Especialistas comentam expectativas para o comunicado do Copom em meio ao risco fiscal

Nesta quarta (7), o Comitê de Política Monetária (Copom) divulga se o Banco Central deve ou não manter a taxa Selic atual em 13,75% ao ano. A maior parte do mercado acredita que a taxa será mantida em 13,75% e os olhares prometem ficar mais atentos ao tom do comunicado que será divulgado. O próprio Boletim Focus divulgado na última segunda (5) apontou para a manutenção da taxa de juros básica em 13,75% para este ano. Para 2023, a estimativa subiu de 11,50% para 11,75% e, para 2024, foi elevada de 8,25% para 8,50%.
De acordo com Marcus Labarthe, sócio-fundador da GT CAPITAL, apesar da manutenção da taxa em 13,75% ao ano, o Banco Central está monitorando os gastos do novo governo em 2023, o que pode até mesmo fazer com que haja possíveis novas altas na taxa de juros no ano que vem.
“Nada está descartado. Acredito que novidades em relação à PEC da Transição podem mudar totalmente este cenário. Além disso, o mundo ainda passa por uma série de ajustes econômicos e o Brasil está atento a isso”, afirma Labarthe.
Para Idean Alves, sócio e chefe da mesa de operações da Ação Brasil Investimentos, ainda não há motivos suficientes que justifiquem uma alta da Selic: “Por conta de muitos dos dados anunciados no último trimestre terem vindo mistos, sem deflação, mas com uma inflação moderada, dentro do esperado, não há nada que justifique uma alta de maior magnitude. Com o estresse atual do cenário, tivemos muitas das expectativas comentadas no mercado que ainda não se confirmaram, o que deve sim refletir em um tom mais duro do comunicado“, comenta.
“O comunicado deve reiterar tudo o que o Copom vinha justificando nas últimas reuniões, com a adição de um fiscal cada vez mais comprometido e que, sem dúvida, deve impactar negativamente na inflação lá na frente, além, claro, do aumento de forma relevante do risco Brasil, o que deve ser ‘equilibrado’ via taxa de juros“, diz Alves.
Segundo Ricardo Jorge, especialista em renda fixa e sócio da Quantzed, depois do waiver (perdão por não cumprir meta) aprovado, o BC tende a acompanhar mais de perto os indicadores de inflação: “Então, no primeiro sinal de que esse repasse de custos irá para a sociedade e começar a refletir nos preços, com certeza vão atuar e começar uma nova elevação da taxa Selic. Quando isso vai acontecer, a gente não sabe. Se vai ser no início, no fim do ano, essa resposta só vamos ter à medida que percebermos que os indicadores de inflação já estão sofrendo algum tipo de impacto por causa da política expansionista do novo governo”.
Ana Paula Carvalho, planejadora financeira CFP e sócia da AVG Capital, vê como o ponto de maior incerteza no momento o tempo que a taxa Selic se manterá no nível atual, exatamente pelo risco de inflação, dado o cenário doméstico fiscal.
“Provavelmente o Copom fará um comunicado demonstrando uma postura vigilante e alerta ao movimento do mercado, que tem se mostrado muito avesso à política fiscal expansionista proposta pelo próximo governo. Com gastos maiores, haverá dificuldades em termos cortes de juros, com o risco de uma Selic inalterada no próximo ano e até mesmo um eventual ciclo de alta caso haja uma deterioração fiscal mais forte”, afirma.
Para esse período repleto de incertezas e em meio à aprovação da PEC de transição, Bruno Piacentini, economista e professor da Eu me banco, acredita que os títulos pós-fixados são boas opções para o investidor, que muitas vezes, só olha para esse título como reserva de emergência por conta de sua liquidez e baixo risco de mercado: “Os títulos atrelados a taxa CDI não possuem o mesmo risco de marcação a mercado que os títulos prefixados e, com a alta taxa de juros, são uma ótima opção de rentabilidade“.
Em relação aos títulos atrelados ao IPCA, mesmo que paguem uma rentabilidade real ao investidor, Piacentini recomenda cuidados: “Com a inflação elevada, os juros sobem para conter a demanda da economia e, assim, controlar a inflação. Assim como vimos nas últimas reuniões do COPOM, com a taxa Selic saindo de 2% para 13,75%. Então, se iremos aumentar nossa rentabilidade com a parte pós-fixada deste título (atrelada ao IPCA), podemos perder dinheiro com a parte prefixada, que sofre com a marcação a mercado“.
Rodrigo Cohen, analista CNPI e co-fundador da empresa de educação financeira Escola de Investimentos, acrescenta que a melhor forma de investir em cenários de incerteza é buscar aplicações financeiras mais conservadoras inicialmente e diversificar a carteira aos poucos. “O mercado é irracional muitas vezes e os investidores nunca sabem a hora certa de entrar”, afirma.
Cohen também afirma que é uma boa hora para entrar na bolsa para acumular patrimônio no longo prazo antes que os preços das ações subam para quem tiver perfil arrojado. Na avaliação do analista, a bolsa deve andar para cima após a volatilidade causada pela eleição, depois que os investidores conhecerem a política econômica e fiscal do novo governo.








