Dificuldades do setor da construção podem paralisar obras

Dificuldades do setor da construção podem paralisar obras

Desde o ano passado, as construtoras estão enfrentando dificuldades com o aumento dos custos, primeiro, de matérias-primas e agora também com mão de obra. Segundo a coordenadora de Projetos de Construção Civil do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), Ana Maria Castelo, os orçamentos realizados previamente ficaram defasados e, dependendo do tipo de contrato, a obra pode começar a gerar grandes prejuízos e inviabilizar a sua continuidade.

“Entre julho de 2020 e julho de 2022, o INCC-DI subiu 31%. O aumento expressivo dos custos em curto período provocou grandes desarranjos organizacionais nas empresas da construção ao atingir contratos em andamento e as obras. Por isso, muitas delas vêm tentando renegociar seus contratos”, explicou a economista.

Em julho desse ano, o FGV IBRE introduziu quesitos especiais na Sondagem da Construção que ajudam a dimensionar a importância da questão e, principalmente, saber se há risco iminente de paralisações em obras. Vale lembrar que o setor da construção tem sido um importante gerador de empregos, contribuindo para a recuperação do mercado de trabalho nos últimos dois anos.

Em resposta à enquete do FGV IBRE, as empresas indicaram:

  • A maioria está tentando renegociar contratos. O percentual mais alto é o das empresas do segmento de infraestrutura para engenharia elétrica e obras de telecomunicações.

 A empresa está tentando renegociar contratos? (em % do total)

Setor da Construção52,447,6
Preparação do Terreno51,648,4
Construção de Edifícios e Obras de Engenharia Civil50,649,4
Edificações49,550,5
Edificações residenciais52,247,8
Edificações não-residenciais44,555,5
Obras Viárias48,551,5
Obras de Arte Especiais + Obras de Outros Tipos54,046
Obras de Montagem61,638,4
Obras de Infraestrutura para Engenharia Elétrica e para Telecomunicações70,529,5
Obras de Instalações54,745,3
Obras de Acabamentos54,345,7
Outros Serviços para Construção36,663,4
  • Um percentual relevante de empresas vem sendo bem-sucedido na negociação. Apesar disso, há ainda um percentual expressivo (31,3%) de empresas que não obtiveram resposta ao pedido de renegociação e um grupo de 21,6% do total que obtiveram resultados negativos ao seu pleito.

A empresa está sendo bem-sucedida na renegociação? (em % do total)

SegmentosSimNãoNão obteve resposta
Setor da Construção47,121,631,3
Preparação do Terreno42,522,435,1
Construção de Edifícios e Obras de Engenharia Civil39,325,635,1
Edificações38,828,233,0
Edificações residenciais48,222,629,2
Edificações não-residenciais30,438,930,7
Obras Viárias37,122,740,2
Obras de Arte Especiais + Obras de Outros Tipos38,522,239,3
Obras de Montagem55,615,928,5
Obras de Infraestrutura para Engenharia Elétrica e para Telecomunicações53,17,039,9
Obras de Instalações61,921,516,6
Obras de Acabamentos81,45,213,4
Outros Serviços para Construção62,119,218,7

Face a essa situação ainda relativamente indefinida, o FGV IBRE consultou as empresas do setor sobre o risco de paralisação de obras.

  • O risco de paralisação é relativamente baixo para o conjunto das empresas do setor da Construção, mas há segmentos, como os de obras viárias e obras de artes, em que mais de 20% das empresas apontam risco de paralisação. Estes são segmentos que possuem contratos majoritariamente com entes públicos. O setor de obras viárias é responsável pela construção de estradas, ruas e engloba obras do metrô, por exemplo. O de obras de arte pela construção de tuneis, viadutos, pontes etc.

Há risco de paralisação em 2022? (em % do total)

SegmentosSimNãoNão sabe
Setor da Construção12,577,110,4
Preparação do Terreno21,266,712,1
Construção de Edifícios e Obras de Engenharia Civil15,874,010,2
Edificações11,777,111,2
Edificações Residenciais10,379,210,5
Edificações não-residenciais13,275,411,4
Obras Viárias23,568,87,7
Obras de Arte Especiais + Obras de Outros Tipos22,367,210,5
Obras de Montagem17,176,36,6
Obras de Infraestrutura para Engenharia Elétrica e para Telecomunicações1,284,514,3
Obras de Instalações8,581,110,4
Obras de Acabamentos12,387,70,0
Outros Serviços para Construção5,784,99,4

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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