Contratos de Opções de Copom na B3 mostram expectativa de corte de 0,25 ponto na Selic nesta quarta-feira

Levantamento baseado na negociação de derivativo aponta que investidores precificam 80% de probabilidade de redução de 25 pontos-base na taxa básica de juros
Na semana de decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) sobre o próximo ciclo da taxa básica de juros da economia brasileira, os contratos de Opções de Copom negociados na B3 indicam que os investidores voltaram a precificar como cenário principal um corte de 0,25%. De acordo com dados da bolsa do Brasil, a probabilidade atribuída a esse cenário estava próxima de 80%, enquanto a chance de manutenção da Selic aparecia em torno de 20%. A reunião do Copom ocorre entre esta terça (16) e quarta-feira (17).
A leitura dos dados do dashboard público do produto, divulgado no site da B3,mostra uma mudança relevante na percepção dos investidores ao longo dos últimos dias. No fim de maio, o corte de 0,25 ponto percentual era amplamente dominante, com probabilidade acima de 80%. A partir do início de junho, a manutenção da Selic ganhou força e passou a liderar as expectativas, alcançando cerca de 70% nos dias 9 e 10/06. Já na leitura de 12/06, o movimento se inverteu novamente, com o corte de 0,25 ponto voltando ao centro das expectativas.
“As Opções de Copom permitem que os investidores negociem cenários específicos para a Selic em estratégias de proteção ou ganhos de curto prazo, mostrando ao longo do tempo e de forma transparente as expectativas do mercado em relação à decisão do Banco Central, afirma Felipe Gonçalves, superintendente de Produtos de Juros e Moedas da B3.
O volume negociado ao longo do período ajuda a contar essa trajetória. O dado não representa, por si só, a probabilidade de cada cenário, mas funciona como uma linha do tempo dos dias em que houve maior intensidade de negociação e ajuste de preços. Os picos recentes aparecem em 03/06 (duas semanas antes da decisão), com 453.461 contratos; 09/06 (uma semana antes do início da reunião), com 365.771 contratos; e 12/06 (última sexta-feira anterior à definição), com 355.799 contratos. No dia 15/06, segunda-feira, foram 277.918.
As posições em aberto (contratos comprados que ainda não foram vendidos e não chegaram à data de vencimento) também avançaram no período. No dia 15/06, havia 4.315.990 contratos em aberto, mais de 1 milhão a mais do que um mês antes, 15/05 (3.158.792), alta de aproximadamente 36,6%. “O aumento das posições em aberto e dos volumes negociados fortalecem a leitura dos números do produto como termômetro de expectativas dos investidores, já que as Opções de Copom são instrumentos diretamente ligados ao resultado de cada reunião do Banco Central”, explica Felipe Gonçalves.
Como funcionam os Contratos de Opção de Copom
As Opções de Copom são contratos derivativos listados na B3 que permitem negociar a variação da Taxa Selic, definida em cada reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central. O investidor escolhe um cenário específico, como manutenção, alta ou queda da taxa básica de juros. Se a decisão do Copom corresponder à opção escolhida, o investidor que comprou aquele cenário recebe o valor fixo de R$100 reais. Caso contrário, o custo fica limitado ao valor investido na compra do contrato (de 0 a 100 reais, a depender da probabilidade de exercício da opção em questão).
No caso do investidor que vende a opção, ele receberá o prêmio pago pelo comprador do contrato no momento da negociação e terá que pagar os R$ 100 na liquidação caso o cenário negociado por ele seja exercido.
Para investir, é necessário ter conta em uma corretora habilitada a operar derivativos listados e perfil adequado para esse tipo de produto. O investidor deve acessar a plataforma de negociação, buscar as séries de Opções de Copom pelo código CPM, identificar a reunião e o cenário desejado, avaliar o prêmio negociado e enviar a ordem.








