Mudanças e desafios da nova lei cambial são debatidos pela Abracam

Mudanças e desafios da nova lei cambial são debatidos pela Abracam

A nova Lei do Câmbio entrará em vigor no Brasil dia 31 de dezembro de 2022. Com a legislação, virão também diversas mudanças que visam simplificar e desburocratizar as operações de moeda estrangeira.

Mas quais impactos o novo marco legal deve causar no sistema financeiro a partir de 2023? Essa questão foi o mote do Abracam Speech Infralegal, evento promovido pela Associação Brasileira de Câmbio na última semana, em São Paulo, reunindo especialistas renomados e instituições importantes no mercado.

No evento, a maior parte dos especialistas afirmou que o Brasil precisava de uma nova regulamentação para o mercado de câmbio e capitais internacionais. Para Ricardo Franco Moura, chefe de departamento de regulação prudencial e cambial do Banco Central, o mercado de câmbio vem passando por grandes mudanças ao longo das últimas décadas, sendo a maior delas no âmbito infralegal, e a lei em vigor até então, que é de 1962, já não atendia mais às demandas do mundo contemporâneo.

“A consolidação das normas em uma só legislação é uma das principais virtudes dessa nova lei cambial”, afirmou o especialista, que abriu a rodada de palestras. Segundo ele, “as leis antigas engessavam o mercado”, cuja característica altamente descritiva acabava freiando a inovação e a competição no sistema financeiro.

Outro ponto bastante abordado no Abracam Speech Infralegal foram as virtudes do novo marco legal, justamente por propor simplificar e desburocratizar as operações cambiais. De acordo com Janaina Assis e Diego Zia, sócios-fundadores da B2Gether, a “modernização” proposta pela nova regulamentação será importante para tornar o mercado mais competitivo, tecnológico e inovador.

“O que temos percebido, e isso ficou ainda mais claro para a gente com as falas de outros especialistas no evento da Abracam, é que o conjunto de princípios da nova lei visa simplificar e desburocratizar as operações cambiais, trazendo inovações importantes para o nosso mercado”, pontuam os gestores da B2Gether, empresa especializada em operações de câmbio e uma das convidadas a participar do evento presencialmente.

Entre as principais mudanças que deverão surgir com a nova lei, estão a simplificação dos códigos utilizados para classificar operações de câmbio de até US$ 50 mil, uma maior permissão para o livre formato para realização de operações de câmbio, a equiparação do tratamento das transações de contas de não residentes do Brasil ao das contas de residentes, assim como mais flexibilidade e autonomia para as instituições financeiras em relação às informações e aos documentos comprobatórios para fins de compliance, prevenção de lavagem de dinheiro e combate ao financiamento de outros crimes.

Mais princípios, menos descrições e alguns dilemas

Segundo Márcio Antônio Estrela, servidor aposentado do Banco Central e consultor em regulação financeira e cambial, essa lei traz mais princípios e menos descrições, diferentemente da legislação anterior. Para ele, essa característica principiológica concede mais liberdade para os processos do câmbio e retira burocracias.

“A nova lei não vai gerar, de imediato, grandes mudanças, mas servirá como uma ponte para o futuro”, afirmou o especialista durante o painel que discutia as contribuições do marco regulatório.

Já Rebeka Assis, diretora jurídica da B2Gether, analisa que as mudanças trazidas pela nova lei, apesar de serem positivas e importantes, tendem também a gerar muitas dúvidas tanto nos operadores de câmbio quanto nos clientes, principalmente por transmitir os princípios que devem ser respeitados, mas sem detalhar as normas.

“É inegável a relevância do novo marco regulatório, mas muitos dilemas ainda estão sem resposta, sob o ponto de vista técnico. Questões de compliance, documentação, procedimentos, transmissão de informações e as responsabilidades de cada parte envolvida no câmbio precisam ser melhor explicadas. Essa percepção não é só nossa, muitos colegas presentes no evento compartilharam essa visão”, pontua Rebeka.

“Acredito que, após o primeiro contato com a regulamentação, surgirão outros dilemas práticos que só serão possíveis ser identificados com a rotina. Por isso, entendo que haverá um trabalho coletivo entre as instituições financeiras e os órgãos reguladores para encontrar as melhores soluções”, conclui a advogada.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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