sobremesa e café.

“Apesar do aumento, os restaurantes estão se adaptando à nova realidade de mercado trazida pela pandemia de covid-19 e evitando repassar o aumento dos custos aos trabalhadores”, afirma Jessica Srour, diretora–executiva da ABBT. Prova disso é que o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) apurado pelo IBGE, nos últimos 12 meses, mostra que a inflação dos preços da alimentação fora do lar ficou em 6,6%. Já a evolução dos preços da alimentação no domicílio foi de 16,1%. Entretanto, algumas cidades sofrem mais o impacto da inflação, como é o caso de São Paulo. De abril para maio, o custo da cesta básica na cidade, apurado pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), superou o valor do salário-mínimo nacional e ficou em R$ 1.226,10.

“Sem o benefício-refeição, o trabalhador gastaria um terço do seu salário com o almoço fora de casa”, destaca a diretora-executiva da ABBT. O salário médio do trabalhador brasileiro, de acordo com o IBGE, é de R$  2.548,00. Levando em conta a média nacional do almoço, o desembolso mensal seria de R$ 894,08. “Por isso a Pesquisa Preço Médio é um importante termômetro para as empresas concederem o benefício adequado às necessidades de seus funcionários”, explica Jessica.

“A evolução dos preços dos alimentos reforça a importância do benefício-refeição para que o trabalhador brasileiro tenha acesso a refeições de qualidade, nutritivas e equilibradas”, acrescenta Jessica. O benefício é concedido pelas empresas aos seus colaboradores graças ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), criado por lei há 46 anos.

Preços variam de cidade para cidade

A inflação não foi homogênea nos municípios brasileiros. Por isso, a variação de preços da alimentação fora do lar reflete a realidade econômica de cada região. Custos como gás e da energia elétrica, sazonalidade dos produtos e valores do frete do transporte dos alimentos in natura, por exemplo, impactaram o preço final da refeição de maneira diferente em cada cidade pesquisada.

“Não podemos esquecer que o setor de bares e restaurantes foi um dos mais afetados pela pandemia. O fechamento de estabelecimentos e o consequente desemprego podem ter afetado os valores apurados. A retomada econômica está acontecendo aos poucos. A pesquisa demonstra que apesar de os restaurantes estarem ainda recebendo menos pessoas no salão em relação ao período pré-pandemia, o gasto médio tem crescido gradualmente pelo uso do delivery”, diz Jessica.

A pesquisa aponta os preços médios da refeição nas cinco regiões brasileiras e foi realizada pelo Mosaiclab, empresa de pesquisa que faz parte do grupo Gouvêa Ecosystem, para a ABBT. A região mais cara é a Sudeste, com preço médio de R$ 42,83. E a mais barata é a Centro Oeste: R$ 34,20. “Em abril, a média da inflação fora do lar no Brasil foi de 0,62%.

Valores por regiões do país

Algumas capitais apresentaram deflação, como Brasília (em abril, mês dentro do período de apuração da pesquisa da ABBT, o IPCA registrado no Distrito Federal foi de -0,58%). Mas acreditamos que o cenário de preços apontados na pesquisa seja pontual. Muitos restaurantes fizeram promoções ou trocas no cardápio para não repassar os custos para os clientes. Com a retomada das atividades presenciais, os preços devem se acomodar aos patamares pré-pandemia”, avalia Jessica. Veja as médias por região:

BrasilR$ 40,64
SudesteR$ 42,83
NordesteR$ 40,28
SulR$ 36,97
NorteR$ 36,14
Centro OesteR$ 34,20

Veja o preço médio por capitais:

São LuísR$ 51,91
Rio de JaneiroR$ 47,09
FlorianópolisR$ 46,75
AracajuR$ 46,11
NatalR$ 44,78
São PauloR$ 43,27
João PessoaR$ 42,76
SalvadorR$ 42,19
RecifeR$ 42,04
BelémR$ 41,04
VitóriaR$ 39,66
Campo GrandeR$ 39,22
CuritibaR$ 38,38
Belo HorizonteR$ 36,83
CuiabáR$ 36,61
PalmasR$ 36,61
Porto AlegreR$ 36,12
TeresinaR$ 34,92
MaceióR$ 34,76
BrasíliaR$ 33,37
ManausR$ 31,91
FortalezaR$ 29,65
GoiâniaR$ 27,94

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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